sábado, janeiro 17, 2009

Polilara.

Lara tinha 9 anos quando sentiu o pedaço de carne em sua boca pulsando e VIVO, ora, e sua garganta se fechou e não foi capaz de engolir. Correu para o banheiro e cuspiu na privada tudo que tinha na boca — a língua, quase —, também vomitou.
Quando explicava o porquê de seu vegetarianismo, caçoavam da história — “Quer dizer que você é das que cospem?”, “Você não gosta quando a coisa pulsa na sua boca?” — ou chamavam-na de alienada, pois faltavam razões políticas, enfim.
Uma vez, Lara disse:
— Foda-se.

***

LARA
Ah... Quando eu tinha uns nove anos, eu tava comendo um bife, acho, e aí eu comecei a... sei lá, eu tava mastigando e eu senti o negócio VIVO, sei lá, PULSANDO. Aí eu não aguentei e fui cuspir e vomitei tudo.

ALGUÉM
Na mesa?

LARA
Não, eu comecei a ficar enjoada e corri pro banheiro.

ALGUÉM
Então você é do tipo que cospe? Você não gosta quando pulsa na boca?
(ri sozinho)
Mas, sério; quer dizer que você não come carne só porque tem NOJO?

LARA
Você acha pouco?

Lara se ajeita na cadeira.

ALGUÉM
Não, é só que... e as implicações éticas? Esse papo de indústria da carne e tudo mais?

Lara puxa o copo com COCA-COLA, pega o canudinho e o coloca na boca, suga um pouco, olha para Alguém.

LARA
Foda-se isso tudo.

***

Viva, ela é pulsante
a carne eu cuspo, sim; sim
eu sou dessas, mesmo.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Um conto escrito às pressas numa LANHouse (Córrego Fundo - MG)

(ou então: ménage ³)

Virgínia veio valente
Pato partiu potente
Nanda nunca namorou
Gabi garante: gozou.

domingo, janeiro 04, 2009

Cheiro de novo de novo.

O que que é o novo? O que que é o ano? O que que é o novo ano? O que que é o ano novo?

Essas perguntas sempre atormentam meu sono, e aí eu trago pra vocês meus caros leitores: como a gente pode dizer que um ano acabou se é tudo só convenção que a gente inventa? Quer dizer, eu invento que o ano acabou e por isso acabou?

Ah, meus caros leitores, eu acho isso tudo muito complicado e chega a ser difícil falar sobre isso. Eu não gosto do ano novo, porque ele é BRANCO e eu prefiro o negro. Eu me sinto sozinho no branco.

Cada ano trás um monte de promessas novas, não é? Já fez as suas? Eu já tenho tanta promessa atrasada que esse ano eu não fiz nenhuma, só tenho que cumprir as dos anos passados que já tá ótimo.

Bom, é isso aí, vou viver meus anos aqui e boa sorte pra vocês!

P.S.: Gente, eu tô lendo um livro do Bradubruy que chama "Fahrenheit 451". Imaginem um futuro em que os livros são proibidos e que eles são queimados pelos chamados "bombeiros". Assustador, não é? Acabam os bons sentimentos, o conhecimento, a prosódia, a poesia e tudo mais e os homens viram robôs sem coração. Caros leitores, recomendo do fundo de meu coração, é MUITO melghor que o FILME.