sexta-feira, maio 11, 2012
Uma imagem.
terça-feira, abril 10, 2012
minha irmã.
"que que cê tá olhando?
que que cê tá fazendo?"
e eu gritei pra ela:
"Nada!", "eu não tô fazendo nada!"
ela me persegue
ela me pune
às vezes acho que ela não tem coração
ou que ela acha que eu sou um brinquedinho
a gente mal conversa
ela já chega gritando
aí eu fecho a janela do navegador
coloco as calças
e eu grito pra ela:
"Nada!", "eu não tô fazendo nada!"
poxa vida
caralho
"eu não tô fazendo nada!"
não me olha assim que eu me sinto pivete
segunda-feira, outubro 31, 2011
trecho de uma longa carta, II.
quarta-feira, outubro 19, 2011
sábado, abril 30, 2011
Brincando de drama.
ROB
Bebendo às quartas? Qual é a boa?
CLARA (coloca o copo no chão, levanta-se e vai animada até Rob, abraçando-o)
Você, de volta! Eu senti tanto a sua falta, sabe? Você está tão cheiroso...
Rob larga-se dela e senta-se na poltrona.
ROB
Que exagero! Fedido, você quer dizer. Se existe estar meio-morto, é assim que eu estou. (Olha para a barraca.) Seu dia parece ter sido divertido, no entanto.
CLARA (senta-se no colo dele)
Você não imagina como! Arrumava os armários quando achei nossa tendinha, lembra?
ROB
Sim, era bom, era muito bom. Eu vou tomar um banho, agora.
Clara inclina-se sobre ele e o beija na boca.
CLARA
Por que você não entra na nossa tendinha?
ROB
Ela está arejando, não está? Você sabe muito bem que tenho cá minhas alergias.
CLARA
Sim, com certeza, mas e eu? Eu montei a barraca mesmo assim, eu me sujei toda por você. Vê meus olhos vermelhos?
ROB
Sim, e a face inchada e essa boca quase explodindo. Se eu não conhecesse suas alergias, acharia que você passou a tarde inteira chorando. Mas hoje não é um bom dia para joguinhos em uma barraca.
Rob se levanta, forçando Clara a ficar de pé. Rob começa a ir em direção ao quarto.
CLARA
Não! Espere um pouco, temos visitas!
Rob vira-se para Clara.
ROB
Numa quarta-feira?
CLARA
Você sempre me disse que todo dia é dia quando nós o queremos bem. Hoje é um dia especial.
ROB
Sim, o dia em que se toma uísque, montam-se as barracas e chamam-se as visitas. Quem vem pra cá?
CLARA
Eu estava me sentindo muito sozinha à tarde, sabe? Você não estava aqui...
ROB
Costuma acontecer quando eu trabalho, como nas quartas-feiras...
CLARA
Mas você voltou pra mim, não é? Para nossa tendinha. Chegou tarde...
ROB
Estou enfiado até a cabeça nas reuniões com os chineses, não me encha por causa disso!
CLARA
Afunda-se até a cabeça...
ROB
Só quero um banho, conversamos depois, na cama, quentinhos e tudo mais.
Clara aperta seu corpo contra o de Rob, intensamente.
CLARA
Agora, na barraca.
ROB
E a visita? Ela não vem?
CLARA
Já veio. Ajudou-me com a barraca, sujou-se comigo, também.
ROB
Ela a ajudou.
CLARA
Como ela sempre lhe ajuda.
Rob larga suas coisas no chão e se senta novamente na poltrona, derrubando acidentalmente o copo com conhaque no chão. Ele apoia a cabeça entre as mãos.
ROB (irritado)
Quem, Clara?
CLARA
Entre e veja! Você sabe, você é bom de entender as coisas, sempre percebe tudo bem antes de mim... Vai, entre!
ROB
Você não devia beber às quartas-feiras.
CLARA
Você nunca volta para casa às quartas. O que você faz às quartas?
ROB
Os chineses, Clara, eu já lhe disse! Os malditos chineses me tomam todas as noites.
CLARA
Você chegou cedo, onde estão os chineses? Talvez seus chineses estejam aqui, não é, na nossa tendinha?
ROB
Você delira, arre! Você mesma disse que eu cheguei tarde! Arre, Clara, arre, deixe de maluquice e de conhaque, você parece um...
Clara pula novamente em seu colo, beijando seu pescoço.
CLARA
Você não está cheirando a reunião com os chineses! A reunião foi cancelada, não foi? Ela não respondeu suas mensagens e você veio direto para casa, pra mim, para a substituta. Mas eles também vieram pra cá, pra nossa reunião! Vamos, entre!
ROB
Entro, porque não há chinês algum, tudo bem, joguemos o seu jogo infantil!
Rob se levanta, retirando Clara rudemente de seu colo. Vai em direção à barraca.
CLARA
Se você entrar nessa barraca, é nosso fim.
Rob entra na barraca.
quarta-feira, abril 06, 2011
João Paulo Segundo.
J. Olá? Quem está à luz de velas?
P. (curvando-se sobre os papéis) Oh, parece-me que... João! Bom lhe ver aqui, amigo meu!
J. Ah, Paulo, que agradável surpresa. Que faz?
P. Não lhe interessa de verdade, coisas de um mundo outro.
J. É mesmo? Pois acabo de retornar de uma corrida no parque e mal sabe o que me aconteceu.
P. Não o sei, mesmo...
J. Pois...
P. Pois?
J. Pois que enquanto eu corria... Ora, conto-lhe, ainda que seu orgulho me esconda tudo! Estava eu correndo quando vi uma moça, veja bem, uma moça com as pernas de fora...
P. Fato bastante incomum nesses dias ensolarados.
J. Caída no chão, veja bem, as pernas descobertas pelo short e uma poça de sangue a seu lado!
P. E por quê?
J. Ora, me diga você! Por quê?
P. (desinclina-se de sobre os papéis, pondera com a caneta na mão) Oh, mundo, mundo, cruel mundo! Foi ela engolida por um automóvel?
J. Nada, nada!
P. Pois então que foi alvejada pela faca de um assaltante, ou, numa crise convulsa, caiu-se no chão, afetada pelos humores e amores de nosso tempo... Uma Werther de sua própria consciência, vertendo-lhe a alma o acesso nervoso súbito.
J. Lindo, lindo, porém falso, oh, muito falso!
P. Então o quê? Atiraram-lhe uma pedra, Madalena moderna sem Cristo a defendê-la?
J. Jesus que me livre, também não o foi.
P. Então o quê?
J. Que faz aí?
P. Eu?
J. Sim, você, ora, é claro!
P. Confabulo sobre a causa da queda da moça de shorts curtos, você bem o sabe.
J. E debaixo de seu braço, escondido o papel?... Escreve?
P. Ora, de que importa!
J. Tenho quase certeza que o ouvi louvando qualquer coisa. Passou a acreditar em Deus?
P. Sim, sempre acreditei com toda a força de meus cabelos.
J. Não use sua calvície como rota de fuga irônica! Escreve ou não escreve?
P. Escrevo.
J. Então bote aí, Paulo de Medeia, firule bem sua caligrafia: a moça dos shorts curtos não existe e você é um tolo.
P. (levanta-se, apontando a caneta ameaçadoramente para João) Quem, eu ou você?
J. Arre, reage rápido e infantil. Vá a merda, que vou ao mercado comprar queijo.
P. Passe bem, sofista!
J. Passe à merda, passe à merda!
terça-feira, abril 05, 2011
João Paulo.
P. Oh! Se eu lhe dissesse, se eu lhe dissesse...
J. O quê, mas o quê? O que esconde aí, debaixo dos braços, olhos desconfiados?
P. Meu amigo, meu companheiro, não posso lho dizer! Se o fizesse...
J. O que é, diga, diga!
P. Você já o pressente.
J. Não, o quê?
P. Se eu lhe dissesse...
J. Chega de se repetir, pelo amor de Deus.
P. Sim, concordo; por que quer saber?
J. Porque você esconde.
P. Por que eu escondo?
J. Como eu vou saber?
P. Vai saber.
J. Vou?
P. Vai, oh, claro que vai!
J. Então o quê? O que você está fazendo aí?
P. Por Deus, chega de se repetir!
J. Está vendo? É você! Você, que não quer me dar nada, só costura com as palavras.
P. Não costuro nada, como é cego.
J. Então...
P. Então?
J. Passar bem.
P. Passemos. Adeus!
segunda-feira, abril 04, 2011
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Arqueologia sentimental.
sábado, julho 24, 2010
monólogo dos encontros infortuitos
terça-feira, fevereiro 16, 2010
autocon(strange)hecimento, 5:
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Já é a décima terceira vez que escrevo a mesma coisa para você.
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AZAR.
sua aposta não deu em nada, não sou nada, nada digno de orulho, nada digno de nada, nada de alvares penteado ou de... nem lembro mais o nome do cara. aluisio di olibveira. Ouro pRETO. aRRE, NÃO ME LEMBRO. pOIS BEM, NADA NDA NADA NADA NADA DE ESCRITO E PENSADO, NADA QUE MEREÇA QUALQUER ATENÇÃO NADA SÉRIO NAA ESCITO COM VERDADE EM MINHAS INTENÇÕES, NADA ESCRITO COM MENTIRA UBVEBTADA BI REAK BADA DE BADAM PE I FUN FUN ]]]]]]]]]]]]PE BADA, ESCREVI CIN A CABELÇA ECISTADA BI NPIVEKM SEN VER TECKA TECKADI BEN BADAM E I CYRUISI PE QYE AS CIUSAS FUCAN NYUTI OUIRES DE KER QYABDI CINLEI A OEBSAR D]BI QYE ESTIY FAKABDI E TEBTAR CIBTRIKAR NEYS NIVUNEBTISM CINI A]QYABDI NEBCUIBEU I ORPIORUI NPETIDI CIN QYE EY ESTAVA ESCREVEBDI, e I OEBSAR NISTRA I NIVUNEBTI OERDEBDI FIRLA IY GABGABDI CIN AS IBDAS DI OEBSAnebtim vibuti,
HAHAHAHA. MNÃO IMAGEINEI QUE ESTIVESSE ACONTECENDO ISSO. eNFIM, ESTAVA ESCREVENDO SEM OLHAR PARA TECLADO E TELA E CABEÇA APOIADA E ACABOU VIRANDO AQUILO.
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Brasil, mostra sua cara.
sexta-feira, janeiro 08, 2010
interlúdio: poema de despedida (a poem to let it go)
ou eu morrer de intoxicação alimentar
deixo
para todos vocês
o mundo
vestido com um vestido rosa
if the plane falls
or i die intoxicated
i leave
to all of you
the world
wearing a pink dress
se o plano cair
ou eu morrer intoxicado
eu saio
para todos vocês
o mundo
vestindo um vestido rosa
if my plane fails
or if i die in toxic ate d
i'll leave
the world
to you
in a pink dress
se meu plano falhar
ou se eu morrer em toxic a do
eu deixarei
o mundo
por você
de vestido rosa
if my means to an end meet no expected end
or if a bad ending should i expect from poison
i am certainly letting
the world as a gift
to you
from a pink dress
se meus meios não tem o fim para o qual começaram
ou se o filme termina mal (foi envenenamento!)
é certeza que deixo ir
o mundo como presente
para: você
de: vestido rosa
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Sinta-me os brancos (compromisso, mallu magalhães [:)])
Parlapatões, Lara, parlapatões.
É a sua boca, filho da puta, é essa conaiada toda, arre...
e o discurso? Não importa o discurso.
e a leitura? não importa a leitura
Mas e seu posicionamento? Em qualquer lugar, tanto faz.
Arre! Por valor agregado eu quero dizer o valor expressivo e informativo pelo qual o som enriquece uma dada imagem. . . . ......... de modo que proponho aos...............
Lara, assim não te entendem.
Já faz tempo, você sabe, colocar palavras na minha boca não ajuda em nada.
Faz tempo acho que sou amorfa.
Leia que vai lhe fazer bem.
Seus culhões que vão, seus culhões.
domingo, novembro 08, 2009
sussurro aliterado de 24.10.08.
quinta-feira, setembro 10, 2009
sexta-feira, julho 24, 2009
Em três minutos, posso dizer isso tudo:
segunda-feira, junho 22, 2009
Stablishing shot.
O quarto mais bagunçado
Dentro do estômago, revoluções, revoltas e refluxos
No bairro de Perdizes faz uma noite calma.
A zona oeste ao centro de São Paulo é boa, é rica
Dentro da carteira, nenhuma moeda.
Brasil, país violentamente desigual em sua geografia, torto a direito, enfim
América Latina: tudo menos o Brasil
O estado de São Paulo cheira a PSDB
As meias no pé sujas, enfim, tão sujas quanto deviam estar, porque o universo é justo e se paga com o que se tem
O universo é justo e se paga com o que se tem
Sudeste: praonde o dinheiro vai, clima agradável
Já o hemisfério sul...
Livros em cima da cama, a namorada também
A rua lotada de ninguém, mas o preto quando visto de cima parece preencher.
E é tão engraçadinhozinho o que você faz doçurazura o que você faz o que você é pra mim
E você sabe doçurazura embora seja tão engraçadinhozinho que você é o mundo pra mim
sábado, junho 06, 2009
sábado às 23h30.
Seus olhos tão esperançosos que chega a ter certa graça que você não verbalize logo suas intenções que suas mãos redundam as minhas e bebemos juntos pela já nonagésima ou coisa assim vez, você que é meu querido amigo e eu, frágil moça agora sozinha sem seu amor de tanto tempo, um pouco mais que esse tempo em que nos conhecemos e nos tornamos amigos de confiança.
— E, de certa forma, personagens do Cortázar, ambos.
— Sim, literariamente, sim — essa sou eu falando, intercalaremos (que bonito que é isso: um diálogo é necessariamente inter-calar, quando um burro fala, o outro abaixa as orelhas).
— Acho isso lindo, che, podermos tomar uma num bar sem problemas, despreocupados, nós dois.
— Não lhe cai bem esse che, parece mais um gaúcho do que um porteño ou o que quer que você quisesse parecer; além do mais, acho que você usa nas horas erradas e só fala besteira.
— Pode ser que sim, mas pelo menos eu te faço companhia.
É irritante — não é irritante? — que você insista tanto em colocar na minha cara que só você está aqui comigo, que eu estaria totalmente sozinha se não fosse, mas... Suas vontades são absurdas, não há porque eu atendê-lo, aceitar os carinhos que você me oferece, a cama quente, o enfim-livre que você insinua; tão óbvio e tão difícil acreditar que você tem medo.
— Há motivo! — e brindamos — Nada melhor que gin tonic, non?
— Não há nada melhor, mesmo.
Enquanto isso, você pensa: “Ela está mal, dá pra perceber na pele dela, será que ela já está pronta? Ou então é o contrário, talvez justamente por não estar pronta eu possa ajudá-la, não sei, arre, me sinto um monstrinho pensando assim, como pode? Não há nada de errado, não meto chifres em ninguém e não pode ser que ela não sinta nada por mim, depois de tanto tempo... E, talvez, durante a noite, após tudo, ela chore e se liberte e enfim esteja pronta, mas pronta já comigo, pra mim, enfim, ou então...”
— Pobre tolo, tendo que me aguentar aqui com esse vocabulário todo mal traduzido.
— Ah, querida, não se engane: é melhor assim.
(Poor fool ... dont make a fool of yourself, you’ll never get me)
— Está tarde, enfim... preciso ir, então.
— Não, querida, você precisa vir.
(I must GO... Not at all, honeydarling, you must come)