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sexta-feira, maio 11, 2012

Uma imagem.

Você se move como uma lagarta em minha cama, seus músculos glúteos contraem-se num vai-e-vem; sua barriga se enrijece, se tensifica… o beijo em nossas bocas se distribui pelo corpo inteiro, suas pernas se movem, suas coxas se roçam e sei que agora você já está molhada, quase pingando — mesmo —, que minha mão encontrará todo seu calor. Você estará pronta para mim.

terça-feira, abril 10, 2012

minha irmã.

ela chegou em casa e ela me disse
"que que cê tá olhando?
que que cê tá fazendo?"
e eu gritei pra ela:
"Nada!", "eu não tô fazendo nada!"

ela me persegue
ela me pune
às vezes acho que ela não tem coração
ou que ela acha que eu sou um brinquedinho

a gente mal conversa
ela já chega gritando
aí eu fecho a janela do navegador
coloco as calças
e eu grito pra ela:
"Nada!", "eu não tô fazendo nada!"

poxa vida
caralho
"eu não tô fazendo nada!"

não me olha assim que eu me sinto pivete

segunda-feira, outubro 31, 2011

trecho de uma longa carta, II.

"cara amiga,
mais do que eu esperava
tão perto, tão longe
por favor, me abrace"

quarta-feira, outubro 19, 2011

trecho de uma longa carta

"traçar o horizonte com os corpos
morte
maravilhosa
morte"

sábado, abril 30, 2011

Brincando de drama.

Rob entra em casa, vestindo sua roupa de trabalho. Encontra sua mulher, Clara, sentada numa poltrona ao lado de uma barraca montada na sala de estar. Ela segura um copo de conhaque em uma mão e parece dormitar.

ROB
Bebendo às quartas? Qual é a boa?

CLARA (coloca o copo no chão, levanta-se e vai animada até Rob, abraçando-o)
Você, de volta! Eu senti tanto a sua falta, sabe? Você está tão cheiroso...

Rob larga-se dela e senta-se na poltrona.

ROB
Que exagero! Fedido, você quer dizer. Se existe estar meio-morto, é assim que eu estou. (Olha para a barraca.) Seu dia parece ter sido divertido, no entanto.

CLARA (senta-se no colo dele)
Você não imagina como! Arrumava os armários quando achei nossa tendinha, lembra?

ROB
Sim, era bom, era muito bom. Eu vou tomar um banho, agora.

Clara inclina-se sobre ele e o beija na boca.

CLARA
Por que você não entra na nossa tendinha?


ROB
Ela está arejando, não está? Você sabe muito bem que tenho cá minhas alergias.


CLARA
Sim, com certeza, mas e eu? Eu montei a barraca mesmo assim, eu me sujei toda por você. Vê meus olhos vermelhos?


ROB
Sim, e a face inchada e essa boca quase explodindo. Se eu não conhecesse suas alergias, acharia que você passou a tarde inteira chorando. Mas hoje não é um bom dia para joguinhos em uma barraca.

Rob se levanta, forçando Clara a ficar de pé. Rob começa a ir em direção ao quarto.

CLARA
Não! Espere um pouco, temos visitas!


Rob vira-se para Clara.

ROB
Numa quarta-feira?


CLARA
Você sempre me disse que todo dia é dia quando nós o queremos bem. Hoje é um dia especial.

ROB
Sim, o dia em que se toma uísque, montam-se as barracas e chamam-se as visitas. Quem vem pra cá?


CLARA
Eu estava me sentindo muito sozinha à tarde, sabe? Você não estava aqui...

ROB
Costuma acontecer quando eu trabalho, como nas quartas-feiras...


CLARA
Mas você voltou pra mim, não é? Para nossa tendinha. Chegou tarde...

ROB
Estou enfiado até a cabeça nas reuniões com os chineses, não me encha por causa disso!

CLARA
Afunda-se até a cabeça...

ROB
Só quero um banho, conversamos depois, na cama, quentinhos e tudo mais.

Clara aperta seu corpo contra o de Rob, intensamente.

CLARA
Agora, na barraca.

ROB
E a visita? Ela não vem?


CLARA
Já veio. Ajudou-me com a barraca, sujou-se comigo, também.

ROB
Ela a ajudou.

CLARA
Como ela sempre lhe ajuda.


Rob larga suas coisas no chão e se senta novamente na poltrona, derrubando acidentalmente o copo com conhaque no chão. Ele apoia a cabeça entre as mãos.

ROB (
irritado)
Quem, Clara?


CLARA
Entre e veja! Você sabe, você é bom de entender as coisas, sempre percebe tudo bem antes de mim... Vai, entre!


ROB
Você não devia beber às quartas-feiras.


CLARA
Você nunca volta para casa às quartas. O que você faz às quartas?


ROB
Os chineses, Clara, eu já lhe disse! Os malditos chineses me tomam todas as noites.

CLARA
Você chegou cedo, onde estão os chineses? Talvez seus chineses estejam aqui, não é, na nossa tendinha?


ROB
Você delira, arre! Você mesma disse que  eu cheguei tarde! Arre, Clara, arre, deixe de maluquice e de conhaque, você parece um...

Clara pula novamente em seu colo, beijando seu pescoço.

CLARA
Você não está cheirando a reunião com os chineses! A reunião foi cancelada, não foi? Ela não respondeu suas mensagens e você veio direto para casa, pra mim, para a substituta. Mas eles também vieram pra cá, pra nossa reunião! Vamos, entre!

ROB
Entro, porque não há chinês algum, tudo bem, joguemos o seu jogo infantil!

Rob se levanta, retirando Clara rudemente de seu colo. Vai em direção à barraca.


CLARA
Se você entrar nessa barraca, é nosso fim.


Rob entra na barraca.

quarta-feira, abril 06, 2011

João Paulo Segundo.

P. Ah, escrever, escrever é viver, viver é escrever! Onde deito minha pena, os deleites deleitam e amamentam um mundo outro de posturas e possibilidades! Ah, mas quem vem aí?
J. Olá? Quem está à luz de velas?
P. (curvando-se sobre os papéis) Oh, parece-me que... João! Bom lhe ver aqui, amigo meu!
J. Ah, Paulo, que agradável surpresa. Que faz?
P. Não lhe interessa de verdade, coisas de um mundo outro.
J. É mesmo? Pois acabo de retornar de uma corrida no parque e mal sabe o que me aconteceu.
P. Não o sei, mesmo...
J. Pois...
P. Pois?
J. Pois que enquanto eu corria... Ora, conto-lhe, ainda que seu orgulho me esconda tudo! Estava eu correndo quando vi uma moça, veja bem, uma moça com as pernas de fora...
P. Fato bastante incomum nesses dias ensolarados.
J. Caída no chão, veja bem, as pernas descobertas pelo short e uma poça de sangue a seu lado!
P. E por quê?
J. Ora, me diga você! Por quê?
P. (desinclina-se de sobre os papéis, pondera com a caneta na mão) Oh, mundo, mundo, cruel mundo! Foi ela engolida por um automóvel?
J. Nada, nada!
P. Pois então que foi alvejada pela faca de um assaltante, ou, numa crise convulsa, caiu-se no chão, afetada pelos humores e amores de nosso tempo... Uma Werther de sua própria consciência, vertendo-lhe a alma o acesso nervoso súbito.
J. Lindo, lindo, porém falso, oh, muito falso!
P. Então o quê? Atiraram-lhe uma pedra, Madalena moderna sem Cristo a defendê-la?
J. Jesus que me livre, também não o foi.
P. Então o quê?
J. Que faz aí?
P. Eu?
J. Sim, você, ora, é claro!
P. Confabulo sobre a causa da queda da moça de shorts curtos, você bem o sabe.
J. E debaixo de seu braço, escondido o papel?... Escreve?
P. Ora, de que importa!
J. Tenho quase certeza que o ouvi louvando qualquer coisa. Passou a acreditar em Deus?
P. Sim, sempre acreditei com toda a força de meus cabelos.
J. Não use sua calvície como rota de fuga irônica! Escreve ou não escreve?
P. Escrevo.
J. Então bote aí, Paulo de Medeia, firule bem sua caligrafia: a moça dos shorts curtos não existe e você é um tolo.
P. (levanta-se, apontando a caneta ameaçadoramente para João) Quem, eu ou você?
J. Arre, reage rápido e infantil. Vá a merda, que vou ao mercado comprar queijo.
P. Passe bem, sofista!
J. Passe à merda, passe à merda!

terça-feira, abril 05, 2011

João Paulo.

J. O que é que você está fazendo aí?
P. Oh! Se eu lhe dissesse, se eu lhe dissesse...
J. O quê, mas o quê? O que esconde aí, debaixo dos braços, olhos desconfiados?
P. Meu amigo, meu companheiro, não posso lho dizer! Se o fizesse...
J. O que é, diga, diga!
P. Você já o pressente.
J. Não, o quê?
P. Se eu lhe dissesse...
J. Chega de se repetir, pelo amor de Deus.
P. Sim, concordo; por que quer saber?
J. Porque você esconde.
P. Por que eu escondo?
J. Como eu vou saber?
P. Vai saber.
J. Vou?
P. Vai, oh, claro que vai!
J. Então o quê? O que você está fazendo aí?
P. Por Deus, chega de se repetir!
J. Está vendo? É você! Você, que não quer me dar nada, só costura com as palavras.
P. Não costuro nada, como é cego.
J. Então...
P. Então?
J. Passar bem.
P. Passemos. Adeus!

segunda-feira, abril 04, 2011

sem título, abril de 2011.

níveis de realidade
corpo no caminho
abraços inevitáveis

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Preposterousity.

I won't lie to you: laying down here is more like lying than layering.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Arqueologia sentimental.

Hoje, sentei no chão e abri meu baú – pode parecer grande coisa, mas é só um negócio de plástico onde guardo Legos e bobagens de meu passado –, joguei as cartinhas todas no chão e fiquei mais ou menos feliz do nostalgismo do séc. XXI ter permitido que eu tivesse, de fato, algumas cartas na minha coleção de cartinhas sentimentais. Letras adolescentes de amigos adolescentes com problemas e paixões adolescentes – mais ou menos.

Tento fazer um levantamento por cima, sem abrir os envelopes ou desdobrar as cartas: 35% são de uma ex-namorada de que não gosto muito de me lembrar – mas os documentos precisam continuar vivos –; 20% acompanhavam presentes simbólicos de aniversário, provavelmente significaram alguma coisa quando os recebi, mas agora... o anacronismo devora quase todo sentimento posto no papel; recentemente adicionadas, 5% são cartas de ódio escritas por mim para um colega complicado com quem já discuti demais para que não fôssemos amigos – ele me deu uma caixa com tudo que eu havia escrito para ele, guardei-a sem coragem de ler meus xingamentos infantis na mesma caligrafia de hoje; talvez 35% de minha noiva, quando começamos tudo e ela me mandava seu amor codificado em todo tipo de animal bonitinho e florzinhas e cores fortes – dizendo assim, parece que os códigos pararam de valer; não, não.

Se minhas contas estiverem certas – certamente não estão, a margem de erro parece ser de mais ou menos 15% –, os 5% restantes são trocas amigáveis com outras pessoas chegadas à literatura, em que tentávamos, dançando as palavras, entender nossa amizade, nosso lugar no mundo, enfim, tentávamos dar função às nossas palavras. Exercícios de ficção na comunicação, provas de que podemos ser sinceros mentindo. Algo assim. Resolvi que devia começar minha autopesquisa por ali, afinal, era o que prometia uma leitura mais profunda e menos pessoal.

Exagero na introdução? Sim, acho que sim. Vou direto ao ponto, então, já que eu mesmo começo a ter dores de cabeça com o avançar da noite – ou da bebida. Não foi o primeiro envelope, mas foi um dos primeiros que averiguei. Simples, pardo, com algumas páginas de um dos textos mais honestos e bonitos que já li. Não sei direito o que houve entre nós (nada, na verdade, mas é aí que está o ponto), quase não nos falávamos, mas trocamos algumas cartas, e-mails e mensagens de celular – ai de mim, quebrando o anacronismo de minha própria história – que sempre me fizeram sentir próximo dela. Entendimentos por elipse, provavelmente o maior exercício de literatura cotidiana de minha vida.

Se paramos de nos ver, provavelmente foi porque as obrigações cotidianas (sei que repito a palavra, mas o cotidiano é assim mesmo) deixaram de existir, não havia mais escola ou faculdade que nos segurasse juntos. Se paramos de nos escrever, foi porque coisas assim acontecem, mesmo. Um dia, nos cansamos do livro.

... Sim, dispersei-me de novo, acho que é o conhaque, mesmo. Drummond disse uma vez que... Não, não, não é isso que quero citar. No meio de um monte de outras frases – que provavelmente não fariam sentido pra nenhum de vocês –, encontrei essa:

"aliás, eu sei que entre nós há muitos sins não realizados"

A verdade é que essa frase sempre me inquietou, claro, por aludir a tanta coisa em minha imaginação, ainda que parecesse uma promessa às avessas. O sim existiria se existisse a pergunta, mas ela não existiu e nem deverá existir – são as regras de nosso jogo. No entanto, percebi só agora há pouco um detalhe pequeno, que não altera o significado geral da frase mas adiciona uma provocação terrível que tem me perturbado um pouco. A caligrafia dela, usualmente vertical e correta – austera, digamos – inclinava-se na palavra sins. Na primeira leitura, provavelmente interpretei como uma espécie de entre-aspas, indicando que se tratava da palavra "sim" no plural. Mas o itálico... certamente era também um estrangeirismo, um anglicismo, que o valha.

"Sins" aos sins?  Era isso? Uma navalha, assim? Tão direto? Fui tão burro de ter deixado passar esse detalhe em uma carta de tantos anos atrás?

Se escrevi esta carta (que pode ser guardada em sua própria coleção, junto aos outros 5% que se disfarçam de literatura), é porque exijo explicações. Meu endereço é o mesmo, como pode ver no remetente.

Abraços,

sábado, julho 24, 2010

monólogo dos encontros infortuitos

a gente não sabe nunca nem pode saber o que se passa como funciona a cabeça das pessoas um dia ela o abraça e ele sorri mas talvez ela não goste de kant nem de skank e é possível que ela goste de outro jeito não como você porque ela e ele são dois e superfície e apertá-la junto e dizer que a ama pode existir só porque apertar junto é querer dizer amor mesmo que não haja amor é dizer porque o momento diz que deve ser dito mas só mas nada mais nada mas ou então o sorriso dela e tanta ternura em abraços a todos só que o que há nela o que há nele ela é vazia como uma abóbora ele se sente cheio como um toureiro cheio de si enquanto ela você é família enquanto ele é balada enquanto ela é balada enquanto numa noite é claro que eles se queiram um pouquinho mas o quê

terça-feira, fevereiro 16, 2010

autocon(strange)hecimento, 5:

Você diz que não gosta de meu autoconhecimento. É certo que pode haver duas (e mais) interpretações de sua afirmação, isto é:

- você, de fato, literalmente, não gosta de meu autoconhecimento, ou seja, o fato de eu conhecer minhas limitações e minhas potências e meus credos etc;

(contrargumento: é impossível afirmar isso, já que posso estar mentindo ou estar enganado; não me conheço muito bem e esta tentativa obviamente é a prova disso)

- você não gosta de minha série intitulada "autoconhecimento", provavelmente por parecer falsa ou por ser sinceramente constrangedora e assassina de qualquer forma de literatura.

(contrargumento:)

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Já é a décima terceira vez que escrevo a mesma coisa para você.

E o azar é o seu se posso escrever coisas para você como se escrevesse para um diário








..............................
.................................................................... Agora penso que talvez o melhor fosse enviar um e-mail para um e-mail aleatório....................















AZAR.

sua aposta não deu em nada, não sou nada, nada digno de orulho, nada digno de nada, nada de alvares penteado ou de... nem lembro mais o nome do cara. aluisio di olibveira. Ouro pRETO. aRRE, NÃO ME LEMBRO. pOIS BEM, NADA NDA NADA NADA NADA DE ESCRITO E PENSADO, NADA QUE MEREÇA QUALQUER ATENÇÃO NADA SÉRIO NAA ESCITO COM VERDADE EM MINHAS INTENÇÕES, NADA ESCRITO COM MENTIRA UBVEBTADA BI REAK BADA DE BADAM PE I FUN FUN ]]]]]]]]]]]]PE BADA, ESCREVI CIN A CABELÇA ECISTADA BI NPIVEKM SEN VER TECKA TECKADI BEN BADAM E I CYRUISI PE QYE AS CIUSAS FUCAN NYUTI OUIRES DE KER QYABDI CINLEI A OEBSAR D]BI QYE ESTIY FAKABDI E TEBTAR CIBTRIKAR NEYS NIVUNEBTISM CINI A]QYABDI NEBCUIBEU I ORPIORUI NPETIDI CIN QYE EY ESTAVA ESCREVEBDI, e I OEBSAR NISTRA I NIVUNEBTI OERDEBDI FIRLA IY GABGABDI CIN AS IBDAS DI OEBSAnebtim vibuti,




HAHAHAHA. MNÃO IMAGEINEI QUE ESTIVESSE ACONTECENDO ISSO. eNFIM, ESTAVA ESCREVENDO SEM OLHAR PARA TECLADO E TELA E CABEÇA APOIADA E ACABOU VIRANDO AQUILO.



,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, foda-se goda-se foda=-se foda=se fposae,lççççççççççççççççççççzsdllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllrk
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og
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Brasil, mostra sua cara.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

interlúdio: poema de despedida (a poem to let it go)

se o avião cair
ou eu morrer de intoxicação alimentar
deixo
para todos vocês
o mundo

vestido com um vestido rosa

if the plane falls
or i die intoxicated
i leave
to all of you
the world

wearing a pink dress

se o plano cair
ou eu morrer intoxicado
eu saio
para todos vocês
o mundo

vestindo um vestido rosa

if my plane fails
or if i die in toxic ate d
i'll leave
the world
to you

in a pink dress

se meu plano falhar
ou se eu morrer em toxic a do
eu deixarei
o mundo
por você

de vestido rosa

if my means to an end meet no expected end
or if a bad ending should i expect from poison
i am certainly letting
the world as a gift
to you

from a pink dress

se meus meios não tem o fim para o qual começaram
ou se o filme termina mal (foi envenenamento!)
é certeza que deixo ir
o mundo como presente
para: você

de: vestido rosa

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Sinta-me os brancos (compromisso, mallu magalhães [:)])

Num escritório, em alguma parte, no meio do oceano índico.............. eu deveria estar lendo e não escrevendo.






    Parlapatões, Lara, parlapatões.

                                            É a sua boca, filho da puta, é essa conaiada toda, arre...


                    e o discurso?        Não importa o discurso.
                                   e a leitura?                 não importa a leitura



Mas e seu posicionamento?                                            Em qualquer lugar,                tanto faz.



Arre! Por valor agregado eu quero dizer          o valor expressivo e informativo pelo qual o som enriquece uma dada imagem. . . . .........                                 de modo que proponho aos...............


                          Lara, assim não te entendem.
       Já faz tempo, você sabe, colocar             palavras               na minha boca não ajuda em nada.
                                                                                       Faz tempo acho que sou amorfa.


Leia que vai lhe fazer bem.
                                                                                          Seus   culhões que vão, seus    culhões.

domingo, novembro 08, 2009

sussurro aliterado de 24.10.08.

Eu vou beijar essa boca que me deixa feliz nas suas sensações, mas talvez falte algo que eu busco na heroína – não me culpe — e então seus beijos já não podem me deixar feliz de tanto cansaço, porque meus olhos estão ardendo demais para que o abraço funcione e suas bocas de cima e de baixo me recuperem da falta de você ou de mim, mesmo. Você pode se cansar de tanta causalidade, mas é por isso que eu sei que já não há jeito, não me basta mais você nem a vida, agora eu digo adeus e agora me mato como posso, entrego meu corpo ao ar, sem asas, não sei. Canto no canso, queria poder beijar as gotinhas que saem de seus olhos e me lambuzar desse sal amargo; não acho que seja mais o caso, talvez só agora, mas não mais. Jogo.

quinta-feira, setembro 10, 2009

sexta-feira, julho 24, 2009

Em três minutos, posso dizer isso tudo:

E então se há algo que é mais podre do que finalmente perceber uma coisa atrás do armário da cozinha e já com vários anos de idade... Digo, se há algo que possa se assemelhar a isso, é justamente o fato do problema grande não ser uma parte de mim, mas de você, de ser apenas pensamentos corridos sem grande ligação, ou um pedaço insistente de memória que vem novamente e o faz pensar e lembrar de todos os episódios que já passaram da vida de joan dark, desculpe a interrupção, mas a namorada de meu irmão, sabe, surgiu aqui e disse oi, enfim, riu um pouco de meu ofício, mas não importa, o que é é que o pão podre dentro do armário... digo, o pão que arde dentro de meu intestino, que me faz ver que pode haver erro em quaisquer escolhas, que qualquer escolha pode ser um engano, se bem que também existem enganos onde não há escolhas, no território certo das afirmações necessariamente erradas e berrantes, enfim, como num fluxo de consciência ou algo assim nesse nível de artifício literário feminino, absolutamente nada, literatura sobre absolutamente nada, absolutamente bazia, o absoluto necessariamente não pode ser, porque se é absoluto é álcool, é bebida, é freezer, skyy? não, nada, cerveja e só, e cerverja e rum e por aí vamos, sozinhos na frente de sua máquina de escrever que na verdade é um computador que na verdade é meu cerébro, meus dedos lépidamente rápidos e sem correção, coitados, totalmente criminosos e criminais e julgadores de algo, assim como você.

segunda-feira, junho 22, 2009

Stablishing shot.

A cidade de São Paulo, tão grandemente pouco densa, esparsamente esparramada por todo canto, forma a cabeça de um cachorro
O quarto mais bagunçado
Dentro do estômago, revoluções, revoltas e refluxos
No bairro de Perdizes faz uma noite calma.
A zona oeste ao centro de São Paulo é boa, é rica
Dentro da carteira, nenhuma moeda.
Brasil, país violentamente desigual em sua geografia, torto a direito, enfim
América Latina: tudo menos o Brasil
O estado de São Paulo cheira a PSDB
As meias no pé sujas, enfim, tão sujas quanto deviam estar, porque o universo é justo e se paga com o que se tem
O universo é justo e se paga com o que se tem
Sudeste: praonde o dinheiro vai, clima agradável
Já o hemisfério sul...
Livros em cima da cama, a namorada também
A rua lotada de ninguém, mas o preto quando visto de cima parece preencher.

E é tão engraçadinhozinho o que você faz doçurazura o que você faz o que você é pra mim
E você sabe doçurazura embora seja tão engraçadinhozinho que você é o mundo pra mim

sábado, junho 06, 2009

sábado às 23h30.

Seus olhos tão esperançosos que chega a ter certa graça que você não verbalize logo suas intenções que suas mãos redundam as minhas e bebemos juntos pela já nonagésima ou coisa assim vez, você que é meu querido amigo e eu, frágil moça agora sozinha sem seu amor de tanto tempo, um pouco mais que esse tempo em que nos conhecemos e nos tornamos amigos de confiança.


— E, de certa forma, personagens do Cortázar, ambos.

— Sim, literariamente, sim — essa sou eu falando, intercalaremos (que bonito que é isso: um diálogo é necessariamente inter-calar, quando um burro fala, o outro abaixa as orelhas).

— Acho isso lindo, che, podermos tomar uma num bar sem problemas, despreocupados, nós dois.

— Não lhe cai bem esse che, parece mais um gaúcho do que um porteño ou o que quer que você quisesse parecer; além do mais, acho que você usa nas horas erradas e só fala besteira.

— Pode ser que sim, mas pelo menos eu te faço companhia.


É irritante — não é irritante? — que você insista tanto em colocar na minha cara que só você está aqui comigo, que eu estaria totalmente sozinha se não fosse, mas... Suas vontades são absurdas, não há porque eu atendê-lo, aceitar os carinhos que você me oferece, a cama quente, o enfim-livre que você insinua; tão óbvio e tão difícil acreditar que você tem medo.


— Há motivo! — e brindamos — Nada melhor que gin tonic, non?

— Não há nada melhor, mesmo.


Enquanto isso, você pensa: “Ela está mal, dá pra perceber na pele dela, será que ela já está pronta? Ou então é o contrário, talvez justamente por não estar pronta eu possa ajudá-la, não sei, arre, me sinto um monstrinho pensando assim, como pode? Não há nada de errado, não meto chifres em ninguém e não pode ser que ela não sinta nada por mim, depois de tanto tempo... E, talvez, durante a noite, após tudo, ela chore e se liberte e enfim esteja pronta, mas pronta já comigo, pra mim, enfim, ou então...”


— Pobre tolo, tendo que me aguentar aqui com esse vocabulário todo mal traduzido.

— Ah, querida, não se engane: é melhor assim.


(Poor fool ... dont make a fool of yourself, you’ll never get me)


— Está tarde, enfim... preciso ir, então.

— Não, querida, você precisa vir.


(I must GO... Not at all, honeydarling, you must come)