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terça-feira, setembro 16, 2014

epitáfios, 3.

se existe um limite
(imaginando-se aqui um limite duro, imutável – UM CORTE)
eu já me sinto ultrapassado

quarta-feira, março 14, 2012

2012.

não tenho (mais) tempo para você
(mas) eu te amo

segunda-feira, junho 06, 2011

celular, quase às 3 da manhã:

Eu vou esquecer o toque do seu rosto, seus seios maravilhosos, o cheiro. Não há Literatura que os salvem.

quarta-feira, maio 18, 2011

Razões pelas quais adoro verdadeiramente o sexo.

Não vou dizer que é pelo amor, não vou dizer que é porque a natureza é bela, porque é aí que nos permitimos ser animais, ignorar a racionalidade, porque é daí que a vida vem. Essas porras nem são verdade de verdade. A verdade é que há algo no sexo que me atrai (o cheiro, o gosto, sua pele, seus calores?), talvez porque seja um abraço final, se feito com carinho; um aperto de mão perfeito, se feito às pressas – como um negócio –; o beijo mais molhado que se pode cumprir.


Sexo não se faz, cumpre-se.


Não há nada de superficial (mesmo suas peles são profundidade) no sexo.


Entendo as ressalvas políticas que se fazem em relação ao sexo. Como todo segredo universal, é mal entendido e praticado por muitos, talvez pelo véu que é posto sobre nós. Mas eu o entendo mais ou menos assim.


Desculpem pelo trote.

domingo, maio 08, 2011

uma linha.

um traço em todas as direções – de seus dedos a não-sei-mais-onde – sem a certeza de alcançar alguém, uma poética cotidiana que todos praticam… as palavras se dissipam em rede: multiplicação às cegas, divisão por zero? todos os oceanos são, hoje, letra.

daqui ao infinito (isto é: daqui a lugar algum).

segunda-feira, abril 04, 2011

sem título, abril de 2011.

níveis de realidade
corpo no caminho
abraços inevitáveis

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Pratos limpos.

Pratos limpos para novas refeições. Tanto tempo em silêncio é imperdoável. Sigamos em frente.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Em busca da verdade.

Fernando Marcos Ítalo, o FMI,



hahaha

terça-feira, agosto 17, 2010

mais noitinhas dispersas sobre (fazer) cinema (asofismos).

engenho do engano, sempre, mas da mentira que faz sentir bem e que talvez até ensine (faça sentir?) alguma coisa
numa equipe também necessária, se não em quantidade, em intenção de apoio
os atores um pouco de lado, um pouco de outro, mas sempre centro
num movimento malemole que tem alguma direção
ainda que frágil como todo conceito que não precisa ser definido pra sempre
não precisa ser decupado, mas pode
não precisa ser ensaiado, mas pode
não precisa ser financiado, mas pode

dogma da falta de dogmas? vazio.

segunda-feira, maio 24, 2010

Estágio bem-remunerado.

Procuro estagiários de bom humor e talento na escrita. Horário livre por 3 meses. Remuneração a combinar.

Obrigado,
Ricardo Miyada.
rmiyada@gmail.com

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Sinta-me os brancos (compromisso, mallu magalhães [:)])

Num escritório, em alguma parte, no meio do oceano índico.............. eu deveria estar lendo e não escrevendo.






    Parlapatões, Lara, parlapatões.

                                            É a sua boca, filho da puta, é essa conaiada toda, arre...


                    e o discurso?        Não importa o discurso.
                                   e a leitura?                 não importa a leitura



Mas e seu posicionamento?                                            Em qualquer lugar,                tanto faz.



Arre! Por valor agregado eu quero dizer          o valor expressivo e informativo pelo qual o som enriquece uma dada imagem. . . . .........                                 de modo que proponho aos...............


                          Lara, assim não te entendem.
       Já faz tempo, você sabe, colocar             palavras               na minha boca não ajuda em nada.
                                                                                       Faz tempo acho que sou amorfa.


Leia que vai lhe fazer bem.
                                                                                          Seus   culhões que vão, seus    culhões.

quarta-feira, novembro 18, 2009

domingo, setembro 06, 2009

Odeócio.

Falta tempo p'arte
a parte de mim a parte
q'foi e agora parte.

terça-feira, agosto 04, 2009

Recortes de um caderno de 07, 08 e 09 (parte i).

o caderno ainda vai achar seu ritmo e verdade. os devidos direitos devem ser dados a Ricardo Miyada e sua trupe de cavalos voadores.

Sujeira que foi maior, besteira num tom maior; ah o que há de mior, podê nunca está só.

Partiu, partiu e sorria abestado, talvez té um pouco mal-amado, não é que não soubesse viver... Por partiu pode-se pressupor passar dessa para outra, ou morrer, ou sumir para si próprio.

Torpor pouco, rouco...

Sorriam-se todos [...]

explorar: dia normal / de anormal; fala-fala (remete a 'falácia'); gajo caláctico.

I

Observara o gatinho durante a toda a manhã, receoso que de que per-dessederia algum movimento genial e inovador, algo como um "dois-pra cá, um-pra-lá" felinítico, um novo passo de dança da caça, O dia tava amarelo e se deixasse minha tocaia para lá. A tentativa de captura do pardal pelo filhote felino fora o único começo de decente praquele dia infernalmente quente e amarelo.


Depois, escrevi: miúdo de gato ousa tentar atacar pardalzim mas a a astúcia e a ferocidade apenas lúdicas, nada leônicas, de meu fiozim, não são páreo pra ignorância agilísssima do bichinho aseado, que num só bater de braços já fazia brincadeira começar tudo de novo, quase como se o passarinho também tivesse reindo de monte com os pulos e requebrados pretensiosos do caçador de mentirinha. o gatim fica mesmo deslizando de um lado pro outro, com as garrinhas de fora e o cansaço bem escondidinho praquela besta do pardalzim não perceber que tá danto um trabalhão enorme!

Não era bem isso que eu queria escrever, mas foi assim mesmo que tudo ocorrera e não tive outra culpa que não a de ser sincero. E, sinceramente, foi só essa merda só resume todo o meu ano passado inteiro, de forma que... Falemos Não sou eu.

Machado que se mate, mas falemos sobre outrem.

domingo, julho 05, 2009

I N C O M P R E E N S I V E L ?

"Você aponta para a minha cara e diz que ora bola, isso que você fez, assim, eu acho que eu não estou à altura para entender, e diz isso sem racionalizar que dizer isso é dizer que eu estou acima ou abaixo ou que eu acho que estou acima ou abaixo, e isso é uma ofensa um pouco pesada tanto a mim quanto a você, pois o que mais me irrita é justamente essa alegação de que algo não foi entendido — é falta de sinceridade, a meu ver, é tudo tão simples e aquoso que a impressão sempre é verdadeira, isto é, exprimo e algo imprime em você e isso é certo, não passam de imagens, de verbos, de colagem, de algo que não é bem dito e justamente por isso não pode ser bem lido, mas é sempre compreensão, simpreensão, até. Esse medo de dizer que algo é ruim ou é besta e, ao invés disso, dizer: mas eu não entendi, como que eu posso achar qualquer coisa. Falta pretensão para que se possa fruir, falta acreditar no que você acha que foi dito e talvez quebrar a cara, mas aí o texto, o filme, a novidade toda, enfim, passam a ser suas e você pode então dizer que não gostou disso ou daquilo, que qual ou tal coisa não são relevantes etc, e então eu poderei dizer

mas isso porque você não entendeu nada.

e, se você for esperto, perceberá que o estou acusando injustamente, embora talvez eu esteja certo, às vezes."

j-l.g.

segunda-feira, junho 01, 2009

Autocrítica 16.

R: Como assim?

R: Em que sentido?

R: Sim, você está certa, acredito que haja algum convencionalismo aí, mas... Conservadores? Não sei, acho que os casais são mais... utópicos, no sentido que não há lugar para eles e nem tempo, de verdade. Mas não acho que seja nada tão engessado, quer dizer, são sempre as mesmas pessoas, é sempre o mesmo casal, só que ele assume formas diferentes e não é preconceituoso.

R: ... que não existe. Não a considero preconceituosa porque são conceitos sobre algo que não está lá, que é também utópico. De certa forma, amo a ingenuidade de Lara, isso porque foi criada para ser amada [por mim].

R: Não sei. Se faço isso aqui é porque sim, não é? Ou melhor: estou sendo entrevistado e pronto, pra mim isso basta.

domingo, dezembro 21, 2008

A república dos cabaços!

Dia 20 de dezembro de 2008 me senti de-repente muito sozinho nesse mundo das artes-internéticas; não que não haja gente por cujo trabalho me interesso, só que era cada um no seu canto e as distâncias aqui são virtualmente infinitas.

Surgiu-me uma epifania e aí percebi que eu tinha a resposta. Ou podia ter, era só colocar a mão na massa.

Pois bem, dia 21 de dezembro (a madrugada pós-20 de dezembro), fiz algo por mim e pelo mundo. É um pequeno ato, mas talvez seja grandioso:

Um blogue que alcança todas as artes e que é um contingente infinito:

A república dos cabaços!

sexta-feira, novembro 07, 2008

Revisão (a hora do chá).

Uma hora a literatura foge do nosso poder e então se torna um mundo por si só
[você pode escolher o estilo entre prosapoesiabomruiminteressanteintelectualconcretosimbóliconostradamusjoaquimdefreitas], e então você pode largar o livro ou segurá-lo ainda mais forte: o poder das frases feitas - ainda assim, pode parecer que não, mas só há um outro texto em toda a Internet (ao menos a parte atingida pelo Google) com a sentença "o poder das frases feitas".

Rebeca e Gustavo compartilhavam do bom sentimento que é olhar os olhos com os olhos: é aí que começa a confiança, é aí que se pode transar sem nenhum tipo de medo.
"Olho nos seus olhos e não noto sua barriga seus peitos pequenos as leves estrias de crescimento nas suas costas a celulite da bunda os pêlos em volta de seu cu seu gozo falseado."

Há 53 posts neste blog que contêm a palavra então em seu corpo. 54 com este. Isso diz bastante sobre o autor e sua noção de movimento, tempo e causalidade. A palavra átimo só aparece em 2 outros textos. Amor em 20. Há 9 em que amor e então coincidem. Amor e morte, 3. É a primeira vez que Rebeca e Gustavo aparecem; Carlos, em 11, Clara, em 4: se juntam em apenas 1. Só uma chance.

Era a primeira vez do casal, a primeira vez de cada um, e Gustavo olhava Rebeca nos olhos com os olhos, ele sabia que ela estava chorando e corando um pouco, ele gostava dela o bastante para segurá-la contra seu peito e esperar pacientemente pela calma. Seu cabelo cheirava bem - também, recém-lavado assim - e a toalha enrolada no corpo dela era tão macia quanto o corpo por baixo. Os fios negros molhavam o ombro esquerdo de Gustavo, que descia a mão pelo comecinho das costas (o de cima) dela e segurava sua cintura contra a dele.

O artifício de usar você como objeto da narrativa é relativamente recente, não vou apontar meu primeiro texto a usá-lo, porque foram vários e aos poucos. É uma forma de aumentar a capacidade de identificação das pessoas, de forçar a conjugação dos leitores, seja com o narrador, seja com o suposto receptor.

Rebeca não gostava de Gustavo.
Tentava se convencer disso, mas o cheiro do ombro dele era tão bom e familiar, tão suor e tão humano, enquanto ela fedia a sabonete e a água quente, a banho tomado numa tarde abafada. Se ela aceitasse tudo que ele oferecia a ela, certamente mudaria de cheiro, imundiciaria de Gustavo. E, ainda por cima, os olhos dele eram lindos.

Você pode sentir o autor por trás de tudo, semprissempre, não pode? O estilo é claro, posso mascará-lo de tantastantas formas, mas um leitor é sempre um leitor e sabe que eu não vou decepcioná-lo: pontualmente, intercalarei minhas anotações com a história que escrevo; não gosto de confundi-los, Rebeca e Gustavo.

Os dois se entreolharam, ela já não chorava e ele reconhecia algum tipo de beleza que desconhecia naquele rosto, aquela cara de cavalo dos olhos redondos e pretos, do cabelo preto, da sombra preta, da pele clara, ao contrário do moreno de seus próprios braços, de seus músculos adolescentes. Durante quanto tempo quisera beijá-la? Nem tanto. Ainda assim, naquele momento, ele queria jogá-la na cama e lamber seu rosto e sorrir tocando seu nariz com seu nariz, amar muito numa explosão de...

Carlos e Clara estavam sentados num banco de uma praça. Ela tentava explicar-lhe que possuía um namorado, que o esperava, que não queria conversa com nenhum estranho nesse meio-tempo, que estava lendo um bom livro, que odiava gente vindo pra cima dela, que odiava urubus, que odiava gaviões, que odiava todo tipo de animal que mata ou come, que era vegetariana convicta. Então Carlos convidou-a para o Gopala Prasada, ela o olhou decima abaixo e notou que era bonito, mais bonito que seu namorado, e que tinha boa dicção e que se vestia bem, que tinha mais ou menos a mesma idade que ela, que sorria, tinha cabelos muito bonitos; mas foram seus Olhos que a conquistaram em um só átimo: olho no olho no olho no olho. Era amor, era a morte.

Rebeca deixou a toalha soltar-se das costas, Gustavo começou a acariciá-la também ali, Rebeca virou a face para o outro lado, Gustavo fez com que ela virasse todo o corpo, Rebeca obedeceu, Gustavo retirou a toalha lentamente com as mãos, Rebeca estremeceu, Gustavo viu a toalha caindo no chão - deslizou menos suave do que havia imaginado - e passou a mão pela lateral do corpo dela, Rebeca estremeceu, Gustavo pegou-a com firmeza na cintura e tentou empurrá-la levemente para a frente, Rebeca disse que Daquele jeito não, Gustavo largou as mãos, confuso, Rebeca virou-se novamente para ele e sorriu, desajeitada, Gustavo olhou-a nos olhos, Rebeca puxou-o pela cintura, Gustavo caiu em cima dela, Rebeca caiu na cama.

Eu imagino que as pessoas não me entendam direito. Não sei o que as pessoas sentem quando leem meus textos, sei que algumas podem ter a impressão que escrevo para elas, e é verdade. Sempre escrevo para vocês, e aqui uso o artifício novamente. Todos vocês ou todas vocês? É fundamental que o autor consiga ser todas as personagens e que ele consiga escrever. A tarefa criativa é ingrata, no sentido que é provável que já tenham escrito e dito o que você pretendia de forma muito mais eficaz. Não sei se a eficácia é importante para o que pretendemos.

Ele sentiu frio e contraiu os músculos, ou vice-versa, e ela sentiu calor e contraiu os músculos e continou com calor quando o abraçou, um pouco assustada, depois de tudo. Ele retribuiu o abraço, um pouco desanimado, enquanto ela lhe dava um beijinho no peito, Rebeca disse que o amava muito e ele fez que sim com a cabeça. Gustavo estava vazio e não olhava para nada; embora não soubesse, estava feliz.

"may i feel said he/(i'll squeal said she/just once said he)/it's fun said she
(may i touch said he/how much said she/a lot said he)/why not said she
(let's go said he/not too far said she/what's too far said he/where you are said she)
may i stay said he/(which way said she/like this said he/if you kiss said she
may i move said he/is it love said she)/if you're willing said he/(but you're killing said she
but it's life said he/but your wife said she/now said he)/ow said she
(tiptop said he/don't stop said she/oh no said he)/go slow said she
(cccome?said he/ummm said she)/you're divine!said he/(you are Mine said she)"


domingo, outubro 19, 2008

ELEVADO A TRÊS: O ROMANCE.

Não é um romance, não sei mais quanto vale pra mim ou pra qualquer outra pessoa, mas hoje resolvi hospedar o que tenho do "livro" Elevado a Três, que deu título ao blogue e que estive escrevendo lá em meados de 2005.

Espero que as referências fiquem claras, que a falta de revisão seja um charme e que minha juventude radiante deixe todos vocês muito bonitinhos e alegres.

Ça va!

ELEVADO A TRÊS