Domingo, Julho 05, 2009

I N C O M P R E E N S I V E L ?

"Você aponta para a minha cara e diz que ora bola, isso que você fez, assim, eu acho que eu não estou à altura para entender, e diz isso sem racionalizar que dizer isso é dizer que eu estou acima ou abaixo ou que eu acho que estou acima ou abaixo, e isso é uma ofensa um pouco pesada tanto a mim quanto a você, pois o que mais me irrita é justamente essa alegação de que algo não foi entendido — é falta de sinceridade, a meu ver, é tudo tão simples e aquoso que a impressão sempre é verdadeira, isto é, exprimo e algo imprime em você e isso é certo, não passa de imagens, de verbos, de colagem, de algo que não é bem dito e justamente por isso não pode ser bem lido, mas é sempre compreensão, simpreensão, até. Esse medo de dizer que algo é ruim ou é besta e, ao invés disso, diser: mas eu não entendi, como que eu posso achar qualquer coisa. Falta pretensão para que se possa fruir, falta acreditar no que você acha que foi dito e talvez quebrar a cara, mas aí o texto, o filme, a novidade toda, enfim, passam a ser suas e você pode então dizer que não gostou disso ou daquilo, que qual ou tal coisa não são relevantes etc, e então eu poderei dizer

mas isso porque você não entendeu nada.

e, se você for esperto, perceberá que o estou acusando injustamente, embora talvez eu esteja certo, às vezes."

j-l.g.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Um recado que se pretendia despretensioso.

"Uma noite, percebi que não jogávamos tênis, mas sim uma variação de bocha em que as bolas maiores éramos nós mesmos e a bolinha pequena era a felicidade, o casamento, todos os sonhos cultivados no esterco que era a terra batida que fazia o piso, a ambiguidade da parede de madeira (o fim, mas a possibilidade de retornar e se aproximar ainda mais da bolinha pequena), o objetivo um pouco cruel de ficar mais perto de nossos ideais do que nossos colegas, amigos; enfim, competidores".

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Stablishing shot.

A cidade de São Paulo, tão grandemente pouco densa, esparsamente esparramada por todo canto, forma a cabeça de um cachorro
O quarto mais bagunçado
Dentro do estômago, revoluções, revoltas e refluxos
No bairro de Perdizes faz uma noite calma.
A zona oeste ao centro de São Paulo é boa, é rica
Dentro da carteira, nenhuma moeda.
Brasil, país violentamente desigual em sua geografia, torto a direito, enfim
América Latina: tudo menos o Brasil
O estado de São Paulo cheira a PSDB
As meias no pé sujas, enfim, tão sujas quanto deviam estar, porque o universo é justo e se paga com o que se tem
O universo é justo e se paga com o que se tem
Sudeste: praonde o dinheiro vai, clima agradável
Já o hemisfério sul...
Livros em cima da cama, a namorada também
A rua lotada de ninguém, mas o preto quando visto de cima parece preencher.

E é tão engraçadinhozinho o que você faz doçurazura o que você faz o que você é pra mim
E você sabe doçurazura embora seja tão engraçadinhozinho que você é o mundo pra mim

Sábado, Junho 06, 2009

sábado às 23h30.

Seus olhos tão esperançosos que chega a ter certa graça que você não verbalize logo suas intenções que suas mãos redundam as minhas e bebemos juntos pela já nonagésima ou coisa assim vez, você que é meu querido amigo e eu, frágil moça agora sozinha sem seu amor de tanto tempo, um pouco mais que esse tempo em que nos conhecemos e nos tornamos amigos de confiança.


— E, de certa forma, personagens do Cortázar, ambos.

— Sim, literariamente, sim — essa sou eu falando, intercalaremos (que bonito que é isso: um diálogo é necessariamente inter-calar, quando um burro fala, o outro abaixa as orelhas).

— Acho isso lindo, che, podermos tomar uma num bar sem problemas, despreocupados, nós dois.

— Não lhe cai bem esse che, parece mais um gaúcho do que um porteño ou o que quer que você quisesse parecer; além do mais, acho que você usa nas horas erradas e só fala besteira.

— Pode ser que sim, mas pelo menos eu te faço companhia.


É irritante — não é irritante? — que você insista tanto em colocar na minha cara que só você está aqui comigo, que eu estaria totalmente sozinha se não fosse, mas... Suas vontades são absurdas, não há porque eu atendê-lo, aceitar os carinhos que você me oferece, a cama quente, o enfim-livre que você insinua; tão óbvio e tão difícil acreditar que você tem medo.


— Há motivo! — e brindamos — Nada melhor que gin tonic, non?

— Não há nada melhor, mesmo.


Enquanto isso, você pensa: “Ela está mal, dá pra perceber na pele dela, será que ela já está pronta? Ou então é o contrário, talvez justamente por não estar pronta eu possa ajudá-la, não sei, arre, me sinto um monstrinho pensando assim, como pode? Não há nada de errado, não meto chifres em ninguém e não pode ser que ela não sinta nada por mim, depois de tanto tempo... E, talvez, durante a noite, após tudo, ela chore e se liberte e enfim esteja pronta, mas pronta já comigo, pra mim, enfim, ou então...”


— Pobre tolo, tendo que me aguentar aqui com esse vocabulário todo mal traduzido.

— Ah, querida, não se engane: é melhor assim.


(Poor fool ... dont make a fool of yourself, you’ll never get me)


— Está tarde, enfim... preciso ir, então.

— Não, querida, você precisa vir.


(I must GO... Not at all, honeydarling, you must come)

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Autocrítica 16.

R: Como assim?

R: Em que sentido?

R: Sim, você está certa, acredito que haja algum convencionalismo aí, mas... Conservadores? Não sei, acho que os casais são mais... utópicos, no sentido que não há lugar para eles e nem tempo, de verdade. Mas não acho que seja nada tão engessado, quer dizer, são sempre as mesmas pessoas, é sempre o mesmo casal, só que ele assume formas diferentes e não é preconceituoso.

R: ... que não existe. Não a considero preconceituosa porque são conceitos sobre algo que não está lá, que é também utópico. De certa forma, amo a ingenuidade de Lara, isso porque foi criada para ser amada [por mim].

R: Não sei. Se faço isso aqui é porque sim, não é? Ou melhor: estou sendo entrevistado e pronto, pra mim isso basta.

Sábado, Maio 16, 2009

É a sua vez de servir o café.

— Que que cê tá fazendo aí?

Ele olha para ela um pouco como que desentendido.

— Eu... ué, é exatamente o que parece. Tô escrevendo.

Ela sorri toda preguiçosa para ele, se arrasta até a pontinha da cama, até do lado do chão, onde ele está encurvado em torno d’uma cadernetinha .

— Acho que você não devia misturar trabalho com...igo.

Ele olha de esguelha para ela, ora, ora.

— Não é trabalho…

Ela bagunça um pouco mais o cabelo dele.

— É um diário? Você escreve sobre mim?

Ele descosta a caneta do papel, coloca o papel de lado. Olha-lhe um pouco ofendido.

— Não. É só… lazer, enfim. Escrevo sobre nada, mas é normal fazer assim.

Ela pende a cabeça cama abaixo, (mas só um pouquinho).

— E você acha gostoso? Posso experimentar?

Ele solta um pouco de ar, Por que não?, troca a página e entrega caneta e caderno, Talvez seja divertido.

— Ah, não, não é justo, vou escrever na mesma página que você e pronto.

Ela sorriu largamente, afinal, e pôs-se a escrever.

“existe coisa mais bonita do que acordar e ainda estar junto, de conhecer enfim como a outra pessoa é ao amanhecer, se ela se veste ou não, se ela prepara café-da-manhã ou se senta no chão e coloca-se a escrever, se ela é apenas uma mulher e apenas mais um pouco de sexo, ou então, talvez, ela seja muito mais inteligente do que pareceu ontem à noite, enquanto você a comia e provavelmente pensava que ela era só mais uma dessas, quando, na verdade, pode ser que ela realmente quisesse transar com você e gostasse muito de você e percebesse que, de manhã, você escreveria ainda antes dum banho, antes até de me acordar de alguma forma e dar os últimos beijos.”

Quantas línguas um homem deve conhecer para ser verdadeiramente?

Luz estrobofóbica, coisa assim,
os pèzinhos no chão
suingue besta
mão pra baixo
pro ar
pro cabelo
dela
(delas
pra um copo
de alguma coisa)
e uma calmitude grande
:)...
luz estrobonada, luz comprimida,
trem-bala velocidade-luz
na boca pros pés
mão pra baixo
cabeça
cima
cintura-costasbunda, você
(vocês)
:D!

420.

Domingo, Maio 10, 2009

fábula 07.

fábula 07 - histórias escritas sobre algo algum dia

Os títulos costumam ser substantivos (escrito por pura necessidade).

Naturalmente, não existe nada mais feio do que o corpo de uma mulher... necessariamente esburacado, essencialmente furos, ou seja... não entendo muito bem como conseguem fazer fotos tão lindas a partir de algo tão feio.

Buracos são, para mim, vazios, que sugam pela força da Lei de Murphy... ou de algum adendo dela.

...Sempre começo a escrever com uma ideia na cabeça... e ela se perde... sempre...

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Futuro brilhante para a juventude iminente!

Cê vive de quê?

De lei Rouanet.

De fazer de trouxa?

Ah, mas que poxa;
de roubá os rico
pra dá pra us pobre
coitado que assiste
cinema de nobre.

Domingo, Maio 03, 2009

Parece que já é maio e estamos com o cronograma atrasado.

Quando ele percebeu que batiam palmas ao ritmo da música, calou-se como se calam os ofendidos, fechou os olhos para baixo, segurou a guitarra con fuerza e quis arremessá-la contra o povo. Não era esse tipo de envolvimento que ele esperava das pessoas, a música não devia ser algo assim intrometida pelos outros.

Quando eu percebi que batiam palmas ao ritmo da música, entrei no jogo, também, afinal de contas, não é mesmo?

Quando percebemos que ele não cantava mais, começamos nós a cantar, certos de que ele dava espaço para o público participar do show, que ele estava feliz com isso.

Quando ela percebeu o que acontecia com o heartburn dele, decepcionou-se com a falta de visão e prepotência e sabe mais o quê. Para ela, era lógico que rock (ou o que quer que fosse que ele tocava, h0je em dia...) era para ser apreciado por pessoas e que era natural que elas se sentissem envolvidas.

Eu, particularmente, não consigo me animar muito com isso de dançar e pular. Bater palmas, cantar refrão, bater cabeça, não sei, presume muita noção musical que eu não tenho.

Ele, particularmente, gosta de música.

Ela, particularmente, gosta dele.

Nós, particularmente, não temos ideia do que está acontecendo e pulamos já pela vigésima hora consecutiva.

Ele, particularmente, é um chato que está indo pra casa.

O show goes on, porque music is my radar.

Sexta-feira, Abril 10, 2009

Bum-bum-bum ele tinha a doença menos contagiosa que existe.

Grande erro da evolução, seu vírus não passava por ar, terra, órgãos, beijo na boca, filhos alienígenas ou qualquer quantidade de distância entre pessoas e animais e enfim; não havia medicina pois é estatística e não existe estatística de uma só pessoa, então o que havia eram especulações em cima de especulações, algo como "deve ser coisa da alma e não do corpo" ou "é o castigo divino", não sei, não conheço muito bem essa história - ou então eu não me lembro, porque também tenho cá minha doença degenerativa, íntima, destruindo meus neurônios e tudo de interessante, essa que é chamada vida e é altamente transmissível por ar, terra, órgãos, beijo na boca e filhos alienígenas.

A doença dele, no entanto, não é tão indiferente da minha: ele era imortal, e isso fazia dele a pessoa mais famosa do mundo, porque algum dia a imprensa o descobriu e fez uma matéria com fotos e registros dele desde quando se tem registro e começaram a tentar prendê-lo numa prisão (os fatos não se sucederam bem assim, mas é como se fosse) e ele foi obrigado a matar muito para fugir, a destruir a parede e tudo com seu corpo imortal, com sua paciência imortal, com seu corpo sempre jovem - dizem que as células dele se multiplicavam apenas diante de danos, que elas não tinham gerações, que pareciam todas vindas de uma mesma célula original e todas igualmente novas, apesar dele aparentar uns bons 13 anos etc chega de cientificismo.

Ele foi preso porque queriam saber tudo o que queriam saber e ele não dava culhões para aquilo tudo (e se lembrava muito mal, também) e porque ele sentia que o papel dele não era esse. Ele não tinha a menor ideia de seu papel, isto é, e não havia tentado se matar ainda porque tinha plena consciência de que isso seria impossível e idiota. Já haviam tentado convencê-lo de que era deus ou diabo, já haviam feito de tudo para ele, enquanto que ele só queria... O quê?

Domingo, Abril 05, 2009

MENTIROSO É QUEM MORRE (um pouco de literatura, então).

Era óbvio que aconteceria, afinal de contas era o espaço dele e não o meu, aquele corredor todo dia recebia seus pés e os meus — ao menos eu tentava — sempre o evitavam. Esqueci, não me preparei... dei de cara.

Ao que me consta, era ele que dizia que nada havia acontecido entre nós, o que são um ano e meio? (o que é um ano e meio.), como ele poderia ter me traído se nós nunca Nem me conhecia direito, eu só fui um caso (eu fui o caso) e agora, há quanto tempo, não é mesmo (não é mesmo)?

Ele olhou pra mim, não é?, e havia nada em seus olhos, porque, acho que ele se assustou um pouco, mas eu, não estava preparada, eu achava que não seria nada, porque, afinal de contas, aquele corredor todo dia, e ele dizia que não, antes, e há tanto tempo sem nada, afinal, ao que me consta, ele que me evitava — ao menos eu tentava — era óbvio que aconteceria, seus pés e os meus, eu não fiz nada, eu apenas, eu achava, não seria nada pra mim, porque não havia mais raiva, amor, paixão, ódio, saudade, beijos, e nada.

Matar, matar, matar... ou uma taça de sorvete (se ao menos eu pudesse).

Sábado, Abril 04, 2009

Autobiografia 11.

Acordei bem, apesar de tudo.
O dia está bonito, à revelia.
Eu penso que existo.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Autobiografia 10.

Uma coisa que está me deixando triste é que a autobiografia não está saindo nada como possível ou previsto, porque as outras pessoas me deixam na mão... É quase como se fosse necessário que eu tomasse as rédeas e escrevesse minha própria autobiografia, ao invés de sentar e esperar as coisas se saindo. Se saindo.

Um teste de elenco é irritantemente sem noção, irritantemente difícil para o ator, irritantemente impossível de se levar, me sinto mal. Tratar com atores é irritante, porque é necessário se impor como pessoa sobre pessoa.

Sexta-feira, Março 20, 2009

Autobiografia 9.

PORRA!!

Quinta-feira, Março 19, 2009

Autobiografia 8.

Houve uma vez na minha vida uma pessoa que... certamente não foi um acontecimento, mas algo mais como um evento ou uma passagem, se preferirem. A gente se conheceu como qualquer criança pode se conhecer nesses dias descuidados de hoje, conversamos, ficamos amigos. Ou até mais que isso, eu acho – ou achava, hoje eu certamente não diria isso, mas ça va. Tinha alguma coisa de bonito (pueril, certamente) naquela cumplicidade afetiva sem toques ou mesmo vistas que a gente tinha. Éramos, na nossa cabeça, namorados. Mas ela ficava longe, isso costuma ser um problema, mesmo que algum possa pensar que não e passar a vida provando - mas é e pronto. A distância, a telegamia como eu chamo, ela tem a capacidade de crescer exponencialmente e então... Eu não sei bem se por isso, ou se por um segundo que me fez pensar naquilo tudo e no ridículo daquilo tudo e, bem, acabamos, por assim dizer. Porque eu fiquei mais longe que simplesmente longe, longe dela mais do que da cidade dela, e alguém podia dizer que continuamos amigos, acho que não é mentir. Não que seja mais fácil, mas pelo menos (super)funciona. É só que andou chovendo bastante e, não sei porque, sempre que chove eu fico pensando se podia ser diferente e vejo que não.

Domingo, Março 15, 2009

Autobiografia 7.

A primeira menina que eu gostei foram muitas, ao que me parece (ou minha memória faz crer); gostava delas com os olhos, mas demorou para achar alguma que também servisse à minha cabeça ou à minha boca ou, até, aos meus dedos.

Me lembro claramente das Pessoas falando que eu gostava de Débora, mas era mentira delas, nunca havia me passado pela cabeça algo sequer próximo disso. Também, quando me interessei verdadeiramente por alguém mais objetivamente, nunca suspeitaram de mim e nem era um gostar fofo como alguém pode imaginar. Era só que ela era bonita e não era uma pessoa terrível.

Havia muitas pessoas que me davam certo nojo naquela escola. Foi lá que aprendi a ser arrogante, foi lá que aprendi algo de ironia e de sarcasmo, foi lá que aprendi a vingança velada. Também aprendi a desprezar professores.

Havia amigos, certamente, já que, aparentemente, o excesso de dinheiro faz menos mal aos homens que às mulheres. Hoje, ainda que possua grande estima por alguns (ou algum) deles, sinto muita dificuldade de me relacionar com eles: não há vocabulário comum, não há objetivos comuns, a federal acabou terminando de me transformar ainda em outra coisa.

Sábado, Março 14, 2009

Autobiografia 6.

Por que Cinema e não Literatura?

Satisfação do olhar, um realismo pessoal descoberto nos atores. Isto é, a noção de metaverdade ainda mais pura.

(por que uma autobiografia e não uma autocrítica? que diferença pode haver entre uma confissão sobre mim e uma confissão sobre o que faço ou quero dizer?)

Reitero: o que tenho buscado na Literatura já há algum tempo é uma reapreensão da realidade, existente ou não, e, por isso mesmo, a criação de algo totalmente único, pessoal e verdadeiro. A noção de mentira invertida para si mesmo, isto é, um contar que é, por excelência, falso, mas que se torna verdadeiro em sua leitura. A necessidade de uma certa (vero)semelhança construída com a realidade se mostra no clímax deslocado, na subjetivação da narrativa, no fantástico banalizado.

Por que Cinema?

Quando pensei em entrar em Audiovisual, minha noção de Cinema era que era uma arte do paresser, da mentira construída ainda mais forte, pois fundada numa representação do real.

(por que cinema?)

A desconfiança no discurso das palavras aplicada também à imagem, também ao som (por que o som?), também às pessoas todas que estão lá à frente da câmera, atrás. Mais um vocabulário, mais uma falsa sintaxe, mas discórdia e teorias. Uma arte essencialmente moderna, contemporânea à prosa e poesia moderna e, ainda assim, tão distante.

(por que cinema? o que fazer pelo cinema?)

Enfim, uma espécie de amor.

(fauxe bequener)

Quinta-feira, Março 12, 2009

Autobiografia 5.

Me declaro um voyeur por excelência, id est, o olhar tem importância grande (demais) para mim. Vontades mil focalizadas em um glimpse et, voalá, mais uma pessoa capturada pelo meu olho-estável.

Além disso, é notável minha capacidade digressiva ou, apenas, não-direta-ao-ponto, porque muitas vezes o ponto é indizível ou inexistente, e então me sinto navegando por assuntos que não interessam, ou que são um pouco menos. Também sinto dificuldade em falar com pessoas sem nenhum tipo de afinidade gostística comigo, talvez com todos seja assim.

Eu costumo maltratar pessoas que eu tenho impressão que não pensam suficiente sobre si ou sobre o mundo ou sobre qualquer coisa. Às vezes é puro sadismo, noutras, quero tentar contaminar a pessoa com esse sentimento ruim que eu tenho aqui, que se chama dúvida.

Hiperbólico.

Agora, ligo pra Camila.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Autobiografia 4.

ESCREVO ISTO na aula de documentário. Olá, metalinguagem! Olá, diário! Ufa, acabei de ir fazer xixi, 3 das 4 cabines estavam "ocupadas" e havia um cheirinho de cocô bonito e um barulho de jornal. Agora (ou seja, em algum ponto do passado) estou entre, sentado, Renata e Henrique. A primeira me é uma incógnita, o segundo sleeps soundly, eu escrevo e pronto.

Discutimos o método de escolha de seminário, algo arbitrário e similar a um jogo de regras pouco expostas ou um pouco confuso ou tudo isso. Que besteira, vamos ao filme de hoje, sobre armênios massacrados _ "NÓS", exatamente como foi feito-chamado o romance distópico inaugural. CLOSES X PLANOS GERAIS _ Pelechian.

Segunda-feira, Março 09, 2009

Autobiografia 3.

Um pouco entediado tentando achar o que escrever hoje... Tantos momentos importantes... Por exemplo: Assisti a WindowWaterBabyMoving com a música tell me e nobody das wonder girls... no fundo... e falta pouco pro dia acabar... Mas agora... Amanhã já é outro dia... Amanhã....

Domingo, Março 08, 2009

Autobiografia 2.

RICARDO:
No fim das contas, você nem me deu um pedaço do pão com Nutella.
LILA:
Eu dei sim!!
RICARDO:
Não deu.
LILA:
Um pedaço de pão...
RICARDO:
Não...
LILA:
Uma bisnaguinha!
RICARDO:
Você não me deu uma bisnaguinha!
LILA:
Eu te dei uma mordida! E do meio, ainda.
RICARDO:
Não-deu-não!
LILA:
Caramba, eu não tô brincando! Eu dei sim, pode ir ver lá no pote de Nutella!
RICARDO:
Você pode até ter comido, mas você não me deu!
LILA:
Eu dei, sim!!
RICARDO:
Você acha que eu não ia lembrar?
LILA:
Eu te dei Nutella, caramba, para de brincar!
RICARDO:
Ué, por que você tá brava?
LILA:
Eu te dei e você fica falando que não...
RICARDO:
Pra mim, você não deu.

Sábado, Março 07, 2009

Autobiografia 1.

Então estou no ponto de ônibus e leio um livro do Aumont e leio um livro do Aumont — mais precisamente, releio uma frase para tentar entendê-la — retê-la —, quando uma mulher vestida como se vai à Paulista se desculpou por interromper minha leitura e me ofereceu um folheto colorido com algumas figuras e blocos de texto grandes e brancos. Havia uma tartaruga e um jaguar, o fundo era laranja e ela disse algo como que era para eu o ler depois, disse sobre sua empresa ou não sei bem, e eu compreendi que o que ela queria mesmo era me ensinar a ler, quem sabe, 200 páginas por segundo.

Eu disse não, obrigado, obviamente fui ríspido, ela me perguntou se eu gostava de ler, eu disse eu gosto, mas acho que ela entendeu não gosto, ao que ela me disse que tinha achado que eu gostava, mas as aparências..., então eu disse E U G O S T O, só que ela já se distanciava e voltava ao homem que a acompanhava.

Moral da história: não se ensina a um homem apaixonado por sexo a gozar mais rápido.

Quarta-feira, Março 04, 2009

Knowing Hochhäusler 2/2.

1.
O cinema é uma máquina de criar realidades, no sentido que o real é determinado pelas histórias, que o relato cria realidade. Assim, metonimicamente, o cinema é realidade - ou, se formos mais ambiciosos, a realidade é cinema.

2.
O roteiro critica a realidade.
A filmagem critica o roteiro.
A edição critica a filmagem.
Ou seja: o próprio processo de produção de um filme deve ser dialético, ou, se aproximando dos conceitos de Eisenstein, deve ser uma montagem de atrações.

3.
Um filme deve ser suficientemente aberto para necessitar do máximo de trabalho por parte de seus espectadores, ou seja, os espectadores devem ser ativos, ou seja, o filme é construído na cabeça das pessoas e nunca independe delas. No entanto, um filme aberto demais (não) permite qualquer leitura e, portanto, não diz nada. Gandhi nunca afirmou isso, mas seria engraçado se o fizesse.