hoje eu sinto
como se como se como se como se
um pouco comovida
pelo pelo pelo pelo
cheiro do seu
cabelo
mas também não é nada demais
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segunda-feira, agosto 02, 2010
quarta-feira, março 17, 2010
cansei de olhar para o sol e só ver o vermelho de minhas pálpebras
arrogante, sim
pequena, sim
bonita, sim
todos itens pra explosão
mas não há explosão
mas não há explosão
mas não há em plutão
nós não somos nada
domingo, fevereiro 28, 2010
Aquecimento: Rebeca e Gustavo.
"Não sei, não, acho que é só frio."
"Toma a minha blusa..."
"Obrigada."
"Acho que sim, mas tem um apertado aqui."
"Pelo menos ainda é cedo, né?"
"Por enquanto, é."
o horizonte não diz muita coisa, mas dizem que ele diz e fica assim o dito pelo não dito.
"O que você pretende fazer?"
"Com a música?"
"É..."
"Mais rock, acho, e mais um pouco de MPB, não sei."
"Só?"
"E vocês vêm pra frente do palco, comigo."
"E fica só com seus cachorros?"
" (ri, leve, bem leve) Sim, essa é a ideia."
boba, bobagem, isso não dura nada e adeus, tchau-tchau, passei e não deixei nada.
"Pode ser."
"Toma a minha blusa..."
"Obrigada."
beira-de-praia em recife, julho
"Passou?""Acho que sim, mas tem um apertado aqui."
"Pelo menos ainda é cedo, né?"
"Por enquanto, é."
o horizonte não diz muita coisa, mas dizem que ele diz e fica assim o dito pelo não dito.
"O que você pretende fazer?"
"Com a música?"
"É..."
"Mais rock, acho, e mais um pouco de MPB, não sei."
"Só?"
"E vocês vêm pra frente do palco, comigo."
"E fica só com seus cachorros?"
" (ri, leve, bem leve) Sim, essa é a ideia."
boba, bobagem, isso não dura nada e adeus, tchau-tchau, passei e não deixei nada.
"Pode ser."
domingo, janeiro 31, 2010
pequenos deuses.
Rebeca ajeitou seu cabelo com a mão esquerda, roçando-lhes o pescoço, a camisa-vestido. Sorriu fra(n)camente pro espelho, por coragem; fez cara séria e correu para fora, saltitando de leve, mão seca pelo talco.
Palco negro de escuro, plateia murmurante, Rebeca anda despercebida até o microfone:
"Som?"
todaaplateiadeumavezvibrou
A luz explode no rosto de Rebeca.
"Eu vou começar com... uma música especial. Para vocês."
A partir daí, não sei bem o que acontecerá, isto é, todos cantam juntos e claramente estão todos juntos lá, cantaram ainda mais do que ela, saberiam mais a letra do que a garota sentada ali na frente. Gritem, pelamordedeus!, façam vocês mesmos o show.
Rebeca se levantou do banquinho, "talvez", tentava racionalizar, "isso seja demais. não sei se essas pessoas sabem que eu também vou ao banheiro e...", então ela corre para o palco e entra.
"Fico feliz que estejam aqui, mesmo. Eu escrevi um poeminha para hoje, hahaha, mas agora acho besteira..."
DEIXADESSERBESTARREBECAAA!!
"!!! Vocês são incríveis! (pigarreia feminina) é o seguinte:
Nua, fria, contra o tempo
Infeliz, jogada fora
Pura, insípida e notória
Pelos mais breves momentos
é isso, por hoje! Obrigada, Rio!"
Rebeca se seca no camarim, o rosto vermelho. Não era nada daquilo, mas quem mais podia ser? Rebeca tem uma cama e pode deixar estar tudo como está, quase como se não fosse capaz de fazer as pessoas se sentirem algo, quase como se não fosse a coisa mais importante na vida de milhares de outros, supostamente como ela.
"Sei que é pouco esse tanto
Que sinto, certo espanto
Meu poder sobre o mundo
Nem que seja num segundo
se acaba numa volta
e fico só com meus cachorros"
Palco negro de escuro, plateia murmurante, Rebeca anda despercebida até o microfone:
"Som?"
todaaplateiadeumavezvibrou
A luz explode no rosto de Rebeca.
"Eu vou começar com... uma música especial. Para vocês."
A partir daí, não sei bem o que acontecerá, isto é, todos cantam juntos e claramente estão todos juntos lá, cantaram ainda mais do que ela, saberiam mais a letra do que a garota sentada ali na frente. Gritem, pelamordedeus!, façam vocês mesmos o show.
Rebeca se levantou do banquinho, "talvez", tentava racionalizar, "isso seja demais. não sei se essas pessoas sabem que eu também vou ao banheiro e...", então ela corre para o palco e entra.
"Fico feliz que estejam aqui, mesmo. Eu escrevi um poeminha para hoje, hahaha, mas agora acho besteira..."
DEIXADESSERBESTARREBECAAA!!
"!!! Vocês são incríveis! (pigarreia feminina) é o seguinte:
Nua, fria, contra o tempo
Infeliz, jogada fora
Pura, insípida e notória
Pelos mais breves momentos
e...
Rebeca se seca no camarim, o rosto vermelho. Não era nada daquilo, mas quem mais podia ser? Rebeca tem uma cama e pode deixar estar tudo como está, quase como se não fosse capaz de fazer as pessoas se sentirem algo, quase como se não fosse a coisa mais importante na vida de milhares de outros, supostamente como ela.
"Sei que é pouco esse tanto
Que sinto, certo espanto
Meu poder sobre o mundo
Nem que seja num segundo
se acaba numa volta
e fico só com meus cachorros"
domingo, maio 03, 2009
Parece que já é maio e estamos com o cronograma atrasado.
Quando ele percebeu que batiam palmas ao ritmo da música, calou-se como se calam os ofendidos, fechou os olhos para baixo, segurou a guitarra con fuerza e quis arremessá-la contra o povo. Não era esse tipo de envolvimento que ele esperava das pessoas, a música não devia ser algo assim intrometida pelos outros.
Quando eu percebi que batiam palmas ao ritmo da música, entrei no jogo, também, afinal de contas, não é mesmo?
Quando percebemos que ele não cantava mais, começamos nós a cantar, certos de que ele dava espaço para o público participar do show, que ele estava feliz com isso.
Quando ela percebeu o que acontecia com o heartburn dele, decepcionou-se com a falta de visão e prepotência e sabe mais o quê. Para ela, era lógico que rock (ou o que quer que fosse que ele tocava, hoje em dia...) era para ser apreciado por pessoas e que era natural que elas se sentissem envolvidas.
Eu, particularmente, não consigo me animar muito com isso de dançar e pular. Bater palmas, cantar refrão, bater cabeça, não sei, presume muita noção musical que eu não tenho.
Ele, particularmente, gosta de música.
Ela, particularmente, gosta dele.
Nós, particularmente, não temos ideia do que está acontecendo e pulamos já pela vigésima hora consecutiva.
Ele, particularmente, é um chato que está indo pra casa.
O show goes on, porque music is my radar.
Quando eu percebi que batiam palmas ao ritmo da música, entrei no jogo, também, afinal de contas, não é mesmo?
Quando percebemos que ele não cantava mais, começamos nós a cantar, certos de que ele dava espaço para o público participar do show, que ele estava feliz com isso.
Quando ela percebeu o que acontecia com o heartburn dele, decepcionou-se com a falta de visão e prepotência e sabe mais o quê. Para ela, era lógico que rock (ou o que quer que fosse que ele tocava, hoje em dia...) era para ser apreciado por pessoas e que era natural que elas se sentissem envolvidas.
Eu, particularmente, não consigo me animar muito com isso de dançar e pular. Bater palmas, cantar refrão, bater cabeça, não sei, presume muita noção musical que eu não tenho.
Ele, particularmente, gosta de música.
Ela, particularmente, gosta dele.
Nós, particularmente, não temos ideia do que está acontecendo e pulamos já pela vigésima hora consecutiva.
Ele, particularmente, é um chato que está indo pra casa.
O show goes on, porque music is my radar.
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