terça-feira, outubro 10, 2006
domingo, outubro 01, 2006
Uma linda mulher.
A moça continuou olhando, impassível, pro moço.
Quisera eu que não fosse! Ah, que ingratidão das pessoas.
- É simples, você fica aqui a noite toda, eu pago.
O moço sorriu.
Ela abria muito a boca
Ele parecia sofrer.
Ela olhou para o relógio,
Os gestos humanos significam tão pouquinho, tão pouquinho, e... metáfora!
Ele apertou forte a mão dela, olhos nos olhos.
E, como eu dizia, metáfora!
Ela abriu um meio sorriso.
Não entendo patavinas!
terça-feira, setembro 19, 2006
Osmose - um minuto de tod'a vida.
Lara e Fernanda deitadas com a barriga para cima, meia-luz.
Fernanda
Bem noite, já.
Lara vira-se para Fernanda.
É... Tá com sono?
Fernanda
Não, não. Só meio...
... meio mal.
Lara
Quer tomar um ar, andar um pouco?
Fernanda
Vamos! Vamos...
Ambas sentadas n'um banco ao lado de um poste, balançando as pernas e de mãos dadas.
03.Manhã - grande condomínio - ext
Ambas andando, Fernanda com braço sobre, Lara com braço sob.
04.Tarde - supermercado - int
Ambas sentadas n'um banco da pseudo-lanchonete, sem comida.
05.Noite - cama - int
Lara e Fernanda deitadas de bruços, meia-luz.
Noite, já.
Lara
Bem noite, é.
terça-feira, setembro 12, 2006
Os mundos imundos.
Mas isto não se trata do logo de começo e sim do de meio, e o de meio foi o seguinte: Ele olhou como se realmente visse, mas apenas observava de leve, absorto em pensamentos muito mais graves do que a tal visão da decaída do mundo. Os valores novos não eram errados, Ele havia os criado, mas a forma de implantação deles era muito da esquisita.
Mas de meio ninguém escutou seu manifesto, e se ninguém pudesse sorrir, sorriria. O mundo e todo mundo e ninguém são as mesmas coisas, pensou Ele, e tudo sempre vai pelo funil e fica tudo uma gororoba só, onde é que está a personalidade do mundo e dos mundos de cada pessoa?
Gritou a mesma coisa, a voz soou forte e poderosa, todos olharam para Ele, que triunfantemente sorriu. Então de fim, algo de curioso aconteceu: todo o mundo veio em direção a Ele, como um único rebanho, como massa, como água passando por um funil.
Logo de começo, a voz fraca e quase imperceptível dEle soou, ressoou e dessoou, terminando assim toda a trajetória de seu manifesto. A pergunta era: Por que o mundo insiste em distorcer as coisas?
quinta-feira, setembro 07, 2006
Manual d'as palavas e expressões em que não acredito:
Introdução: A arte de increr ... pg 7
Honestidade ... pg 12
Inédito ... pg 15
Verdade ... pg 19
Razão ... pg 31
Submissão total ... pg 36
Filosofia ... pg 39
Política ... pg 40
Ordem Alfabética ... pg 62
Numerologia ... pg 69
Felicidade ... pg 71
Gênio ... pg 73
Escolha ... pg 76
Entretanto ... pg 84
Finalmente ... pg 89
Eu não sou preconceituoso ... pg 130
Ficção ... pg 131
Nacionalismo ... pg 144
Lógica ... pg 3
sexta-feira, setembro 01, 2006
Comentários acerca de blogs.
Parabéns a todos que lutam para pensarem em posts diários e, bem, bons.
Já eu, sempre que me esforço para escrever uma vez ao dia, só escrevo lixo. Paciência.
E quase ia me esquecendo do texto de hoje - ontem -!
Mew, hj nohs tvmos a eleissaum pru gremiu, e a gnt ganhoh! Tp, agr nhs vamu dominah akela iskla! Daih a trd eu saih cum marxinhu (ti amuuuuu mlk!) i encontrei a patty (aff!!!) nu shops!! Tpw, q sako! ELa tah fikndo c/ pedru, mew, q raiva tbm!ms jah sei cmo q eu v fude com akla vdia!
ms foi mtotmotomtomto lekal u dia de hj!
ahhhh! i hj dia 31/80 eh u dia dos blogs! prbens pra mim i o ~~Vida* Loka~~!
segunda-feira, agosto 28, 2006
Aquele que eu escolheria.
Pois é, vocês perguntam a mim "Então por que diabos?" e eu respondo que não dá mais, eu não agüento: já tentei votar por legenda, por candidato, branco, nulo, etc. E nada, nenhuma mudança, nenhum resultado, satisfação zero.
Então veio meu companheiro com o seguinte papo: "Se quer que as coisas sejam diferentes, mude tudo, ora! Crie seu partido!".
Eu acabei criando, cá estou eu, enfim. Não pretendo roubar, não pretendo sacanear com vocês e nem nada do tipo, mas não garanto total honestidade minha, já que certamente serei constantemente ameaçado por todo tipo de empresas, pessoas e animais, e só vale ser presidente enquanto vivo.
Mas garanto que tentarei fazer algo, que defenderei os interesses gerais da nação, até porque meu partido ainda não tem uma identidade tão forte que ofusca qualquer idéia fora dela. Mas creio que também posso prometer-lhes que não rastejarei pelo voto de vocês e que espero apenas a colaboração de quem me entende verdadeiramente.
Ah, tinha mais coisa em pauta, mas o tempo pra partido pequeno é foda. Boa noite, eu sou Chico Abreu, zero zero.
sábado, agosto 26, 2006
Eis que sendo.
Era uma história - estória, nos termos antigos - muito interessante, claro, mas fundamentalmente impactante, e era esse que eu passava para o papel, quase o rasgando com a voracidade inimaginável com que eu fazia minha tarefa.
Entretanto seca estava a caneta e tudo não valeu de nada.
Sentei para me acalmar, mas pulsava em minha cabeça e vivia, incrível. Deixei de lado e apenas pensei e imaginei, criei realmente toda e um universo.
Após doze horas, abri uma gaveta e achei outra caneta, desta vez com tinta.
Segurei ambos em minha mão e tentei retratar o que vi e senti.
Eis que quando foi, foi e não voltou mais.
Fiquei na mão.
Eis que si.
terça-feira, agosto 22, 2006
Uma presência, uma ciência e uma potência.
Isso porque o requerido para tal transmutação positivadora é pura e simplesmente a tal da folha, o tal do papel ou, como bom raitéqui corporativo, o tal do computador pessoal.
O ato de se escrevinhar é, fundamentalmente, potente e tudo mais. Chego a concluir que todo narrador é onisciente e onipresente, apesar da crença insentida dos professores de redação e literatura e de estudiosos das tais narrativas de que os narradores podem ou não serem oni-eujádisse.
Pois bem, amplio minha raciocinação: toda pessoa que narra, que conta, é onisciente e onipresente, porque o revelado pelas palavras só mostra exatamente o que ela pode e quer mostrar, sendo tudo que há para se saber no universo criado por algum tempo graças aos esforços narradores da supracitada.
Sendo assim, finalmente, toda a forma do que é escrito vem do escrivinhador e ele é, por conseguinte, o mais alto senhor Onipotente da hestória que conta ou inventa.
Logo e não obstante, isso pode se aplicar para todos os textos proscritos por qualquer um, mas é óbvio que nem todos podem ser aplicados ao posterior à realidade sentidora das outras pessoas.
Além disso tudo, tudo é completo em qualquer produção de qualquer ser, já que se justif
terça-feira, agosto 15, 2006
- Ah, lembrei o que eu ia perguntar!
- Qual?
- O Elevado a Três.
- Ah... Um ano e pouco, suponho. Chutaria três.
- Três?
- É, é. Um ano e três dias.
- Ainda ganha com o livro?
- Uai, conhecimento, experiências, essas coisas.
- Mas como? Relendo...?
- Não, sua besta. É óbvio que tudo que eu escrevi naquela época ainda me influencia, sendo verdade ou não atualmente. Ou até na época.
- Ah... E o dinheiro?
- Que tem?
- Ainda ganha algo?
- Eu já falei que eu ainda...
- De dinheiro!
- Como assim ainda?
- Se você...
- Cara, eu nunca ganhei dinheiro algum com esse livro.
- Por quê!?
- Minha mãe. Todo dinheiro ia e vai para ela, coitada, com um câncer absurdo. Mas como há esperanças, já viu, não consigo arredar o pé.
- E por que nunca me contou isso?
- É que... Sei lá, isso de ser altruísta não combina comigo...
- Putz, cara... Ah, legal que você use seu talento pr'uma coisa boa assim.
- Pois é.
- É.
- Bom...
- Sim...?
- Na verdade, a Editora só me paga se vender mais do que mil cópias, e... ahn, nunca vendi tanto assim.
- Nossa! Mas e como fica sua mãe, então?
- ...
- Nossa, deve ser duro...
- Cara, eu só estava brincando um pouquinho com você. Minha mãe morreu quando eu era bebê. Eu não ganho dinheiro algum e nunca ganhei simplesmente porque meu livro não vende, só isso.
- Cê tava me mentindo?
- É, mais ou menos.
- Viado.
quinta-feira, agosto 03, 2006
Estrela, sobe estrela!
Essa é a história real minha de quando eu acabei com toda a população do planeta Marte de uma maneira muito maneira mesmo. Pode parecer mentira, mas eu ainda tenho o meu revólver aqui e ele tem até umas gotas prateadas adornando todo ele, muito legal mesmo.
É claro que essas gotas são o sangue do último marciano que eu matei com um tiro à queima-roupa, mesmo ele não tendo roupa pra queimar. Ele nem era cabeçudo, tinha mesmo uma cabeça pequenita menor que a minha e que realmente tinha um cérebro hiper-desenvolvido e que entendera que a Paz é a coisa mais suprema do universo e por isso deviam pregar isso por aí.
Pois preguei uma bala na cabeça dele pra provar que poder de fogo é melhor que o poder das palavras. Além disso, a voz dele era irritante. Mas eu já tinha arranjado os códigos pra usar a máquina de teletransporte antes com outro marciano amigo desse que eu matei, mas eu matei esse também. Claro que depois de arranjar os códigos, e ele era um alienígena bem bacana e divertido e zeloso, sempre pensando no meu bem-estar.
A verdade é que ele tinha que morrer também, mas esse eu joguei d’uma espécie de penhasco que escondia as fábricas de energia magmática do lugar, ou qualquer coisa do tipo. Eu tenho certeza que ele só me tratava tão bem porque ele me achava inferior que nem um animalzinho de estimação, e eu provei pra ele que era bobagem isso.
Mas minhas matanças foram só essa, porque pelo que eles me disseram era só isso de marciano que existia, e agora é zero zero zero nada. Se houvesse mais algum também esse algum estaria morto logo logo, porque quando eu joguei o cabecita no buraco fez um boom muito maneiro também que parece que ia explodir tudo e logo que eu saí eu ouvi um boooom maior ainda e pelo que vi no noticiário o planeta Marte explodiu todinho.
Eles que vieram me encher também lá em casa, aparecendo do nada no meu banheiro enquanto eu soltava o que devia ser solto, desgraçados tiveram o que mereceram já que aquele brilho nojento da teletransportação atrapalhou toda a minha concentração e me deixou cego por um tempo, tanto que como compensação eu obriguei os dois a me levarem pra casa deles pra eu conhecer, porque parece que eles vieram parar na minha casa sem querer e não queriam nada comigo.
Foi tudo muito divertido e eu queria dizer obrigado aos marcianos pela experiência única que eles me deram.
Observação 1: contato com alienígenas é prejudicial à saúde mental.
Observação 2:
http://sobrestrelas.blogspot.com/
http://sobestrelas.blogspot.com/
sábado, julho 29, 2006
Brindemos!
Há tempos que brindamos assim, o único brinde egocêntrico o suficiente para ser realmente válido. "Há motivo para eu estar brindando, assim como há motivo para você e para ele, e se for o mesmo motivo o de todos, tanto melhor".
- Quem dera houvesse motivo.
Mas hoje a Jô não está legal, não mesmo, mesmo assim brindamos novamente. Sempre há alguma coisa a se comemorar, a se torcer por, ou qualquer coisa do tipo. Tentamos:
- Há motivo sim, sua besta!
Ela olha como se quisesse "suicidar a todos nós", e realmente é esse o olhar, já que ela logo repete com palavras o que demonstra com a expressão facial.
- Eu se fosse vocês me matava. Vocês estão todos afundados na merda e ficam brindando aqui, nesse bar ridículo, com esses chopes gelados nesse frio também ridículo. Vão à merda, que não há merda de motivo algum!
A Jô levanta-se revoltada e vai-se, como se não soubéssemos das coisas ruins da vida e de como tudo vive caindo pro lado da bosta para se sujar um pouco. Não obstante, erguemos nossos chopes cheios de suor gotejante, sorrimos uns para os outros e, bem, é óbvio o que fizemos:
- Há motivo!
terça-feira, julho 18, 2006
segunda-feira, julho 10, 2006
AQUILO.
Eu busquei tanto tempo, fora de mim, mas estava dentro. É só uma fagulhinha, é a diferença entre os que são e os que estão. E só descobri naquela hora. Era AQUILO, mas já era ISSO e até ISTO. Era tudo.
Peguei minhas coisas e ia sair de casa, mas a culpa de não ter feito nada do que podia ter feito começou a me tomar completamente. Afinal, eu já sabia antes, eu sempre soube. Nunca aproveitara por pura ignorância. Imbecil, imbecil, não parava de repetir na minha cabeça.
Tanta coisa pra aproveitar! Tantas coisas que deixei passar, sem nem perceber. Ignorante, estúpido e mais um monte de coisa. Joguei-me ao chão, agonizante. Batia a cabeça.
Até que percebi que estava desperdiçando tudo que finalmente descobri e saí de casa.
quarta-feira, junho 28, 2006
Indestino.
"Você é um homem cruel e tirano, deve morrer por nossas mãos! Somos a Justiça em pessoa e viemos para lhe matar."
"Vamos, rende-se que assim não o mataremos! Seu reino termina por aqui, seu calhorda!"
E por aí vai. O malvado olha para frente, cheio de ira. Pensa com ele mesmo que são cinco heróis descerebrados e completamente despreparados, que estão entupidos de moral ridícula até o intestino, passando obviamente por lá.
"Olha aqui", começa o malévolo, "não fui eu que matei mais de milhar em uma semana. Nem sou eu o intolerante aqui... Nunca destruí pessoas simplesmente por serem antagônicas a mim, mas simplesmente por serem opostas à evolução da nação", pigarreia um pouco, "sou apenas um bom governante, e as pessoas que me acham ruim é que são podres e deturpadas. Além disso, eu não sou um estereótipo ambulante que nem vocês, embora vocês realmente tentem me tornar um com essa baboseira de 'Senhor do Mal'".
Eles olham atônitos para o Distribuidor Mau da Maldade Tão do Mal que Mal Conseguimos Agüentá-la.
"Que merda é essa?" pergunta o de vermelho.
"É, que merda é essa?" e agora é a vez do azul.
As perguntas eram tanto para o Senhor das Trevas quanto para o diretor, que resolve então parar tudo.
"João, que merda é essa?" é a resposta-pergunta do diretor, direcionada ao Ator Que Faz o Mal Sempre.
"Cansei disso tudo. Eu tentei falar minha fala e não consegui."
"Mas a fala era 'Venham para a morte, então! Eu nunca desistirei!', era fácil, como assim não conseguiu?!"
Os power-rangers Cruzados vão tomar água e tirar a roupa cheia de suor um pouco.
"Não consegui por isso mesmo. Essa bosta de roteiro é sempre a mesma coisa!"
"É o que vende!"
E agora a câmera dá um close na cara do Ator Indignado, que franze o cenho preparando o grito:
"Então eu me demito dessa mediocridade ridícula! E espero que vocês passem o resto da vida filmando essas coisas ridículas para crianças de sete anos com mentalidade de um e meio. Vão à merda!"
- Corta! - diz o diretor, escondido da câmera - muito bom o trabalho, Carlos. Você ficou muito convincente como João... Ei, Max Overseas, gostei de sua interpretação de ator interpretando o Ricardo Coração-de-Pavão! E pedrinho, acho que você devia carregar mais o "Que merda é essa, João?"... Tenta pôr mais ênfase na merda. Vamo lá, todo mundo. Pausa de cinco minutinhos e vamo tentar de novo!
domingo, junho 25, 2006
Cadela!
Eu olhei para o banco de passageiros de meu carro e onde ninguém estivera, agora havia um de meus pacientes, um dos casos mais graves, intensos e esquisitos. Certamente merecia todo o meu interesse, mas
"Agora não. Sézar, você precisa esperar sua hora! Eu sou um profissional...
Respondi então. Além do mais, atender pessoas em meu próprio carro não dava dinheiro algum. Entretanto, apesar de minha disposição de simplesmente ignorá-lo, a face insana do indivíduo realmente demonstrava, bem, insanidade.
"Doutor, é sério. Eu não agüento mais as torturas daquela cachorra! Eu estou ficando
Louco. Já me falara dessa maldita cadela milhões de vezes, disse que tentara se livrar dela um milhão de vezes, que ela sempre retornava para ele, sempre grudada em suas pernas, puxando-o para o Inferno. Não aceitava ficar em casa sozinha, apegara-se profundamente a ele, nunca deixava-o em paz.
"Ora, era justamente disso que falávamos na sessão de ontem. E também na de três dias atrás, e na da semana passada. Estou certo de que você pode esperar mais uma semana até a próxima. Estamos tratando de seu desvio de personalidade
Aos poucos, seu rosto passava a denotar grande sofrimento. Talvez até mais intenso do que da vez em que foi cruelmente atacado por aquela que alimentara e cuidara com tanto carinho. Uma mordida no pescoço, quase fatal.
"Eu matei aquela vaca com um tiro na cabeça. Me ajuda, eu preciso!
Referir-se a um canis familiaris chamando-o de vaca é um tanto peculiar. Não havia motivo para meu espanto, ele já devia ter feito isso há tempos. Felizmente, assassinar uma cadela não era mais grave, e com certeza menos doentio, do que praticar zoofilia e ter um amor incondicional pelo animal.
"Oh... Fico feliz que tenha se livrado dela, que atrapalhou tanto sua vida. Você deve se libertar dela, agora.
Sorri, afável, só talvez um pouquinho nervoso.
"Ajuda a me livrar dela! Eu tô com ela aqui nessa
Mochila de viagem grandíssima foi puxada para dentro do carro, a porta se fechou. Devia ser um animal de porte respeitável, nunca me dissera o porte dele, apenas algo sobre ser de raça alemã, pelos dourados, brilhantes. Sem falar nada, arranquei o carro e fui dirigindo até o centro da cidade.
"Podemos atirá-la no Lago da Memória. Aproveitamos e enterramos toda a sua neurose com este ato, não acha bom?
Ele concordou.
"Sim, doutor. Sim. Ah, finalmente minha vida vai entrar nos eixos, doutor!
Parei no tal Lago, ajudei-o a carregar a mala. Estava muito
"Pesada. Nossa, que mais tem aqui, sr. Sézar?
Ele me olhou surpreso, de soslaio.
"Nada mais. Ouvi falar que os corpos ficam mais pesados depois de mortos.
Concordei. Meus conhecimentos de biologia não iam muito além do pouco que lembrava do vestibular. Mas sabia que, sendo a bolsa de plástico impermeável, era melhor abri-la para não correr o risco de vê-la flutuando, triunfante, por sobre as águas. Peguei o zíper, puxei-o.
"Deus! Isto é
Horroroso! Uma cabeça loura, de pele clara, decapitada. Humana! Na confusão de braços, pernas e sangue percebi um tênue brilho dourado próximo ao pescoço da jovem. Lia-se Suzanna, 6733-4521, entrar em contato caso a encontre na rua.
quarta-feira, junho 21, 2006
Se se morresse de amor.
Jovem suicida-se por amor não correspondido e MP é aprovada proibindo o amor para menores
Reportagem Roberto d'Abreu
Ontem (20/06, terça-feira) , às 19h23min, morreu o jovem S.S.A.F., de 16 anos, ao suicidar-se injetando ar em suas próprias veias. S.S.A.F. amava uma garota que o "ignorava constantemente e, quando me dava alguma atenção, era apenas para me humilhar", segundo informações do diário do garoto.
"Isso é terrível", disse à Redação a mãe do garoto, "o Estado devia educar as pessoas e mostrar que o amor é errado", completou.
"É realmente um absurdo que não haja um desencorajamento em relação ao amor", comentou o pai, muito revoltado com a injustiça que acontecera com seu filho. De família de extrema direita, S.S.A.F. tinha bom rendimento escolar, e parecia totalmente são. "O amor estragou meu filho. Se o governo fosse mais responsável, uma coisa dessas não aconteceria!"
Entendendo a importância do caso, medidas rápidas foram tomadas no Congresso Nacional. Foi aprovada ainda ontem uma Medida Provisória que proíbe o amor entre menores de idade. Segundo assessor do governo, o amor mata milhares de pessoas por ano e deve ser evitado a todo custo. "Uma grande redução nos crimes de paixão e nos índices de suicídios deve ocorrer em um intervalo curto de tempo", explicou o sociólogo Herbert Naizsm.
Entre os adolescentes, não fica clara qual a posição deles em relação à nova proibição. Enquanto a maioria afirma ser uma medida ditatorial e sem cabimento, há alguns poucos que louvaram a decisão, dizendo que a vida tornar-se-á muito melhor sem o complicado amor pelo caminho.
O Presidente fará um discurso amanhã, às 19h23min em rede nacional, tratando do assunto.
terça-feira, junho 20, 2006
yatagarasu
mittsu no ashi
shikashi yattsu no hane
yatagarasu ga mottekite
otaiyou to shiawase
Em tradução livre:
o corvo de três patas
mas oito penas
voa trazendo o sol
e alegrias pequenas
domingo, junho 18, 2006
Novidades.
Obrigado por sua carta, eu achava que vocês todos já tinham me esquecido! Está tudo bem por aqui sim, ou melhor, eu tive alguns probleminhas, mas quase todos já passaram.
[...]
Adivinha que eles me escolheram? Não, claro que não, não foi assim uma simples escolha, eu tive que batalhar pra conseguir a vaga. Pois é, eu serei um deles.
[...]
Não tive notícias da Aninha, como foi a cirurgia dela? É verdade que ela só tem um terço do estômago, agora? Ela já emagreceu?
[...]
Eu acho que eu volto para aí no final do ano. Vão fazer uma festinha, né? Pois bem, eu quero aquele champanhe ótimo daquela região lá. Além de tudo, eu acho que vou trazê-lo comigo!
[...]
Saudades de todos vocês! Abraços e beijos, do amigo seu,
[...]"
quarta-feira, junho 07, 2006
Bobagem metalingüística.
- dicionário
- do b. Lat. dictionariu < Lat. dictione, locução
- s. m.,
- conjunto dos vocábulos de uma língua ou dos termos próprios de uma ciência ou arte, dispostos por ordem alfabética e com a respectiva significação ou a sua versão noutra língua.
- do b. Lat. dictionariu < Lat. dictione, locução
segunda-feira, junho 05, 2006
Lá no PC!
Tenho que escrever o texto introdutório do blog Lá no PC!, que é, obviamente, o blog do Plano C. Mas não está fácil. É uma responsabilidade relativamente grande, é difícil fazer textos introdutórios decentes.
Acho que não vou sair muito do básico.
É isso aí.
quinta-feira, junho 01, 2006
Minha utopia de estimação.
Eu gostaria que fosse. Eu realmente espero que ao fim de minha vida tudo se torne... ah, bem, para que evitar a repetição, quando necessária? Bem, que tudo se torne nada.
O mundo dando lugar ao não-mundo e mais toda essa baboseira (hah.) teórica. O fato é que vocês não deviam se preocupar em ler este post. É um vazio, não tentem buscar algo no que não existe.
Obrigado.
quinta-feira, maio 25, 2006
Resposta à Camila:
Obrigado por entrar em contato conosco. Não posso falar por minhas próprias palavras, mas existe um livro do renomado Ricardo Koiti d'Abreu que diz "como chegar em uma garota". Segue-se o extrato adiante:
"Se há algo que é universalmente aceito como primeira frase ao 'chegar' numa garota, este algo é a milenaríssima [haha] frase:
'Oi.'
E há também o resto, que pode ser 'Meu nome é tal' ou 'Você tem uma cola para me emprestar?' ou até mesmo 'Eu vi você sentada, sozinha, nesse banco, olhando fixamente para lá, como que se esperasse alguém. Eu também espero alguém, posso sentar aqui?' 'Pode, oras, o banco é público" e ela ri-se, e aí você já vem com 'Esperando o namorado?' 'De que te interessa?' 'Nada, só curiosidade. Eu espero amigos, mas acho que eles não mais vêm.' 'Eu espero meu carona.' 'Que é seu namorado, presumo.' 'Meu irmão.' 'Então há chances.' 'Chances? O que você ach...' 'Chances dele não atrasar tanto. Namorados estão sempre desgraçadamente atrasados!' 'E qual a sua experiência com namorados? É um deles ou tem um deles?' E desta vez você sorri, 'Nenhum dos dois, nem tenho nem sou. Tampouco tenho namorada, e também me parece difícil que eu seja uma.' 'Realmente, parece.' 'E meu nome é de homem, chamo-me Carlos.' 'Que coincidência, eu sou Clara!' 'Clara crocodilo?' 'Ahn?' 'Haha, nada não.' 'Ah.' 'Pois foi um prazer conhecê-la, acho que já devo ir embora.' 'Mas e seus amigos?' 'Já se atrasaram mais de hora. E seu irmão?' 'Só chega daqui a quarenta minutos, estava apenas a divagar um pouco, a olhar os carros em movimento, esperando algo acontecer.' 'Pois aconteceu. Aceita comer algo no Gopala?' 'Eu já comi...' 'Então tenho uma idéia melhor. Garanto que em meia hora estamos de volta.' 'E o que é?' 'Segredo. Vem comigo?' 'Vou.'"
Obrigado pela assuidade e pela coragem de mandar esta dúvida!
domingo, maio 21, 2006
A tênue linha entre o amor e o ódio (caixa-baixa).
"Diabos, foi inevitável. Eu precisava dizer essas palavras, essas malditas palavras. Burro, burro, ela vai... Ela não vai gostar!"
- Por favor, não fique quieta...
"Isso não é bom. Não pode ser bom. O quê? Que resposta absurda!"
- Como assim "estou louco"?
"Ela parece estar quase lacrimejando, os olhos dela..."
- Mas... Você esteve comigo todo esse tempo, andando comigo, conversando comigo... Me dando bola...
"Não acredito!"
- Eu te entendi errado? Mas que droga! E os seus olhares?
"Ela... não. Droga."
- Você olha assim pra todo mundo? Você acha que eu sou idiota?
"Vadia, cadela, ficou insinuando-se todo esse tempo e agora... Puta!"
- Você não respondeu: você acha que eu sou idiota?
"Se eu pudesse, eu acertava uma na cara dessa vagabunda."
- Pode jogar na minha cara, vai! Você só tava brincando comigo, né?
"..."
- Enfia essas desculpas no seu rabo!
"Ainda tem a coragem de fingir o pranto..."
- Não importa nada dessa merda! Eu te odeio, sua vaca. Eu te... odeio.
"Vamos, chora de verdade!"
- Isso, vai embora! Vai pegar outro otário!
"É... Nem gostava dela, mesmo."
segunda-feira, maio 15, 2006
Reino do Terror?
Temos nossos terroristas aqui, muito menos ortodoxos que os do Oriente Médio e, certamente, menos suicidas que os mesmos. Mas eles são terroristas e fazem seus ataques flamboyant, ou ao menos fingem que fazem.
Sem querer desmerecer os mortos pelos atentados do PCC. Eles existem e eu não duvido disso. Mas hoje, em minha prezadíssima escola (sem ironias), presenciei o efeito do medo nas pessoas. Ou, como elas mesmas dizem, "não é medo, é só pra garantir que nada ruim acontecerá" ou "não sou eu, são meus pais".
Eu acredito. Mas são estes aspectos que caracterizam a indústria do medo: há uma ameaça real, e qualquer um pode sofrer com ela. Portanto, compremos todos máscaras de gás e fuzis!
Além disso, nota-se a presença de diversos boatos inconsistentes, mas que numa situação calamitosa soam verossímeis:
A estação Sé foi metralhada! A Ana Rosa também! Bombardearam o Paraíso!
Puxa vida! Até o Éden está sendo atacado? Os bandidos são tão poderosos que têm poder também no pós-vida?
Bang bang, para vocês.
PS: Voltei mais cedo do que planejara para casa no dia de hoje, com meu papai. Só por precaução, claro.