segunda-feira, janeiro 15, 2007

O homem-sem-charme.

I met him in a crowded room
Where people go to drink away their gloom
He sat me down and so began
The story of a charmless man
Educated the expensive way
He knows his claret from his beaujolais
I think he’d like to have been Ronnie Kray
But then nature didn’t make him that way

He thinks he’s educated, airs those family shares
Will protect him, that we’ll respect him
He moves in circles of friends who just pretend
That they like him, he does the same to them
And when you put it all together
There’s the model of a charmless man

He knows the singers and their cavalry
Says he can get in anywhere for free
I began to go a little cross-eyed
And from this charmless man I just had to hide

He talks at speed he gets nosebleeds
He doesn’t see his days are tumbling down upon him
And yet he tries so hard to please
He’s just so keen for you to listen
But no-one’s listening
And when you put it all together there’s the model of a charmlessman


porblursobremimmaséclaroqueprecisaseabstrairbastante.

domingo, janeiro 07, 2007

Trabalhando com arte.

- Eu quero que você tire sua roupa, agora.

Prancheta na mão.

- Isso, assim. Você é linda mesmo.

Vai e vem com a caneta.

- Você pode chegar mais perto, por favor?

Rabisca, rabisca, rabisca.

- Estamos quase terminando. Linda, linda!

Ajustes finais.

- Perfeito! O texto já está pronto, pode ir pra casa que tá tarde.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

O melhor texto que já escrevi.

Ele a saudou com um beijo na boca, enquanto deslizava sua mão pelas costas, pela cintura e por aí.

- É o melhor texto que já escrevi - Ele levantou a mão com que cariciava o corpo d'Ela, e havia duas folhas de papel em sua mão.
- Uhn... E o quê vai fazer com ele? - Ela sussurrou em seu ouvido.
- Eu não sei, eu não sei! - o escritor distanciou-se um pouco sobressaltado, olhou bem para o corpo da garota a sua frente - Talvez eu não faça nada.
- Não sabe o que fazer depois de alcançar o ápice? - sorriu Ela meio ironicamente, meio brincalhona.
- Claro que sei! Eu tenho que escrever algo melhor! Mas... não dá!
- Você acabou de escrever isso.

Ele estendeu a mão e os papéis para a cara dela.

- 15/11/96? Quinze de novembro de noventa e seis? O seu melhor texto tem mais de 10 anos?
- Eu sei que é patético...
- Mas... e tudo que você escreveu até hoje? - enquanto falava, Ela passava a mão vagarosamente pelo rosto barbado d'Ele.
- Lixo.
- E por que só agora? Por que nunca me mostrou isso antes?
- Eu nunca tive coragem de assumir que eu nunca conseguirei escrever algo melhor do que essa bosta. Eu... você... Perde todo o senso de evolução, sabe?
- Ah...

Ele se distanciou mais e foi até o banheiro, com passos sussurrantes e breves.

- Olha, leia o texto enquanto eu tomo uma ducha. Você pode decidir o que fazer com ele, ou sei lá o quê.
- Tá certo - Ela lançou um olhar melancólico para ele, e então lançou um olhar melancólico para o texto, que retribuiu mostrando suas palavras de forma melancólica para Ela.

Ela terminou de ler. Bateu na porta do banheiro.

- Ei... isso é só um emanharado de palavras aleatórias misturadas! Isso não é seu melhor texto! - Toc toc toc mais nervoso - Carlos, Carlos, abre essa porta!

Ela suspirou. Ele devia estar passando por uma daquelas crises dos escritores que escrevem mais ou menos bem. Era estupidez se entristecer muito com isso, já que ele tinha uma vida boa e divertida, apesar de ter apenas habilidades suficientes para vender o suficiente para levar uma vida boa e divertida.

- Abre isso agora, Carlos.

Ela pegou uma cadeira e lançou contra a porta. A cadeira bateu e voltou, machucando-a no pé.

- Porra, abre isso!

Ia chamar os bombeiros quando o interfone tocou:

- Dona Lúcia... desce aqui embaixo... é... uma...

Ela largou o interfone e olhou pela janela. Havia algo no chão. Algos no chão, a 16 andares de distância.

Horrorizada, percebeu que eram pedaços de corpo e muito sangue.

Quando finalmente desceu e observou os pedaços de seu namorado e também cliente de sua Editora, horrorizou-se de verdade.

Havia algo escrito por quase todo o corpo do falecido escritor. Eram palavras aleatórias, misturadas na confusão do sangue por todos os lados.

Era o melhor texto da vida d'Ele. Era o melhor texto de sua morte. Seria o texto de seu epitáfio.

E este, meus caros, é o pior texto de toda a minha vida.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A droga de toda a vida.

"Achei há dois anos, num sebo escondido numa rua suja, um livro 'interessante'. Chamava-se 'O segredo do futuro' e dizia que fora escrito originalmente por um chinês, havia milhares e milhares de anos. Um hippie doido deve tê-lo traduzido, julgando pela data da edição. Comprei, pela curiosidade e pelo preço.

O livro tratava, em sua primeira metade, sobre a existência do Futuro. Argumentava que realmente existia um caminho pré-determinado e que — após um tanto de escrito com pouco valor — havia meios verdadeiros de se ver o Futuro. Na verdade, só seria possível descobri-lo até o fim da sua vida. Eu entendo que seja difícil de entender, mas o livro diz que se você morrerá em 2032, será possível ver todo o seu futuro até essa data.

O meio mais simples apresentado por Fa Ming — suponho que seja esse o nome do autor, agora me falha à memória — para espiar o Futuro é um chá feito de diversas ervas misturadas com alguns ingredientes caríssimos e de difícil obtenção. Após ler todo o livro, decidi que a única coisa que valia era a tal receita. Arranquei as 30 páginas que tratavam da confecção desse incrível 'medicamento' e joguei todo o resto fora.

Nenhuma das ervas era alucinógena, mas quase todas eram muito raras por aqui. Por isso, tomei como uma espécie sadia de passatempo a procura pelos fantásticos ingredientes. De férias em férias, de eBay a eBay, consegui os itens, um por um. Isso tudo tomou um pouco menos de dois anos, e exatamente agora terminou minha busca. Como todas as ervas são secas e a maioria dos ingredientes imperecíveis, creio que estou preparado para a preparação.
Na verdade, escrevo enquanto a água ferve.


Ferveu. É incrível como uma receita supostamente tão incrível é tão simples. É só jogar tudo dentro... Não que eu realmente acredite na veracidade da coisa toda, mas supõe-se que o procedimento todo deveria ter algo mais de especial, de fantástico.
O resultado não é exatamente agradável: a mistura toda fede e tende para o verde-musgo, pedaços sólidos flutuam. Bem, no máximo acabo de preparar um alucinógeno poderosíssimo.


Amém."


Aqui o relato se perde. Mas reza a lenda que Ele viu, realmente, toda a sua vida, viveu todo o futuro pulsante que tinha pela frente, cada detalhe, cada segundo, cada minuto, cada década. Sentiu um fluxo tão intenso de vida que, após alguns instantes de frenesi de momentos felizes e tristes, acabou chegando no ponto inevitável de sua vida, que é a morte.

Parou o coração, acabou a droga de toda a vida.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Dois mil e sete.

Talvez dois mil e sete realmente mereça uma listinha de promessas.

Talvez a virada de ano realmente represente alguma coisa.

E por aí vai.

Sendo assim, para poder ser brega, pero no mucho, cá vai uma listinha de promessas (ou previsões) para o ano que logo vem. Espero que entendam a mensagem deste pobre que vos fala.

1 - Prometo me estressar bastante graças ao cursinho;
2- Prometo deixar completamente de lado o grêmio e, assim, decepcionar meus coleguinhas;
3- Prometo ter problemas no meu relacionamento graças ao item 1. Talvez também ao 2, quem sabe;
4- Prometo que minha gastrite piorará e melhorará diversas vezes durante o ano;
5- Prometo que jogarei menos videogame;
6- Prometo que lerei;
7- Prometo que os itens 6 e 7 terão lados bons e ruins;
8- Prometo acabar coisas que comecei neste ano e começar coisas que nunca terminarei;
9- Ou talvez não.

terça-feira, novembro 28, 2006

A fabulosa "Coletânea de Fracassos Humanos em Diálogos Interessantes para Toda a Família"!

Apresento-lhes meu mais novo projeto literário:

A fabulosa "Coletânea de Fracassos Humanos em Diálogos Interessantes para Toda a Família"!

A idéia é simples: é uma coletânea (sim, exato) de diálogos interessantes (claro, claro) que retratam o fracasso humano (como adivinhou?) para o gosto de toda a família (não necessariamente todos os membros de uma vez, lógico)!

E eu preciso da ajuda de vocês! Sim, claro, lógico.

Proponho que juntos escrevamos essa maravilhosa coletânea, que me ajudem com diálogos escritos por vocês (podendo haver um tantinho de narração, como não) e que façam com que essa maravilhosa idéia não fracasse como todos os humanos idiotas desse mundo (e eu incluo eu e você!)

E lá vai uma amostra de um diálogo, autoria d'um amigo meu e que não é um exemplo do que ocês devem escrever, já que são livres para fazerem diálogos fracassantes do modo que bem entenderem.


- Quero te bejá!
- Quêêêê?
- Isso mesmo que você entendeu - insistiu.
Fez-se silêncio, então ele viu que ela não ia falar:
- Eu te adoro - e blá blá blá.
- Mas como eu posso acreditar em você depois de todas as sua cachorradas com aquela outra?
- É porque você eu quero de verdade!
Silencio, novamente.
- Eu juro!
Mais silêncio.
- Tá, e se eu disser que não sou eu?
- Ahm? Como eu posso acreditar em você?
- Não sou eu, eu sou um amigo 'dele'.
- Olha, eu.. eu tô saindo. Tchau.
E poucos minutos depois:
- Nããããão! Ferrô como eu faço pra você acreditar em mim?

E à propósito, essas não estavam bebendo; uma já havia bebido e a outra nunca bebeu e provavelmente nunca beberá.


Ajudem-me, literatos e não-literatos! Qualquer um pode ajudar escrevendo um Diálogo Interessante para a Coletânea!

sexta-feira, novembro 24, 2006

Terminâncias.

- Claro que eu ainda tenho espaço para amigos... Para todos!
- Sim, para todos, claro, para todos, obviamente, para todos. Para todos quais, idiota? Que amigos?
- Aqueles, aqueles, aqueles!
- Nem sequer esses, nem sequer estes? Deve ser triste ter amigos tão distantes assim.
- Olha, ...
- Sim?
- Não me enche o saco, por favor.
- Agora está limitando os seus tais amigos de simplesmente encherem o seu saco, é? Prefere logo que eu não fale porra nenhuma, né?
- Me deixe em paz...
- É isso, então? ... Opa, ô chêimpion, traz uma gelada! ... Olha, sr. "eu não preciso de mais ninguém", é melhor você mudar de atitude logo, que tá enchendo o MEU saco.
- Cale a boca.
- E essa arrogância toda não vale pra nada, nada mesmo.
- Cale a boca, sério.
- Guilherme, olh'aqui, pára com isso e olh'aqui: eu queria mesmo te ajudar, beleza? Eu tentei te avisar antes, eu tento te avisar agora, eu talvez tente um pouco depois, mas mais do que isso, não dá. Tua vida se fechou, irmão.
- Foda-se.
- Tá vendo?
- Não, não estou. Eu estou aqui sentado com você, numa boa, e ocê me vem falar que eu não tenho mais espaço/tempo/o caralho a quatro pros meus amigos?
- Aí, oh. Cadê a paciência?
- Ricardo... Olha, Ricardo. Olha. Ah, vai à merda.

Guilherme se levantou sem beber seu último gole e sem esperar a nova bebida que chegava. Na verdade, saiu sem beber absolutamente nada.

E, na verdade, nem saiu de casa, antes de tudo.

A discussão não valeria a pena.

terça-feira, novembro 07, 2006

Sobre sempre.

Pequeno remarque sobre o overuso da palavra sempre.

Eu já me cansei de ouvir - moustlimente ler, na verdade - as pessoas falando - escrevendo - pra sempre, sempre, 4evah, e por aí. Não que a idéia não seja bonitinha, mas é sãti ei gigantesca mentira que me incomodo.

Rauéver, antes de falar mais a fundo, já deixo contra-argumentado o padrão dos atacados: Não, não é inveja.

Uéu, sabemos que ninguém tem controle direto sobre o futuro. Sabemos, alsou, que qualquer coisa vai, eventualmente, morrer e acabar e etc. Numa análise mais banal das coisas, o sempre sempre é interrompido pela morte, então sempre é mentir dizer sempre.

E chamar um punhado de oudi friendis com quem você nunca conversa de amigos pra sempri é pleinmente patético.

E etc's. Acho que quem concorda comigo já concorda comigo.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Dia do céquissu.

'Felizes dias do Céquissu', obviamente atrasado.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Sobre golpes falsos - verídico.

- Chamada a cobrar, para aceitá-la, continue na linha após a identificação - disse o telefone.
- Alô.
- Alô. Aqui é do corpo de bombeiros, aconteceu um acidente terrível de carro. Tem algum parente seu de carro fora de casa?
- Tenho sim. Tenho 15 - era mentira.
- 15?
- É, 15 parentes fora de casa.
- Da sua casa você tem 15?
- É.
- Então, aconteceu um acidente que envolveu 6 carros. Veja se você reconhece algum deles: corolla, vectra, corsa, astra, civic, clio e gol - eu não reconhecia.
- São 7.
- Isso, o acidente foi entre 7 carros.
- Olha, antes você tinha falado 6. Acho que você não sabe contar.
- Ah, eu não sei contar?... - ele tomou fôlego pra falar algo do tipo "Olh'aqui, eu vou matar não sei quem que eu seqüestrei", ou algo assim, mas ao invés disso:
- Tututu - disse o telefone, graças a mim.

domingo, outubro 22, 2006

Ninguém mais acredita n'Ele.

Era uma vez um homem com problemas de expressão. Ele era muito desenvoltado, muito do falador, do careteador, do expressionador. Mas era um palhaço, no fim das contas, já que só falava quando não precisava, e careteava e expressionava.

Quando realmente havia carecimento, apenas abria e fechava a boca, aflito. Mas era óbvio que não deixaria o aflitismo transparecer-se, então simplesmente abaixava a cabeça, abaixava a cabeça.

Sussurrava palavras surdas.

Ouvia palavras mudas.

"Como interpretar? Por que interpretar? O que dizer, como, como, ridículo!"

E assim passaram-se oportunidades a rodo. Sentia-se ardendo de querer poder mostrar que quer poder o tempo todo. Era muito famoso por não conseguir demonstrar o que queria poder demonstrar, e assim foi durante muito tempo, até que percebeu que as pessoas talvez já tivessem esquecido de tudo e achassem que ele estava simplesmente normal, que não havia mais ardor interno.

Faltava burburinho externo.

Faltava a água para avisar que o ar fugia blumbilhante pelo furo do pneu. "Mas qualquer um que se interessasse realmente pelo andar da carruagem perceberia muito facilmente que o pneu já está até murcho demais!", diria ele.

Talvez, talvez.

Mas ninguém liga. O pneu-menino não está incomodando, já que a carruagem está, infelizmente, parada.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Sobre ser ricardo.

Ricardo significa, em pós-grego-contemporâneo, "o detentor do segredo das esferas mais ínfimas", sendo, assim, nome tão significativo e poderoso.

Em hebraico-germânico, ricardo é "salvador das pátrias".

Em pré-hepúblico-soviético, o sentido é deveras profundo: "aquele que mantém".

Os radicais se estendem mais adiante - para trás -, chegando aos caros egípcios-pré-colombianos, para quem ricardo é, apenas, "o que não é pedro".

Apenas a título de obsevação, pedro significa "rijo como joão", em húngaro-hapocatílico.

Também nessa língua, ricardo significa "largo como uma rocha", o que conflita com a definição do aurélio-laroussiano, que diz: "ricardo - estreito como um rio".

É óbvio que pode ser uma rocha muito grande, ou um rio muito estreito, mas esses conceitos são tão antagônicos que, mesmo que façam sentidos juntos, mantêm-se em conflito.

Mas há um ricardo - sim, apenas um, ele foi escolhido pelo Criador para ser o único - que foge dessas banalizações idiotas, ignorando toda a etimologia de seu nome, assim como a riqueza histórica por trás de tudo.

Isso porque ele não se chama ricardo.

Chama-se Ricardo.
Que é anagrama de Criador.

terça-feira, outubro 10, 2006

Técnica.

Dificuldades técnicas são difíceis, ô se difíceis dificuldades.

domingo, outubro 01, 2006

Uma linda mulher.

- Eu não entendo, pra que isso?

Ela parecia indignada.
Qualquer observador diria que não é pra tanto!
Mas parecia e estava, e estando era coisa de se admirar, as sobrancelhas arqueadas, ângulos impossíveis. De fato ela era bela. Linda? Acho que não.

A moça continuou olhando, impassível, pro moço.
Qu'era eu.
Quisera eu que não fosse! Ah, que ingratidão das pessoas.

- É simples, você fica aqui a noite toda, eu pago.

O moço sorriu.
E não foi um sorriso canalha.

- Não acho ético ganhar por... por dormir com você. Assim, simplesmente dormir com você. Eu não durmo, eu transo. Eu trepo! Eu...

Ela abria muito a boca
como se quisesse engolir o mundo. Sinceramente, as milhões de variantes para "fazer sexo" não me interessam nem um pouco, não mesmo.

- Olha, eu quero que você me faça companhia. E eu farei companhia pra você! É uma... você... dama de companhia!

Ele parecia sofrer.
Isso podia se ver por minha expressão de cachorro-sem-dono. De fato eu sofria, ah, se sofria. Vocês todos deveriam saber quão duro é não ser entendido por absurdamente absoluto alguém nenhum.

- Qu'é isso, o mundo todo virou aficcionado por essa merda de Pritchi Uuman? Cara, mesmo que você me pague por hora...

Ela olhou para o relógio,
o que foi muito bonitinho, se me permitem dizer.
Os gestos humanos significam tão pouquinho, tão pouquinho, e... metáfora!

- Por favor. Eu juro que não sou nenhum maníaco.

Ele apertou forte a mão dela, olhos nos olhos.
Como dois homens de negócio.
E, como eu dizia, metáfora!

- Tudo bem... Mas me mostra o dinheiro já'gora.

Ela abriu um meio sorriso.
Patavinas.
Não entendo patavinas!

terça-feira, setembro 19, 2006

Osmose - um minuto de tod'a vida.

01.Noite - cama do apartamento - int

Lara e Fernanda deitadas com a barriga para cima, meia-luz.

Lara
Noite, já.

Fernanda
Bem noite, já.

Lara vira-se para Fernanda.

Lara
É... Tá com sono?

Fernanda
Não, não. Só meio...

Fernanda também se vira para Lara, muito próximas, de mãos dadas.

Fernanda (cont)
... meio mal.

Lara
Quer tomar um ar, andar um pouco?

Fernanda aperta a mão de Lara mais forte, aproxima-se mais um pouco e sorri.

Fernanda
Vamos! Vamos...

02.Noite - grande condomínio - ext

Ambas sentadas n'um banco ao lado de um poste, balançando as pernas e de mãos dadas.

03.Manhã - grande condomínio - ext

Ambas andando, Fernanda com braço sobre, Lara com braço sob.

04.Tarde - supermercado - int

Ambas sentadas n'um banco da pseudo-lanchonete, sem comida.

05.Noite - cama - int

Lara e Fernanda deitadas de bruços, meia-luz.

Fernanda
Noite, já.

Lara
Bem noite, é.

Fade out

FINIS.

terça-feira, setembro 12, 2006

Os mundos imundos.

Logo de começo, a voz fraca e quase imperceptível dEle soou, ressoou e dessoou, terminando assim toda a trajetória de seu manifesto. A pergunta era: Por que o mundo insiste em distorcer as coisas?

Mas isto não se trata do logo de começo e sim do de meio, e o de meio foi o seguinte: Ele olhou como se realmente visse, mas apenas observava de leve, absorto em pensamentos muito mais graves do que a tal visão da decaída do mundo. Os valores novos não eram errados, Ele havia os criado, mas a forma de implantação deles era muito da esquisita.

Mas de meio ninguém escutou seu manifesto, e se ninguém pudesse sorrir, sorriria. O mundo e todo mundo e ninguém são as mesmas coisas, pensou Ele, e tudo sempre vai pelo funil e fica tudo uma gororoba só, onde é que está a personalidade do mundo e dos mundos de cada pessoa?

Gritou a mesma coisa, a voz soou forte e poderosa, todos olharam para Ele, que triunfantemente sorriu. Então de fim, algo de curioso aconteceu: todo o mundo veio em direção a Ele, como um único rebanho, como massa, como água passando por um funil.

Logo de começo, a voz fraca e quase imperceptível dEle soou, ressoou e dessoou, terminando assim toda a trajetória de seu manifesto. A pergunta era: Por que o mundo insiste em distorcer as coisas?

quinta-feira, setembro 07, 2006

Manual d'as palavas e expressões em que não acredito:

Index

Introdução: A arte de increr ... pg 7
Honestidade ... pg 12
Inédito ... pg 15
Verdade ... pg 19
Razão ... pg 31
Submissão total ... pg 36
Filosofia ... pg 39
Política ... pg 40
Ordem Alfabética ... pg 62
Numerologia ... pg 69
Felicidade ... pg 71
Gênio ... pg 73
Escolha ... pg 76
Entretanto ... pg 84
Finalmente ... pg 89
Eu não sou preconceituoso ... pg 130
Ficção ... pg 131
Nacionalismo ... pg 144
Lógica ... pg 3

sexta-feira, setembro 01, 2006

Comentários acerca de blogs.

Bom, feliz dia dos blogs para todos os que blogueiam e mesmo assim têm coragem de ler isso aqui. Digo que estou muito feliz com a qualidade dos blogs que conheci recentemente, já que fiquei surpreso com a quantidade de literatura em blog encontrada.

Parabéns a todos que lutam para pensarem em posts diários e, bem, bons.

Já eu, sempre que me esforço para escrever uma vez ao dia, só escrevo lixo. Paciência.

E quase ia me esquecendo do texto de hoje - ontem -!

Mew, hj nohs tvmos a eleissaum pru gremiu, e a gnt ganhoh! Tp, agr nhs vamu dominah akela iskla! Daih a trd eu saih cum marxinhu (ti amuuuuu mlk!) i encontrei a patty (aff!!!) nu shops!! Tpw, q sako! ELa tah fikndo c/ pedru, mew, q raiva tbm!ms jah sei cmo q eu v fude com akla vdia!

ms foi mtotmotomtomto lekal u dia de hj!

ahhhh! i hj dia 31/80 eh u dia dos blogs! prbens pra mim i o ~~Vida* Loka~~!

segunda-feira, agosto 28, 2006

Aquele que eu escolheria.

Devo deixar claro a todos vocês que eu não sou exatamente um político político, já que nunca tive interesse algum em comandar uma nação, nem mesmo a minha.

Pois é, vocês perguntam a mim "Então por que diabos?" e eu respondo que não dá mais, eu não agüento: já tentei votar por legenda, por candidato, branco, nulo, etc. E nada, nenhuma mudança, nenhum resultado, satisfação zero.

Então veio meu companheiro com o seguinte papo: "Se quer que as coisas sejam diferentes, mude tudo, ora! Crie seu partido!".

Eu acabei criando, cá estou eu, enfim. Não pretendo roubar, não pretendo sacanear com vocês e nem nada do tipo, mas não garanto total honestidade minha, já que certamente serei constantemente ameaçado por todo tipo de empresas, pessoas e animais, e só vale ser presidente enquanto vivo.

Mas garanto que tentarei fazer algo, que defenderei os interesses gerais da nação, até porque meu partido ainda não tem uma identidade tão forte que ofusca qualquer idéia fora dela. Mas creio que também posso prometer-lhes que não rastejarei pelo voto de vocês e que espero apenas a colaboração de quem me entende verdadeiramente.

Ah, tinha mais coisa em pauta, mas o tempo pra partido pequeno é foda. Boa noite, eu sou Chico Abreu, zero zero.

sábado, agosto 26, 2006

Eis que sendo.

Peguei o papel, rápido, e comecei a rabiscar, rabiscar e rabiscar, como se escrevesse todos os livros já pelos homens.

Era uma história - estória, nos termos antigos - muito interessante, claro, mas fundamentalmente impactante, e era esse que eu passava para o papel, quase o rasgando com a voracidade inimaginável com que eu fazia minha tarefa.

Entretanto seca estava a caneta e tudo não valeu de nada.

Sentei para me acalmar, mas pulsava em minha cabeça e vivia, incrível. Deixei de lado e apenas pensei e imaginei, criei realmente toda e um universo.

Após doze horas, abri uma gaveta e achei outra caneta, desta vez com tinta.

Segurei ambos em minha mão e tentei retratar o que vi e senti.

Eis que quando foi, foi e não voltou mais.

Fiquei na mão.

Eis que si.

terça-feira, agosto 22, 2006

Uma presência, uma ciência e uma potência.

Pouca gente tem o privilégio de perceber que pode ser Deus com extrema facilidade e baraticidade.

Isso porque o requerido para tal transmutação positivadora é pura e simplesmente a tal da folha, o tal do papel ou, como bom raitéqui corporativo, o tal do computador pessoal.

O ato de se escrevinhar é, fundamentalmente, potente e tudo mais. Chego a concluir que todo narrador é onisciente e onipresente, apesar da crença insentida dos professores de redação e literatura e de estudiosos das tais narrativas de que os narradores podem ou não serem oni-eujádisse.

Pois bem, amplio minha raciocinação: toda pessoa que narra, que conta, é onisciente e onipresente, porque o revelado pelas palavras só mostra exatamente o que ela pode e quer mostrar, sendo tudo que há para se saber no universo criado por algum tempo graças aos esforços narradores da supracitada.

Sendo assim, finalmente, toda a forma do que é escrito vem do escrivinhador e ele é, por conseguinte, o mais alto senhor Onipotente da hestória que conta ou inventa.

Logo e não obstante, isso pode se aplicar para todos os textos proscritos por qualquer um, mas é óbvio que nem todos podem ser aplicados ao posterior à realidade sentidora das outras pessoas.

Além disso tudo, tudo é completo em qualquer produção de qualquer ser, já que se justif

terça-feira, agosto 15, 2006

- Ah, lembrei o que eu ia perguntar!

Faz quanto tempo você publicou aquele livro, mesmo?
- Qual?
- O Elevado a Três.
- Ah... Um ano e pouco, suponho. Chutaria três.
- Três?
- É, é. Um ano e três dias.
- Ainda ganha com o livro?
- Uai, conhecimento, experiências, essas coisas.
- Mas como? Relendo...?
- Não, sua besta. É óbvio que tudo que eu escrevi naquela época ainda me influencia, sendo verdade ou não atualmente. Ou até na época.
- Ah... E o dinheiro?
- Que tem?
- Ainda ganha algo?
- Eu já falei que eu ainda...
- De dinheiro!
- Como assim ainda?
- Se você...
- Cara, eu nunca ganhei dinheiro algum com esse livro.
- Por quê!?
- Minha mãe. Todo dinheiro ia e vai para ela, coitada, com um câncer absurdo. Mas como há esperanças, já viu, não consigo arredar o pé.
- E por que nunca me contou isso?
- É que... Sei lá, isso de ser altruísta não combina comigo...
- Putz, cara... Ah, legal que você use seu talento pr'uma coisa boa assim.
- Pois é.
- É.
- Bom...
- Sim...?
- Na verdade, a Editora só me paga se vender mais do que mil cópias, e... ahn, nunca vendi tanto assim.
- Nossa! Mas e como fica sua mãe, então?
- ...
- Nossa, deve ser duro...
- Cara, eu só estava brincando um pouquinho com você. Minha mãe morreu quando eu era bebê. Eu não ganho dinheiro algum e nunca ganhei simplesmente porque meu livro não vende, só isso.
- Cê tava me mentindo?
- É, mais ou menos.
- Viado.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Estrela, sobe estrela!

Essa é a história real minha de quando eu acabei com toda a população do planeta Marte de uma maneira muito maneira mesmo. Pode parecer mentira, mas eu ainda tenho o meu revólver aqui e ele tem até umas gotas prateadas adornando todo ele, muito legal mesmo.

É claro que essas gotas são o sangue do último marciano que eu matei com um tiro à queima-roupa, mesmo ele não tendo roupa pra queimar. Ele nem era cabeçudo, tinha mesmo uma cabeça pequenita menor que a minha e que realmente tinha um cérebro hiper-desenvolvido e que entendera que a Paz é a coisa mais suprema do universo e por isso deviam pregar isso por aí.

Pois preguei uma bala na cabeça dele pra provar que poder de fogo é melhor que o poder das palavras. Além disso, a voz dele era irritante. Mas eu já tinha arranjado os códigos pra usar a máquina de teletransporte antes com outro marciano amigo desse que eu matei, mas eu matei esse também. Claro que depois de arranjar os códigos, e ele era um alienígena bem bacana e divertido e zeloso, sempre pensando no meu bem-estar.

A verdade é que ele tinha que morrer também, mas esse eu joguei d’uma espécie de penhasco que escondia as fábricas de energia magmática do lugar, ou qualquer coisa do tipo. Eu tenho certeza que ele só me tratava tão bem porque ele me achava inferior que nem um animalzinho de estimação, e eu provei pra ele que era bobagem isso.

Mas minhas matanças foram só essa, porque pelo que eles me disseram era só isso de marciano que existia, e agora é zero zero zero nada. Se houvesse mais algum também esse algum estaria morto logo logo, porque quando eu joguei o cabecita no buraco fez um boom muito maneiro também que parece que ia explodir tudo e logo que eu saí eu ouvi um boooom maior ainda e pelo que vi no noticiário o planeta Marte explodiu todinho.

Eles que vieram me encher também lá em casa, aparecendo do nada no meu banheiro enquanto eu soltava o que devia ser solto, desgraçados tiveram o que mereceram já que aquele brilho nojento da teletransportação atrapalhou toda a minha concentração e me deixou cego por um tempo, tanto que como compensação eu obriguei os dois a me levarem pra casa deles pra eu conhecer, porque parece que eles vieram parar na minha casa sem querer e não queriam nada comigo.

Foi tudo muito divertido e eu queria dizer obrigado aos marcianos pela experiência única que eles me deram.

Observação 1: contato com alienígenas é prejudicial à saúde mental.
Observação 2:
http://sobrestrelas.blogspot.com/
http://sobestrelas.blogspot.com/

sábado, julho 29, 2006

Brindemos!

- Há motivo!

Há tempos que brindamos assim, o único brinde egocêntrico o suficiente para ser realmente válido. "Há motivo para eu estar brindando, assim como há motivo para você e para ele, e se for o mesmo motivo o de todos, tanto melhor".

- Quem dera houvesse motivo.

Mas hoje a Jô não está legal, não mesmo, mesmo assim brindamos novamente. Sempre há alguma coisa a se comemorar, a se torcer por, ou qualquer coisa do tipo. Tentamos:

- Há motivo sim, sua besta!

Ela olha como se quisesse "suicidar a todos nós", e realmente é esse o olhar, já que ela logo repete com palavras o que demonstra com a expressão facial.

- Eu se fosse vocês me matava. Vocês estão todos afundados na merda e ficam brindando aqui, nesse bar ridículo, com esses chopes gelados nesse frio também ridículo. Vão à merda, que não há merda de motivo algum!

A Jô levanta-se revoltada e vai-se, como se não soubéssemos das coisas ruins da vida e de como tudo vive caindo pro lado da bosta para se sujar um pouco. Não obstante, erguemos nossos chopes cheios de suor gotejante, sorrimos uns para os outros e, bem, é óbvio o que fizemos:

- Há motivo!

terça-feira, julho 18, 2006

- Boa viagem, Cidadão.