Falta qualquer coisa
na poesia
que apresento cá;
Não é métrica
nem Verdade,
Não é lírica
nem Vaidade,
Essas que não valem nada!
São menos do que sentir,
são menores que o real,
só persistem em surgir
a estragar o meu sarau!
Falta muita coisa
na apoplexia
que apresentei lá.
terça-feira, junho 05, 2007
sexta-feira, junho 01, 2007
Há'quela rebeldia nossa de cada tempo livre...
Rabisco aqui, em primeira pessoa e tudo, porque a impressão foi forte demais para ser contida dentro de mim.
Puta que pariu.
É incrível a completa, repleta, notável, empaspalhável, etceterável falta de habilidade dos "escritores"-autores de diversos blogs por aí.
"Todavia ainda há tempo
Muito pouco é verdade
Mas sei que olharas a mim
Espero que não sejastes tarde"
Puta que pariu.
É sério, só pode ser piada. Vai mais um trecho, só pra deixar mais claro o motivo de meu asco:
Não olhei sua boca
Pois sei que nao posso beijá-la
Não olhei sua pele
Que de tão bela me ipnotizou
Puta que pariu.
É incrível a completa, repleta, notável, empaspalhável, etceterável falta de habilidade dos "escritores"-autores de diversos blogs por aí.
"Todavia ainda há tempo
Muito pouco é verdade
Mas sei que olharas a mim
Espero que não sejastes tarde"
Puta que pariu.
É sério, só pode ser piada. Vai mais um trecho, só pra deixar mais claro o motivo de meu asco:
Não olhei sua boca
Pois sei que nao posso beijá-la
Não olhei sua pele
Que de tão bela me ipnotizou
quinta-feira, maio 31, 2007
domingo, maio 27, 2007
Prófase I.
Agora, ela só era capaz de tentar focar seu olhar sobre a caneca sobre o pires, insistentemente olhando para um ponto um pouco mais distante do que o que procurava. Além disso, tremia de leve, tentava saber de onde vieram aquelas memórias e porque haviam sumido.
Naquele dia, lembrara, duas pessoas morreram, e o telefone lhe contara mais coisas além das poucas palavras que lembrava, que se limitavam a... Como era horrível se lembrar da voz amorfa! Não era exatamente um som, era como se houvesse conversado com idéias em seu estado mais puro, algo verdadeiramente divino, como... Monera.
Conseguiu, neste momento, sorrir de si mesma e de suas loucuras. Não havia ela mesma inventado o terrível acidente e aquela temível voz, que a fez chorar tanto e sofrer tanto quanto um humano poderia chorar e sofrer? Pois talvez...
TRIIIIIIIIIIIIM...
Sentiu o frio percorrendo-a,
TRIIIIIIIIIIIIM...
Cerrou os punhos e os olhos com força,
TRIII...!
- Oi.
Ela atendeu o telefone apenas porque o toque fazia sua cabeça doer e não havia mais ninguém para atendê-lo. Temia, é fato, que fosse novamente a voz, que novamente ela matasse alguém, que...
- Monera? É Carlos... Você não aparecerá na reunião, não é? Aconteceu alguma coisa?
- Não, é que... Cá, eu... Olha, eu tô c'uma puta dor de cabeça, mal consigo me levantar...
- Ceeeerto... Olha, tudo de melhor pra você, então.
- Não, mas eu faço a minha parte, pode ter certeza! Eu juro que se precisarem...
- Se precisarem? - e riu - Você faz parte do grupo!
Ouviu-se o silêncio do outro lado, marcado pela respiração ofegante de Monera. Carlos se mexeu do outro lado do telefone, impaciente.
- Mona, cê tá muito mal?
- Você... fala... falou em... negrito e itálico...?
- Olha... Eu vou deixar você descansar. Depois a gente vê como a gente faz. Melhora, hein?
Cléquiti.
Tuu--tuu--tuu--tuu--Monera--minha--Monera--tuu--és--a--deusa--da--humanidade--.
--Aceite--tuu--tuu-tuu--se--e--ao--mundo-- Atenção, o número que você discou não está disponível, verifique se...
Cléquiti.
Monera tremia de frio, encolhida no chão. Não podia ser, ela realmente ouviu a voz, pôde tentar decifrar se era um homem ou uma mulher, novamente, sentiu-se invadida como antes. De olhos vidrados, levantou-se incerta, procurou a janela, colocou ambas as mãos no fecho e falhou miseravelmente tentando abri-la. Jorrava lágrimas, mas sabia o que via: a janela negava-se abrir para ela.
Monera bateu o punho na escrivaninha algumas vezes, fazendo voar aleatoriamente os papéis, que, como pára-quedistas, cairam por toda sala, que era também seu escritório e quarto. Um logo à sua frente, exuberava a seguinte frase, em Minion, tamanho 24:
"A ti permite-se apenas a observação do mundo deles, que são como tu, exatamente como tu, mas não deuses."
Ela ergueu seu braço, formando uma linda silhueta carregada de raiva, e o baixou com toda a fúria que possuía, acertando em cheio a folha, a maldita folha que se levava muito a sério, e 10 mil japoneses do outro lado do mundo, vítimas do terremoto repentino que acometeu a península.
Quebrou-se um osso da mão de Monera, no entanto.
Naquele dia, lembrara, duas pessoas morreram, e o telefone lhe contara mais coisas além das poucas palavras que lembrava, que se limitavam a... Como era horrível se lembrar da voz amorfa! Não era exatamente um som, era como se houvesse conversado com idéias em seu estado mais puro, algo verdadeiramente divino, como... Monera.
Conseguiu, neste momento, sorrir de si mesma e de suas loucuras. Não havia ela mesma inventado o terrível acidente e aquela temível voz, que a fez chorar tanto e sofrer tanto quanto um humano poderia chorar e sofrer? Pois talvez...
TRIIIIIIIIIIIIM...
Sentiu o frio percorrendo-a,
TRIIIIIIIIIIIIM...
Cerrou os punhos e os olhos com força,
TRIII...!
- Oi.
Ela atendeu o telefone apenas porque o toque fazia sua cabeça doer e não havia mais ninguém para atendê-lo. Temia, é fato, que fosse novamente a voz, que novamente ela matasse alguém, que...
- Monera? É Carlos... Você não aparecerá na reunião, não é? Aconteceu alguma coisa?
- Não, é que... Cá, eu... Olha, eu tô c'uma puta dor de cabeça, mal consigo me levantar...
- Ceeeerto... Olha, tudo de melhor pra você, então.
- Não, mas eu faço a minha parte, pode ter certeza! Eu juro que se precisarem...
- Se precisarem? - e riu - Você faz parte do grupo!
Ouviu-se o silêncio do outro lado, marcado pela respiração ofegante de Monera. Carlos se mexeu do outro lado do telefone, impaciente.
- Mona, cê tá muito mal?
- Você... fala... falou em... negrito e itálico...?
- Olha... Eu vou deixar você descansar. Depois a gente vê como a gente faz. Melhora, hein?
Cléquiti.
Tuu--tuu--tuu--tuu--Monera--minha--Monera--tuu--és--a--deusa--da--humanidade--.
--Aceite--tuu--tuu-tuu--se--e--ao--mundo-- Atenção, o número que você discou não está disponível, verifique se...
Cléquiti.
Monera tremia de frio, encolhida no chão. Não podia ser, ela realmente ouviu a voz, pôde tentar decifrar se era um homem ou uma mulher, novamente, sentiu-se invadida como antes. De olhos vidrados, levantou-se incerta, procurou a janela, colocou ambas as mãos no fecho e falhou miseravelmente tentando abri-la. Jorrava lágrimas, mas sabia o que via: a janela negava-se abrir para ela.
Monera bateu o punho na escrivaninha algumas vezes, fazendo voar aleatoriamente os papéis, que, como pára-quedistas, cairam por toda sala, que era também seu escritório e quarto. Um logo à sua frente, exuberava a seguinte frase, em Minion, tamanho 24:
"A ti permite-se apenas a observação do mundo deles, que são como tu, exatamente como tu, mas não deuses."
Ela ergueu seu braço, formando uma linda silhueta carregada de raiva, e o baixou com toda a fúria que possuía, acertando em cheio a folha, a maldita folha que se levava muito a sério, e 10 mil japoneses do outro lado do mundo, vítimas do terremoto repentino que acometeu a península.
Quebrou-se um osso da mão de Monera, no entanto.
sábado, maio 05, 2007
Intérfase I.
O fato é que Monera se esquecera daquilo com certa facilidade, auxiliada pelo suposto superego e dois anos de vida. Da mesma forma que não lembrava mais do irônico episódio da moto, a revelação de que era uma deusa foi renegada para cantinhos escuros e pouco visitados de seu cérebro. Entretanto, ela levava uma vida razoável, às vezes até divertida, e assim ia indo.
Ela acordou, cansadíssima e com a cabeça latejante, espreguiçou-se, foi ao banheiro, despiu-se num só movimento e abriu o registro, chuááá direto na sua cabeça. Mas estava tão cansada que não sentiu a água, não sentiu o frio costumeiro que logo é trocado pelo calor do chuveiro elétrico; em suma, não sentiu nada.
Passados alguns segundos, Monera percebeu que havia algo errado, já que a água insistia em evitá-la, em correr em torno de seu corpo sem realmente tocá-la, em fugir de sua pele como foge da gordura.
Ela deslizou pelo box, lembrou-se da moto, dos corpos e da voz.
Ela se molhou toda.
Em sua cabeça, zunia a mensagem artificial, autômata e anômala:
- Monera, minha Monera, tu és a deusa da Humanidade.
Ela acordou, cansadíssima e com a cabeça latejante, espreguiçou-se, foi ao banheiro, despiu-se num só movimento e abriu o registro, chuááá direto na sua cabeça. Mas estava tão cansada que não sentiu a água, não sentiu o frio costumeiro que logo é trocado pelo calor do chuveiro elétrico; em suma, não sentiu nada.
Passados alguns segundos, Monera percebeu que havia algo errado, já que a água insistia em evitá-la, em correr em torno de seu corpo sem realmente tocá-la, em fugir de sua pele como foge da gordura.
Ela deslizou pelo box, lembrou-se da moto, dos corpos e da voz.
Ela se molhou toda.
Em sua cabeça, zunia a mensagem artificial, autômata e anômala:
- Monera, minha Monera, tu és a deusa da Humanidade.
terça-feira, maio 01, 2007
O telefone tocava:
TRIIIIIIIIIIIIM... TRIIIIIIIIIIIIM... TRIII...!
- Oba.
Ela atendeu o orelhão apenas porque ele estava tocando e ninguém parecia disposto a atendê-lo. Agora, se dispunha a ouvir o barulho do silêncio d'outro lado.
- Diga lá, quem é?
- Alô, é você, não é?
Considerou um pouco, enquanto imaginava qual era o sexo daquela voz sem vibração e sem forma:
- Sim, sou eu.
- Ótimo. Preparada para aceitar o seu Destino - falou a voz em negrito e itálico.
- Haha, suponho que sim.
- Muito bom. Vê aquela pessoa quase a atravessar a avenida? Ela esqueceu a carteira no chão.
Ela, uma jovem chamada Monera, levantou os olhos à busca de uma pessoa e sua carteira. Alguns minutos a leste, viu um homem calvo, roupas sociais, atravessando com firmeza a avenida. Um pouco atrás dele, a peça de couro caída.
- Senhor, você deixou cair sua carteira! - gritou, num desespero desajeitado e despropositado.
Ele se virou, assustado, procurou com os olhos a voz que o gritou, então a sua carteira e, quando ia buscá-la, foi atropelado por uma moto em altíssima velocidade, cujo motorista, infeliz motorista desprevinido, foi catapultado e caiu de cabeça, descapacitando o pobre cérebro descapacetado.
Monera gritou e grudou-se ao telefone público, deslizou direto ao chão, querendo chorar e não conseguindo, abrindo e não fechando mais a boca.
A voz disse:
- Monera, minha Monera, tu és a deusa da Humanidade.
- Oba.
Ela atendeu o orelhão apenas porque ele estava tocando e ninguém parecia disposto a atendê-lo. Agora, se dispunha a ouvir o barulho do silêncio d'outro lado.
- Diga lá, quem é?
- Alô, é você, não é?
Considerou um pouco, enquanto imaginava qual era o sexo daquela voz sem vibração e sem forma:
- Sim, sou eu.
- Ótimo. Preparada para aceitar o seu Destino - falou a voz em negrito e itálico.
- Haha, suponho que sim.
- Muito bom. Vê aquela pessoa quase a atravessar a avenida? Ela esqueceu a carteira no chão.
Ela, uma jovem chamada Monera, levantou os olhos à busca de uma pessoa e sua carteira. Alguns minutos a leste, viu um homem calvo, roupas sociais, atravessando com firmeza a avenida. Um pouco atrás dele, a peça de couro caída.
- Senhor, você deixou cair sua carteira! - gritou, num desespero desajeitado e despropositado.
Ele se virou, assustado, procurou com os olhos a voz que o gritou, então a sua carteira e, quando ia buscá-la, foi atropelado por uma moto em altíssima velocidade, cujo motorista, infeliz motorista desprevinido, foi catapultado e caiu de cabeça, descapacitando o pobre cérebro descapacetado.
Monera gritou e grudou-se ao telefone público, deslizou direto ao chão, querendo chorar e não conseguindo, abrindo e não fechando mais a boca.
A voz disse:
- Monera, minha Monera, tu és a deusa da Humanidade.
segunda-feira, abril 30, 2007
Com sentimento:
[...]
- Foge de suas obrigações para escrever.
- Com que motivo diz isso?
- Largou tudo que devia fazer para escrever, esquecendo seus problemas imediatos e terrenos. Chama-se irresponsabilidade, isso.
- Compreendo.
- Volte a fazer o que você fazia.
- Certo.
[...]
- Por que ainda escreve?
- Cê me mandou voltar a fazer o que eu fazia.
- Hah, ótimo. E suas obrigações.
- Com elas, lido eu bem.
- Lida bem ignorando-as?
- Como me senti obrigado a escrever, escrevo. Caso me sinta obrigado a fazer as minhas outras obrigações, lá irei eu.
- Por acaso você vive de escrever?
- Claro.
[.]
- Foge de suas obrigações para escrever.
- Com que motivo diz isso?
- Largou tudo que devia fazer para escrever, esquecendo seus problemas imediatos e terrenos. Chama-se irresponsabilidade, isso.
- Compreendo.
- Volte a fazer o que você fazia.
- Certo.
[...]
- Por que ainda escreve?
- Cê me mandou voltar a fazer o que eu fazia.
- Hah, ótimo. E suas obrigações.
- Com elas, lido eu bem.
- Lida bem ignorando-as?
- Como me senti obrigado a escrever, escrevo. Caso me sinta obrigado a fazer as minhas outras obrigações, lá irei eu.
- Por acaso você vive de escrever?
- Claro.
[.]
quinta-feira, abril 26, 2007
O processo durou cerca de 3 segundos.
O processo durou cerca de 3 segundos, mas vivi 25 anos naquele instante. Os conectores neurais nas têmporas, os injetores nas veias e o fluido libertador por todo o corpo, por todo o cérebro, por toda a rede neural, pelo lobo temporal medial, pelo diencéfalo, por toda a minha vida.
Após toda a minha vida, voltei para o instante imediatamente anterior àquilo, quando ainda estivera a vestir meu uniforme colante e roxo, resistente como uma armadura, mas leve como um uniforme colante. Fora difícil colocar a roupa, já imaginara o desafio impossível que viria pela frente.
- Lembre-se - começara Marcos - lembre-se de que você enfrentará um inimigo inexistente, mas mais real do que todos nós. Lembre-se de que o que você enfrenta é uma Idéia, Leon.
- Por que o uniforme, então? - eu perguntara.
- Você pode cair - ele apertara minha mão com força - você pode morrer, sabe-se lá o que pode acontecer consigo, mas acreditamos em você, acreditamos todos em você.
- Você acharia graça se eu dissesse que isso tudo me parece um grande e desconfortável déjà vu, como se toda a minha vida eu tivesse vivido este momento.
- Claro que não acharia.
Então, ele ligara os fios à minha cabeça e tudo o mais a meu corpo, em seguida a máquina e novamente e novamente.
Abri os olhos e fui lançado do prédio. Senti o ar voando ao meu redor, acelerando constantemente, aproximadamente dez metros por segundo por segundo, e mais rápido e, finalmente, parei no ar e me equilibrei, de pé. Meu córtex pré-motor queimava enquanto tentava ajustar minha visão, estudava meus movimentos e procurava os dela.
Buscava minha adversária, a Idéia.
Toda a cabeça doía, latejava. Todo o hemisfério direito em chamas, o esquerdo lutando para sobreviver, quando fui finalmente antingido por meu adversário, sendo arremessado por quase 200 metros. Destruí dois prédios ao cair, mas agora eu sabia onde ela estava, e talvez até como abordá-la.
Preparei uma implosão remota de nível 3, mirei vagamente e disparei, e o fato que se seguiu foi nada, a Idéia não estava mais lá. Tentei desesperado a concussão circunferencial, mas apenas as construções responderam ao meu ataque. Foi então que eu senti o mundo se mover logo ao meu lado e acertei um belo chute na minha adversária invisível.
Ouvi Marcos gritando "Isso mesmo!", mas não soube se aquilo era passado, presente ou futuro, de tal forma que ignorei, focando-me no alvo que não sabia onde estava. Mas estava, e a sociedade dependia de mim para parar a Idéia. A criatura já destruíra civilizações inteiras, mas podia ser parada por meu cérebro lotado de drogas, por minha força de vontade viciada, quiçá por meu corpo enferrujado.
Eu flutuava nos céus, ao mesmo tempo que era um gigante com os pés no chão, ao mesmo tempo que era uma estrutura atômico-molecular de dimensões continentais, cada movimento meu era todo o Mundo, eu era o anticorpo, ela era a infecção, o antígeno, o vírus que pretendia destruir o universo.
A Idéia avançou contra mim, acertou-me diversos golpes no abdômen, derrubando mais dezenas de prédios enquanto me empurrava para trás. Desejei que ela parasse, ela parou, senti que era a hora de acabar de uma vez por todas com tudo aquilo. Abri os braços e fechei os olhos, gritei apenas por costume e, instantes depois, talvez apenas 3 segundos, sentia toda a Idéia fluindo pelo meu corpo, enclausurada no meu cérebro, fluindo por toda a rede neural, pelo rádio, pelos sesamóides e pela tinta.
Após toda a minha vida, voltei para o instante imediatamente anterior àquilo, quando ainda estivera a vestir meu uniforme colante e roxo, resistente como uma armadura, mas leve como um uniforme colante. Fora difícil colocar a roupa, já imaginara o desafio impossível que viria pela frente.
- Lembre-se - começara Marcos - lembre-se de que você enfrentará um inimigo inexistente, mas mais real do que todos nós. Lembre-se de que o que você enfrenta é uma Idéia, Leon.
- Por que o uniforme, então? - eu perguntara.
- Você pode cair - ele apertara minha mão com força - você pode morrer, sabe-se lá o que pode acontecer consigo, mas acreditamos em você, acreditamos todos em você.
- Você acharia graça se eu dissesse que isso tudo me parece um grande e desconfortável déjà vu, como se toda a minha vida eu tivesse vivido este momento.
- Claro que não acharia.
Então, ele ligara os fios à minha cabeça e tudo o mais a meu corpo, em seguida a máquina e novamente e novamente.
Abri os olhos e fui lançado do prédio. Senti o ar voando ao meu redor, acelerando constantemente, aproximadamente dez metros por segundo por segundo, e mais rápido e, finalmente, parei no ar e me equilibrei, de pé. Meu córtex pré-motor queimava enquanto tentava ajustar minha visão, estudava meus movimentos e procurava os dela.
Buscava minha adversária, a Idéia.
Toda a cabeça doía, latejava. Todo o hemisfério direito em chamas, o esquerdo lutando para sobreviver, quando fui finalmente antingido por meu adversário, sendo arremessado por quase 200 metros. Destruí dois prédios ao cair, mas agora eu sabia onde ela estava, e talvez até como abordá-la.
Preparei uma implosão remota de nível 3, mirei vagamente e disparei, e o fato que se seguiu foi nada, a Idéia não estava mais lá. Tentei desesperado a concussão circunferencial, mas apenas as construções responderam ao meu ataque. Foi então que eu senti o mundo se mover logo ao meu lado e acertei um belo chute na minha adversária invisível.
Ouvi Marcos gritando "Isso mesmo!", mas não soube se aquilo era passado, presente ou futuro, de tal forma que ignorei, focando-me no alvo que não sabia onde estava. Mas estava, e a sociedade dependia de mim para parar a Idéia. A criatura já destruíra civilizações inteiras, mas podia ser parada por meu cérebro lotado de drogas, por minha força de vontade viciada, quiçá por meu corpo enferrujado.
Eu flutuava nos céus, ao mesmo tempo que era um gigante com os pés no chão, ao mesmo tempo que era uma estrutura atômico-molecular de dimensões continentais, cada movimento meu era todo o Mundo, eu era o anticorpo, ela era a infecção, o antígeno, o vírus que pretendia destruir o universo.
A Idéia avançou contra mim, acertou-me diversos golpes no abdômen, derrubando mais dezenas de prédios enquanto me empurrava para trás. Desejei que ela parasse, ela parou, senti que era a hora de acabar de uma vez por todas com tudo aquilo. Abri os braços e fechei os olhos, gritei apenas por costume e, instantes depois, talvez apenas 3 segundos, sentia toda a Idéia fluindo pelo meu corpo, enclausurada no meu cérebro, fluindo por toda a rede neural, pelo rádio, pelos sesamóides e pela tinta.
domingo, abril 15, 2007
terça-feira, abril 10, 2007
Diz per disse.
Pode ser que a cada palavra roubada da natureza aproximemo-nos mais do fim do vocabulário;
Pode ser que haja um desperdício tremendo de palavras no mundo;
Pode ser que o uso da escrita tenha que ser consciente, fechar a torneira das idéias e colher apenas o necessário;
Talvez seja insustentável a situação atual;
Talvez todos tenhamos que buscar um desenvolvimento sustentável da trama, dos livros, do romance;
Talvez escreva contos simplesmente porque romances gastariam muitas palavras, possivelmente chegando a um resultado ruim;
Quem sabe a salvação do mundo esteja na frase:
"Menos palavras [...]".
Pode ser que haja um desperdício tremendo de palavras no mundo;
Pode ser que o uso da escrita tenha que ser consciente, fechar a torneira das idéias e colher apenas o necessário;
Talvez seja insustentável a situação atual;
Talvez todos tenhamos que buscar um desenvolvimento sustentável da trama, dos livros, do romance;
Talvez escreva contos simplesmente porque romances gastariam muitas palavras, possivelmente chegando a um resultado ruim;
Quem sabe a salvação do mundo esteja na frase:
"Menos palavras [...]".
sexta-feira, abril 06, 2007
Desminto!
A moça com walkie-talkie se aproximou:
- Senhor, você se incomoda de outra pessoa se sentar com você?
- Não, não, claro - sorri para meu prato.
Outra pessoa sentou-se a minha frente, munida de bandeja, prato e talheres, exatamente como eu. Desviei pouco meu olhar, então quase não observei o rosto da mulher - foi uma mulher que se sentou.
Garfada foi e veio, eu quase acabava, acabava-me de comer numa segunda-feira, no horário infernal de almoço em um shopping ainda mais infernal, barulho e pessoas em excesso. Minha recém-adquirida companhia, entretanto, estava quieta; arrisquei olhar para frente, de leve, com o rosto virado para baixo.
Ela encontrou meus olhos e sorriu, e antes que eu fugisse, falou:
- Já nos conhecemos, não é?
Ergui-me mais um pouco, tentei sorrir de leve, ser simpático ou não-antipático:
- Eu tenho certeza que não te conheço.
Aproximou-se.
- Você é famoso, não é?
Levantei completamente minha cabeça, olhando-a agora realmente nos olhos.
- Não, imagino que não.
- Qual é seu nome?
- Pablo, Pablo. O seu?
- Sou Carolina; e você não combina com o nome Pablo, parece-me outra coisa...
Dei de ombros, fechei os olhos, coloquei na boca a última garfada, mastiguei e mastiguei, então engoli e finalmente a focalizei de novo.
- Chamo-me Carlos.
- Claro, Carlos! Muito mais a sua cara; Carlos, Carlos... Você é famoso, não é?
- Pelo contrário, sou desconhecido. Nem mesmo eu me conheço!
- Mente seu nome, provavelmente se esconde para evitar assédio.
- Não, não, claro que não. Evito usar meu nome para não me tornar um personagem de minhas próprias histórias; sou apenas precavido.
Caroline cerrou o cenho, afastou-se e aproximou-se novamente:
- Você é aquele escritor-detetive, que fica em um apartamento vigiando o outro, enquanto o outro vigia você, numa espionagem cíclica, infinita e destrutiva? É o sr. Blue.
- Não, claro que não.
- Quem é, então?
Levantei-me, peguei a bandeja e coloquei-a em cima do lixo, empilhada sobre algumas outras. Tratei de não procurar Carol com os olhos, tratei de enfiar os rabos entre a perna, tratei de sumir daquela luz amarelada e do cheiro de fastfood no ar.
Ignorando o ódio que meu personagem sentia por Carla, fingi que tudo aquilo nunca aconteceu.
- Senhor, você se incomoda de outra pessoa se sentar com você?
- Não, não, claro - sorri para meu prato.
Outra pessoa sentou-se a minha frente, munida de bandeja, prato e talheres, exatamente como eu. Desviei pouco meu olhar, então quase não observei o rosto da mulher - foi uma mulher que se sentou.
Garfada foi e veio, eu quase acabava, acabava-me de comer numa segunda-feira, no horário infernal de almoço em um shopping ainda mais infernal, barulho e pessoas em excesso. Minha recém-adquirida companhia, entretanto, estava quieta; arrisquei olhar para frente, de leve, com o rosto virado para baixo.
Ela encontrou meus olhos e sorriu, e antes que eu fugisse, falou:
- Já nos conhecemos, não é?
Ergui-me mais um pouco, tentei sorrir de leve, ser simpático ou não-antipático:
- Eu tenho certeza que não te conheço.
Aproximou-se.
- Você é famoso, não é?
Levantei completamente minha cabeça, olhando-a agora realmente nos olhos.
- Não, imagino que não.
- Qual é seu nome?
- Pablo, Pablo. O seu?
- Sou Carolina; e você não combina com o nome Pablo, parece-me outra coisa...
Dei de ombros, fechei os olhos, coloquei na boca a última garfada, mastiguei e mastiguei, então engoli e finalmente a focalizei de novo.
- Chamo-me Carlos.
- Claro, Carlos! Muito mais a sua cara; Carlos, Carlos... Você é famoso, não é?
- Pelo contrário, sou desconhecido. Nem mesmo eu me conheço!
- Mente seu nome, provavelmente se esconde para evitar assédio.
- Não, não, claro que não. Evito usar meu nome para não me tornar um personagem de minhas próprias histórias; sou apenas precavido.
Caroline cerrou o cenho, afastou-se e aproximou-se novamente:
- Você é aquele escritor-detetive, que fica em um apartamento vigiando o outro, enquanto o outro vigia você, numa espionagem cíclica, infinita e destrutiva? É o sr. Blue.
- Não, claro que não.
- Quem é, então?
Levantei-me, peguei a bandeja e coloquei-a em cima do lixo, empilhada sobre algumas outras. Tratei de não procurar Carol com os olhos, tratei de enfiar os rabos entre a perna, tratei de sumir daquela luz amarelada e do cheiro de fastfood no ar.
Ignorando o ódio que meu personagem sentia por Carla, fingi que tudo aquilo nunca aconteceu.
quarta-feira, março 28, 2007
Sorria, jeje.
Encarava-me o sorriso dela, gigantesco e chamativo. É seu atributo mais notável, pensei, enquanto tentava pensar no que pensar.
Vejam o que eu via: ela de pernas abertas, nua, e lá estava o sorriso, gigantesco e chamativo, encarando-me.
Percebem? Eu a via por baixo e havia um sorriso enorme logo acima do que deveria chamar minha atenção, e ele era chamativo, encarava-me gigantesco.
Era isso que eu pensava, falando com meus outros eus. Tentava "engolir" aquela boca esquisita, dentes a mostra, esquisitamente feliz e logo lá, logo ao lado. Por que o sorriso?
Por que um sorriso?
Por que diabos um sorriso tatuado logo acima de sua xoxota no lugar dos tradicionais pelinhos?
Por que sorri, meu amor?
Vejam o que eu via: ela de pernas abertas, nua, e lá estava o sorriso, gigantesco e chamativo, encarando-me.
Percebem? Eu a via por baixo e havia um sorriso enorme logo acima do que deveria chamar minha atenção, e ele era chamativo, encarava-me gigantesco.
Era isso que eu pensava, falando com meus outros eus. Tentava "engolir" aquela boca esquisita, dentes a mostra, esquisitamente feliz e logo lá, logo ao lado. Por que o sorriso?
Por que um sorriso?
Por que diabos um sorriso tatuado logo acima de sua xoxota no lugar dos tradicionais pelinhos?
Por que sorri, meu amor?
terça-feira, março 27, 2007
A Odisséia desprecavida!
"Pois é, parece que estamos namorando..."
"Oba."
"E agora?"
"Agora? Agora já não estamos mais."
:)
Nunca contei para ninguém, mas os experimentados já devem saber, que é muito mais fácil escrever do que ler. Hoje, qualquer um escreve,
quantos lêem? Quantos dos que se julgam autores realmente lêem? É lamentável, mas conheço pessoas que se julgam capazes de escrever sem que tenham lido nada nos últimos xis meses. Daria até para fazer uma metáfora, mas
"Oba."
"E agora?"
"Agora? Agora já não estamos mais."
:)
Nunca contei para ninguém, mas os experimentados já devem saber, que é muito mais fácil escrever do que ler. Hoje, qualquer um escreve,
quantos lêem? Quantos dos que se julgam autores realmente lêem? É lamentável, mas conheço pessoas que se julgam capazes de escrever sem que tenham lido nada nos últimos xis meses. Daria até para fazer uma metáfora, mas
quinta-feira, março 22, 2007
Com texto, sem táxi;
[...]
- Que é que resta para nós, Sr. Dubin?
O velho Dubin meio-sorriu, como sempre fez naquelas ocasiões.
- Só o de sempre, algumas poucas linhas para completarmos nossa história.
Chovia, e a calça dos dois ensopava-se com o pingar e respingar das gordas gotas.
- Mas o fim será assim? Um fim fechado, limitado e sem qualquer chance de continuidade?
Dubin sabia o que diria, mas, mesmo assim, hesitou:
- É o fim, no máximo haverá outros começos.
Os lábios afrouxaram.
- Você... Podemos terminar juntos?
- Claro, meu amor.
Qualquer um poderia ver - qualquer um não viu - como os olhos de Dubin eram sinceros e, ainda assim, tristes.
- Então...
A porta do carro branco se abriu, Dubin que a abriu, ela entrou - olhou-o de esguelha antes - e, então, ele fechou-a com ternura.
- Que é que resta para nós, Sr. Dubin?
O velho Dubin meio-sorriu, como sempre fez naquelas ocasiões.
- Só o de sempre, algumas poucas linhas para completarmos nossa história.
Chovia, e a calça dos dois ensopava-se com o pingar e respingar das gordas gotas.
- Mas o fim será assim? Um fim fechado, limitado e sem qualquer chance de continuidade?
Dubin sabia o que diria, mas, mesmo assim, hesitou:
- É o fim, no máximo haverá outros começos.
Os lábios afrouxaram.
- Você... Podemos terminar juntos?
- Claro, meu amor.
Qualquer um poderia ver - qualquer um não viu - como os olhos de Dubin eram sinceros e, ainda assim, tristes.
- Então...
A porta do carro branco se abriu, Dubin que a abriu, ela entrou - olhou-o de esguelha antes - e, então, ele fechou-a com ternura.
FIM
domingo, março 18, 2007
Merecimentos e preconceitos.
Toda mulher merece um homem mais alto que ela mesma.
Todo homem merece uma mulher mais magra que ele mesmo.
Não importa o que se quer dizer, mas sim o que se diz.
Todo homem merece uma mulher mais magra que ele mesmo.
Não importa o que se quer dizer, mas sim o que se diz.
segunda-feira, março 12, 2007
A verdade e o saco de arroz.
Os grilhos dos grilhões da vida que não é tão pouca só pode ser protumberante se o pouco for também polka.
Se seguir o que aqui digo, sua vida professional e afetiva surgem como a oportunidade que deve ser buscada e, assim, o alcance estará a seu sucesso.
Já eu, sou a sombra.
Se seguir o que aqui digo, sua vida professional e afetiva surgem como a oportunidade que deve ser buscada e, assim, o alcance estará a seu sucesso.
Já eu, sou a sombra.
terça-feira, março 06, 2007
O garoto, a pipa e os bestsellers.
Lilo Rastros era um garoto absolutamente normal, que gostava de brincar e brincar, além de descansar e pintar desenhos. Os videogueimes não o interessavam demais, preferia a televisão.
Há uma falha narrativa aí, logo no começo. Se digo que ele era normal, é óbvio que algo de anormal acontecerá ou ele se tornará um pânque.
Tudo ia bem para Lilo Rastros até o dia em que se sentou em sua cadeira, logo à frente de sua escrivaninha, e sorriu para um papel em branco. Segurava o lápis confiante e encarava os olhos da folha, tanto desafiador como convidativo. Riscou, riscou e riscou.
Após terminar o que fazia, alargou mais o sorriso, enxugou o suor de sua testa como pôde e andou desajeitado com a folha até sua mãe, triunfante. Tropeçou três vezes, como se houvesse desaprendido a andar.
- Mãe, mãe, olha que eu fiz!
A mãe estava ocupada lavando a louça. Passaram-se alguns minutos.
- Oi, oi. É um desenho?
- É!
- Deixa a mãe dar uma olhada...
Ela agachou, também sorrindo. Pegou o papel e observou perplexamente. Fechou o sorriso.
- Que é isso?
- Não sei! Eu desenhei hoje!
- Como você desenhou isso?
- Eu o lápis, daí...
A mãe franziu o cenho, suspirou e levantou-se.
- Olha, não mente mais para a mãe. Eu sei que isso não é seu!
- É meu, eu desenhei!
- Não foi você que desenhou isso, filho! Onde você arranjou isso?
- Eu desenhei!
As linhas circulares do rosto de Lilo tornaram-se ésses, até zês. Chorou e chorou. A mãe bateu na bunda dele por não assumir a culpa e os anos trataram de esquecer isso tudo.
O desenho dizia, completamente legível e caligráfico:
"Havia uma bactéria. Lá estava ela, infectando a comida do menino, que a comeu junto com o hot-dog. A bactéria então fez seu caminho padrão e lá ficou, provocando distúrbios, até que outra bactéria maior, que viera de uma cápsula conhecida como Floratil, começou a comer a comida que a bactéria inicial pretendia comer. Então a bactéria inicial morreu de fome e foi cagada em jato. A outra bactéria não parecia causar mal algum para o intestino do moleque e, por isso, ficou lá numa boa. Isso até o moleque morrer e ela começar a comê-lo todo."
Há uma falha narrativa aí, logo no começo. Se digo que ele era normal, é óbvio que algo de anormal acontecerá ou ele se tornará um pânque.
Tudo ia bem para Lilo Rastros até o dia em que se sentou em sua cadeira, logo à frente de sua escrivaninha, e sorriu para um papel em branco. Segurava o lápis confiante e encarava os olhos da folha, tanto desafiador como convidativo. Riscou, riscou e riscou.
Após terminar o que fazia, alargou mais o sorriso, enxugou o suor de sua testa como pôde e andou desajeitado com a folha até sua mãe, triunfante. Tropeçou três vezes, como se houvesse desaprendido a andar.
- Mãe, mãe, olha que eu fiz!
A mãe estava ocupada lavando a louça. Passaram-se alguns minutos.
- Oi, oi. É um desenho?
- É!
- Deixa a mãe dar uma olhada...
Ela agachou, também sorrindo. Pegou o papel e observou perplexamente. Fechou o sorriso.
- Que é isso?
- Não sei! Eu desenhei hoje!
- Como você desenhou isso?
- Eu o lápis, daí...
A mãe franziu o cenho, suspirou e levantou-se.
- Olha, não mente mais para a mãe. Eu sei que isso não é seu!
- É meu, eu desenhei!
- Não foi você que desenhou isso, filho! Onde você arranjou isso?
- Eu desenhei!
As linhas circulares do rosto de Lilo tornaram-se ésses, até zês. Chorou e chorou. A mãe bateu na bunda dele por não assumir a culpa e os anos trataram de esquecer isso tudo.
O desenho dizia, completamente legível e caligráfico:
"Havia uma bactéria. Lá estava ela, infectando a comida do menino, que a comeu junto com o hot-dog. A bactéria então fez seu caminho padrão e lá ficou, provocando distúrbios, até que outra bactéria maior, que viera de uma cápsula conhecida como Floratil, começou a comer a comida que a bactéria inicial pretendia comer. Então a bactéria inicial morreu de fome e foi cagada em jato. A outra bactéria não parecia causar mal algum para o intestino do moleque e, por isso, ficou lá numa boa. Isso até o moleque morrer e ela começar a comê-lo todo."
domingo, março 04, 2007
Um pouco de culpa nossa, todos os dias.
Eu não amo nem desando, sei que estou errado e por isso mesmo acerto.
Você nunca pedirá desculpas.
Você é orgulho puro.
Eu a odeio, mãe.
Você nunca pedirá desculpas.
Você é orgulho puro.
Eu a odeio, mãe.
domingo, fevereiro 11, 2007
Insônia.
Escrevo tomado pela insônia e, após muito tempo, usando o eu lírico "eu de verdade". Oi, gente, aqui quem fala sou eu! Oba. Para quem não está familiarizado, meu nome é Ricardo Koiti e tenho como sobrenomes Abreu Miyada. Atualmente sou um escritor insone. Era para eu estar dormindo, eu tentei e tinha sono, mas não rolou.
Lá vamos nós dissertar sobre o problema da insônia:
O problema da insônia, para mim, não é a insônia em si, mas as conseqüências no dia seguinte. Cansaço, dor de cabeça, sono, sonhos, essas coisas bestas. Ficar acordado é bacana, até mesmo quando queremos dormir, mas o dia seguinte estraga tudo. Ou, na maioria dos casos, o mesmo dia.
É, eu sei, vocês dormem 2 horas por dia ou mesmo 1 e ficam se gabando. Ok, ok, legal. Respeitem esse pobre que tem que gastar um terço de sua vida dormindo para ficar bem. Hah, e lá vai o que eu poderia ter dito:
O sono não vem; ou já se foi. Na busca de algo para fazer enquanto não consigo adormecer, tamborilo sobre o criado-mudo. Curiosamente, ele responde com toc-toc's e espanta mais ainda meu sono. Resta-me apenas levantar e ir até meu companheiro, o computador, e tamborilar sobre suas teclas. Ao invés dos toc-toc's, recebo de volta tec-tec's prazerosos conforme o texto surge na tela. Aperto Enter algumas vezes, espaço noutras, digito letras, distribuo caracteres diligentemente. Infelizmente, estou mais ativo do que nunca, lúcido logo na hora na qual devia desligar minha racionalidade e apagar. Enter, enter, publicar. Ouço o computador gemer delicadamente conforme acaricio suas teclas, Salvar, Nova Pasta, Novo, novo, de novo.
Termino o que pretendia fazer, mas falta algo. Não sinto o sono que vem logo após o gozo, não sinto a vontade de sorrir por minha vitória e me jogar de lado no chão, esperando meu corpo se recuperar. Não posso descansar, tenho que satisfazer o computador e sua sede de palavras. Tenho que satisfazer meus dedos, ávidos por mais téc-téc's. Fecho os olhos e digito no escuro, tentando escrever cada ve z mais rápido, dem prestsr atenção apenas o téc-tec conti´nuo e veradeorp., aqieçe qie vcpnrora tpda a ,omja aç,a e, finalmente, chega a verdade da confusão calma que é estar de olhos cerrados.
Lá vamos nós dissertar sobre o problema da insônia:
O problema da insônia, para mim, não é a insônia em si, mas as conseqüências no dia seguinte. Cansaço, dor de cabeça, sono, sonhos, essas coisas bestas. Ficar acordado é bacana, até mesmo quando queremos dormir, mas o dia seguinte estraga tudo. Ou, na maioria dos casos, o mesmo dia.
É, eu sei, vocês dormem 2 horas por dia ou mesmo 1 e ficam se gabando. Ok, ok, legal. Respeitem esse pobre que tem que gastar um terço de sua vida dormindo para ficar bem. Hah, e lá vai o que eu poderia ter dito:
O sono não vem; ou já se foi. Na busca de algo para fazer enquanto não consigo adormecer, tamborilo sobre o criado-mudo. Curiosamente, ele responde com toc-toc's e espanta mais ainda meu sono. Resta-me apenas levantar e ir até meu companheiro, o computador, e tamborilar sobre suas teclas. Ao invés dos toc-toc's, recebo de volta tec-tec's prazerosos conforme o texto surge na tela. Aperto Enter algumas vezes, espaço noutras, digito letras, distribuo caracteres diligentemente. Infelizmente, estou mais ativo do que nunca, lúcido logo na hora na qual devia desligar minha racionalidade e apagar. Enter, enter, publicar. Ouço o computador gemer delicadamente conforme acaricio suas teclas, Salvar, Nova Pasta, Novo, novo, de novo.
Termino o que pretendia fazer, mas falta algo. Não sinto o sono que vem logo após o gozo, não sinto a vontade de sorrir por minha vitória e me jogar de lado no chão, esperando meu corpo se recuperar. Não posso descansar, tenho que satisfazer o computador e sua sede de palavras. Tenho que satisfazer meus dedos, ávidos por mais téc-téc's. Fecho os olhos e digito no escuro, tentando escrever cada ve z mais rápido, dem prestsr atenção apenas o téc-tec conti´nuo e veradeorp., aqieçe qie vcpnrora tpda a ,omja aç,a e, finalmente, chega a verdade da confusão calma que é estar de olhos cerrados.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
N'arte.
O amor na arte, o desejo na arte, o ódio na arte. As pessoas insistem em ficar tratando desses temas idiotas e retrógrados quando querem ser "artísticos". Ah, cacete, que chatice! Vou começar uma nova arte exatamente agora, livre desses sentimentos "humanos" inexistentes que vivem querendo povoar as coisas dos outros. Lá vai:
"Havia uma bactéria. Lá estava ela, infectando a comida do menino, que a comeu junto com o hot-dog. A bactéria então fez seu caminho padrão e lá ficou, provocando distúrbios, até que outra bactéria maior, que viera de uma cápsula conhecida como Floratil, começou a comer a comida que a bactéria inicial pretendia comer. Então a bactéria inicial morreu de fome e foi cagada em jato. A outra bactéria não parecia causar mal algum para o intestino do moleque e, por isso, ficou lá numa boa. Isso até o moleque morrer e ela começar a comê-lo todo."
Uau, isso sim é literatura!
"Havia uma bactéria. Lá estava ela, infectando a comida do menino, que a comeu junto com o hot-dog. A bactéria então fez seu caminho padrão e lá ficou, provocando distúrbios, até que outra bactéria maior, que viera de uma cápsula conhecida como Floratil, começou a comer a comida que a bactéria inicial pretendia comer. Então a bactéria inicial morreu de fome e foi cagada em jato. A outra bactéria não parecia causar mal algum para o intestino do moleque e, por isso, ficou lá numa boa. Isso até o moleque morrer e ela começar a comê-lo todo."
Uau, isso sim é literatura!
domingo, fevereiro 04, 2007
Raised the Three!
Attention: the tenuous line between truth and more truth is in the source.
Raised the Three
Raised the Three
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Chegue, Chega.
Carlos na cadeira. Detalhe na porta. Carlos olha fixamente. Detalhe na pequena fresta da porta, chão sujo. Carlos observa, com um livro na mão. Crime e Castigo. Carlos com o livro aberto. Carlos com o livro fechado. Detalhe na porta. Carlos observa fixamente. Passos. Carlos pisca. Passos. Carlos se inclina. Passos, passos. Carlos se levanta. Detalhe na fresta, carta no chão. Carlos vê fixamente, de pé. Detalhe na carta. Sedex. Carlos sua. Detalhe nos pés descalços de Carlos. Carlos se abaixa. Detalhe na mão de Carlos, pegando a carta. Carlos leva a carta para perto de seu rosto. Carlos coloca a mão no bolso. Detalhe na carta. Detalhe no isqueiro em movimento. Detalhe na chama. Detalhe na carta ardendo em chamas e o plástico do invólucro gotejando. Detalhe no chão. Carlos engole em seco. Detalhe na cadeira. Carlos se senta.
FIM
FIM
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Perfil.
Arquivado: dia 29/01/07
"Eu busco conhecimento.
Re-conhecimento.
Senhecimento.
Chega de cimento, chega!
Mas a vida no campo não compensa. Por isso, só posso dizer: Dê-me sua boca, apenas por alguns instantes. É importante e não será nad'e'mal.
Não! Não me dê as costas!
Filha da puta."
Arquivado: dia 04/02/07
"Vi a mulher mais linda do mundo logo lá, no metrô. Perfeita."
"Eu busco conhecimento.
Re-conhecimento.
Senhecimento.
Chega de cimento, chega!
Mas a vida no campo não compensa. Por isso, só posso dizer: Dê-me sua boca, apenas por alguns instantes. É importante e não será nad'e'mal.
Não! Não me dê as costas!
Filha da puta."
Arquivado: dia 04/02/07
"Vi a mulher mais linda do mundo logo lá, no metrô. Perfeita."
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Fuja.
- Então você veio mesmo.
Pedro estava deitado confortavelmente em sua cama, olhando para o ar logo a sua frente, poucos metros adiante. Havia nada, mas havia também um menino nu, olhando fixamente para ele.
- Então você pode me ver.
- Hah, esperava algo diferente?
- As pessoas normalmente não podem.
O menino nu era, também, ao mesmo tempo mas alternadamente, um homem nu de 30 e poucos anos, exatamente igual a Pedro. E era, também, também, ao mesmo tempo todos os intervalos de tempo entre o menino e o adulto, e todos esses eram, também, também, também, exatamente iguais a Pedro caso fôssemos voltando gradualmente sua idade até a que o menino-adulto que estava ali aparentava quando aparentava ser um menino.
- Ponto para mim, então! Mas eu só o vejo porque abriram meus olhos, agora eu sei.
- Sabe mesmo?
Enquanto o menino-adulto falava, seu corpo insistia em mudar e mudar e mudar, indo e voltando no tempo.
- Claro que sei, claro que sei. Ademais, sei e sei e sei.
- Delira, já?
- Sim, posso vê-lo.
Pedro fervia de/em febre. Detalhe na mão trêmula dele.
- Sabe quem eu sou, este é um dos seus sei's.
- Exato. Seja bem vindo, Morte.
Morte não portava uma ceifa, nem tinha seu manto negro e pesado e ossos no lugar de pele. Mas o sorriso ironicamente macabro estava lá, naquele menino-adulto, como o de um esqueleto que tenta conformar/assombrar sua vítima.
- Obrigado, pouquíssimas pessoas receber-me-iam de braços abertos como você.
- Como Cristo. Hah.
- Hah.
- Bom, Morte, mas eu sei que não é esse o caso. Digo, nunca ninguém mais receber-lhe-ia porque você é só meu/minha. Eu sei que há um/uma Morte para cada pessoa, que você não é um organismo metafísico onipresente e onisciente e tudo o mais.
Morte agora estava agora logo ao pé da cama, olhando para os pés de Pedro e ponderando. Pedro fora um menino lindíssimo, um adolescente feíssimo e um adulto mais-ou-menos, então o resultado geral do menino-adulto lá era, em geral, medíocre.
- Você está certo, Pedro. Eu existo única e exclusivamente para lhe matar/morrer, não há mais nada, nada.
- Certo. Morte, eu tenho uma idéia diferente, eu vou lhe matar.
- Ora, mesmo?
Detalhe na outra mão trêmula dele, um revólver gelado e brilhante e carregado.
- Sim. Eu não blefo.
- Imagino que seja um péssimo jogador de pôquer, então.
- Nem tanto, eu sou sortudo.
- Mas e quanto a seu câncer? Se você me matar, seu câncer continuará existindo e, enfim, seu cérebro virará uma gosma cancerígena incapaz de pensar e qualquer outra coisa, enquanto você continua vivo para sempre por ter matado o próprio/a própria Morte.
- Como os imortais de Gulliver. Eu estou preparado para tudo isso.
Morte suspirou.
- Será sofrimento eterno. Olhe, por que trocar a incerteza de um Inferno pela certeza de um em vida?
- Porque eu gosto de ter certezas.
- Vá em frente, então, mate-me e mostre-me como foge de seu Destino. Espero que aproveite sua invalidez infinita após minha morte.
Abriram-se os braços de Morte como os de um mártir, como os daquele que se sacrificara em vão por toda a humanidade, e, quando o menino-adulto parecia ser apenas adulto, lá foram as balas de Pedro, buscando abrigo nos peitos de Morte. Voou longe, explodiu sangue, bateu na porta, caiu no chão.
Pedro suspirou, cansado e com dores de cabeça já infinitas. Talvez seu/sua Morte estivesse blefando e seu câncer cerebral não fosse durar para todo o sempre, junto com sua vida. Talvez houvesse uma melhora ou, ainda, fosse possível conviver com o câncer mantendo-se racional e são.
Sendo como for, era hora de dormir um pouco. Ficara tempos e mais tempos esperando Morte, preparado para se livrar de seu algoz. Agora havia de haver sono.
Dormiu.
Como Pedro conjecturava, Morte realmente blefava. O câncer não durou para sempre, já que acabou com o/a Morte de Pedro, naquela noite.
Pedro estava deitado confortavelmente em sua cama, olhando para o ar logo a sua frente, poucos metros adiante. Havia nada, mas havia também um menino nu, olhando fixamente para ele.
- Então você pode me ver.
- Hah, esperava algo diferente?
- As pessoas normalmente não podem.
O menino nu era, também, ao mesmo tempo mas alternadamente, um homem nu de 30 e poucos anos, exatamente igual a Pedro. E era, também, também, ao mesmo tempo todos os intervalos de tempo entre o menino e o adulto, e todos esses eram, também, também, também, exatamente iguais a Pedro caso fôssemos voltando gradualmente sua idade até a que o menino-adulto que estava ali aparentava quando aparentava ser um menino.
- Ponto para mim, então! Mas eu só o vejo porque abriram meus olhos, agora eu sei.
- Sabe mesmo?
Enquanto o menino-adulto falava, seu corpo insistia em mudar e mudar e mudar, indo e voltando no tempo.
- Claro que sei, claro que sei. Ademais, sei e sei e sei.
- Delira, já?
- Sim, posso vê-lo.
Pedro fervia de/em febre. Detalhe na mão trêmula dele.
- Sabe quem eu sou, este é um dos seus sei's.
- Exato. Seja bem vindo, Morte.
Morte não portava uma ceifa, nem tinha seu manto negro e pesado e ossos no lugar de pele. Mas o sorriso ironicamente macabro estava lá, naquele menino-adulto, como o de um esqueleto que tenta conformar/assombrar sua vítima.
- Obrigado, pouquíssimas pessoas receber-me-iam de braços abertos como você.
- Como Cristo. Hah.
- Hah.
- Bom, Morte, mas eu sei que não é esse o caso. Digo, nunca ninguém mais receber-lhe-ia porque você é só meu/minha. Eu sei que há um/uma Morte para cada pessoa, que você não é um organismo metafísico onipresente e onisciente e tudo o mais.
Morte agora estava agora logo ao pé da cama, olhando para os pés de Pedro e ponderando. Pedro fora um menino lindíssimo, um adolescente feíssimo e um adulto mais-ou-menos, então o resultado geral do menino-adulto lá era, em geral, medíocre.
- Você está certo, Pedro. Eu existo única e exclusivamente para lhe matar/morrer, não há mais nada, nada.
- Certo. Morte, eu tenho uma idéia diferente, eu vou lhe matar.
- Ora, mesmo?
Detalhe na outra mão trêmula dele, um revólver gelado e brilhante e carregado.
- Sim. Eu não blefo.
- Imagino que seja um péssimo jogador de pôquer, então.
- Nem tanto, eu sou sortudo.
- Mas e quanto a seu câncer? Se você me matar, seu câncer continuará existindo e, enfim, seu cérebro virará uma gosma cancerígena incapaz de pensar e qualquer outra coisa, enquanto você continua vivo para sempre por ter matado o próprio/a própria Morte.
- Como os imortais de Gulliver. Eu estou preparado para tudo isso.
Morte suspirou.
- Será sofrimento eterno. Olhe, por que trocar a incerteza de um Inferno pela certeza de um em vida?
- Porque eu gosto de ter certezas.
- Vá em frente, então, mate-me e mostre-me como foge de seu Destino. Espero que aproveite sua invalidez infinita após minha morte.
Abriram-se os braços de Morte como os de um mártir, como os daquele que se sacrificara em vão por toda a humanidade, e, quando o menino-adulto parecia ser apenas adulto, lá foram as balas de Pedro, buscando abrigo nos peitos de Morte. Voou longe, explodiu sangue, bateu na porta, caiu no chão.
Pedro suspirou, cansado e com dores de cabeça já infinitas. Talvez seu/sua Morte estivesse blefando e seu câncer cerebral não fosse durar para todo o sempre, junto com sua vida. Talvez houvesse uma melhora ou, ainda, fosse possível conviver com o câncer mantendo-se racional e são.
Sendo como for, era hora de dormir um pouco. Ficara tempos e mais tempos esperando Morte, preparado para se livrar de seu algoz. Agora havia de haver sono.
Dormiu.
Como Pedro conjecturava, Morte realmente blefava. O câncer não durou para sempre, já que acabou com o/a Morte de Pedro, naquela noite.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
O homem-sem-charme.
I met him in a crowded room
Where people go to drink away their gloom
He sat me down and so began
The story of a charmless man
Educated the expensive way
He knows his claret from his beaujolais
I think he’d like to have been Ronnie Kray
But then nature didn’t make him that way
He thinks he’s educated, airs those family shares
Will protect him, that we’ll respect him
He moves in circles of friends who just pretend
That they like him, he does the same to them
And when you put it all together
There’s the model of a charmless man
He knows the singers and their cavalry
Says he can get in anywhere for free
I began to go a little cross-eyed
And from this charmless man I just had to hide
He talks at speed he gets nosebleeds
He doesn’t see his days are tumbling down upon him
And yet he tries so hard to please
He’s just so keen for you to listen
But no-one’s listening
And when you put it all together there’s the model of a charmlessman
porblursobremimmaséclaroqueprecisaseabstrairbastante.
Where people go to drink away their gloom
He sat me down and so began
The story of a charmless man
Educated the expensive way
He knows his claret from his beaujolais
I think he’d like to have been Ronnie Kray
But then nature didn’t make him that way
He thinks he’s educated, airs those family shares
Will protect him, that we’ll respect him
He moves in circles of friends who just pretend
That they like him, he does the same to them
And when you put it all together
There’s the model of a charmless man
He knows the singers and their cavalry
Says he can get in anywhere for free
I began to go a little cross-eyed
And from this charmless man I just had to hide
He talks at speed he gets nosebleeds
He doesn’t see his days are tumbling down upon him
And yet he tries so hard to please
He’s just so keen for you to listen
But no-one’s listening
And when you put it all together there’s the model of a charmlessman
porblursobremimmaséclaroqueprecisaseabstrairbastante.
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