domingo, julho 01, 2007

u Amor......

"VuxXxe ME DexXxAH Usah SEU KORpu??!?! Eu PrecISU di TodU vuxXxe...KADaH OXXiNhu...KadAH JUNTeEnHAH...KadAH mILIMETru KUBIcU.................. Oh!!!!!...SEm sEu buStU...SeUxXx bRAXXuxXx...kAdaH 1 DI SuAxXx PArtixXx...nAum pOXXU se nAdAh...NAUM PoXXu faZe nadAh...NUncAh sAIRei Du Pontu mALDItu EM ki Me EncOntru!!!!! DexXxe-me APalPaH-lu...SenTi-lu...OBSeRvaH-lu...VEdaH-Lu.................. ENtREgue-SI di 1xXx PRAh Mim...lIberTI-sI DIXXU TUDU I APENaxXx pERmItaH-ME ki.................."

kAnsaDu dAKELAH BoBAgi SEM sENtIdU – AleM DI RepetItIvAH au exXxTRemU –...AmaXXEi u BILHeti ki ME ESPerARAH DENTRu dI MeU PeKenITu aRMaRIu escOLah I me livREi Di 1xXx DAkeLE LixXxu......

eNtReTAntU...eNKanTU FInJU AXXISti AxXx MinhAxXx AulAxXx dI SemPrE...pOXXu rEvE U rEVeRBeraH DaKeLAxXx palaVraxXx AXXustADOraxXx...MaxXx...PEnsanU bEm...DuLCIXXImAxXx......

Sim.................. deliCIosAxXx!!!!! kaIxXx sErIAm axXx UlTimAxXx PalavraxXx dU pEDAXXu di pApEU Ki eU...tAUM INSensiveu...jOgUEi ForAh AgORAH MSM??!?! kORRU...AxXx gOtaxXx...DiREtu Pru LIxXxu...enfiU DiSESpERadaMenTi ToDu U bRaXXU I aGItU-U em bUsCaH d'ALgU...... U plasticu NEGRu eh tb EScUrU au tOKe...JAh KI naDah reVELaH a MeUxXx DeDUxXx FerVOrOsuxXx...pOr + INSISTentixXx Ki SejAm.................. enFiU U roSTu...enfim...NAkelaH eSPeciE di TUNeU ExXxTRaH-dIMEnsioNAU ki NUxXx lIvrAh dU Ki NAUM KERemUxXx +...I NaDaH DinovU......

koMu uLtIMaH tENTATIvaH...KOLoCu MeuxXx 2 bRAXXUxXx nakELE ENormE vAsu plASTIcU...EntAuM a KaBeXXaH...U TrONcU...AxXx PErnAxXx...TUDu Ki pOdI KAbe naKeLe ESpAXXU LIMiTAdAMeNTi IlimiTaDEENhu...... axXxu KI SeMPRe hAH ESpaXXu PRAh + LixXxu..................

maravilhaH!!!!! AxXxU FinAlMENTi 1 pedAXXU Di PApeU aMAXXaDu!!!!!

".................. eNtREgUe-SI DI 1xXx pRAH mIM...lIbErTi-sI dIXXU tUdU i APEnAxXx mE peRMiTah ki Eu u ENgULaH InteiRU i NuncAH +.................. nUNcah + nuxXx sEPArarEMUxXx!!!!!


ObrIGAdu pelAh kOmpReEnsaUM......"

Texto original
MiGuXeiToR

domingo, junho 24, 2007

O amor.

"Você me deixa usar seu corpo? Eu preciso de todo você, cada ossinho, cada juntinha, cada milímetro cúbico... Oh!, sem seu busto, seus braços, cada uma de suas partes, não posso ser nada, não posso fazer nada, nunca sairei do ponto maldito em que me encontro! Deixe-me apalpá-lo, senti-lo, observá-lo, vedá-lo... Entregue-se de uma vez para mim, liberte-se disso tudo e apenas permita-me que..."

Cansado daquela bobagem sem sentido – além de repetitiva ao extremo –, amassei o bilhete que me esperara dentro de meu pequenito armário escolar e me livrei de uma vez daquele lixo.

Entretanto, enquanto finjo assistir às minhas aulas de sempre, posso rever o reverberar daquelas palavras assustadoras, mas, pensando bem, dulcíssimas.

Sim... Deliciosas! Quais seriam as últimas palavras do pedaço de papel que eu, tão insensível, joguei fora agora mesmo? Corro, às gotas, direto para o lixo, enfio desesperadamente todo o braço e agito-o em busca d'algo. O plástico negro é também escuro ao toque, já que nada revela a meus dedos fervorosos, por mais insistentes que sejam... Enfio o rosto, enfim, naquela espécie de túnel extra-dimensional que nos livra do que não queremos mais, e nada novamente.

Como última tentativa, coloco meus dois braços naquele enorme vaso plástico, então a cabeça, o tronco, as pernas, tudo que pôde caber naquele espaço limitadamente ilimitado. Acho que sempre há espaço para mais lixo...

Maravilha! Acho finalmente um pedaço de papel amassado!

"... Entregue-se de uma vez para mim, liberte-se disso tudo e apenas me permita que eu o engula inteiro e nunca mais... Nunca mais nos separaremos!


Obrigado pela compreensão."

terça-feira, junho 19, 2007

qwertly

Concluo que o jovem brasileiro que chega agora ao vestibular não sabe dissertar.

Quanto é dois mais dois não sei só sei que dói ser dois e um e somente um o somatório de todos nós é você, minha querida
e amada perna.




É um disco novo, cheio de nostalgia, mas também repleto de inovação e s
olidariedade, talvez quem sabe até quiçá uma revolução astrológica!




Fecha a cena com Gabi e Justino se beijando.
Xavier observa tudo ressabiado, convoca
seus mutantes e a suprema beatitude.


F a c I M

- Bárbara, sua puta! Por que me trair de forma tão cruel? Por que me fazer de joguete, de brinquedinho, de personagem de literatura? Eu te amo, sua vaca de merda, eu te amo!



!!!!![/img][/src=c3p0lit.era]

terça-feira, junho 12, 2007

Valor

Tudo começara quando o menino achara na rua uma raposa de pêlos ruivos, quase que ardendo em chamas. Na ocasião, parecera uma boa idéia levar o bicho para casa até que o dono aparecesse ou algo do tipo. Não era um filhote, mas também não se podia dizer que era um adulto, pensaram o garoto e o animal na ocasião.

Ocorreram as coisas relativamente bem, até que a mãe do garoto perguntou por que ele ficava tanto tempo trancado em seu quarto, ao que ele respondeu, supondo-se muito corajoso, Estou escondendo uma raposa que achei na rua, e a mãe zangou-se com o feito do menino, onde já se viu esconder uma raposa? O jovem, decepcionado com a mãe, foi ao quarto e bateu a porta.

Andam ambos juntos, menino e raposa, pela rua afora. Estão procurando, talvez, o sentido daquilo tudo, as verdades ocultas na vida ou, o que talvez seja mais provável, um lugar para o pobre bicho selvagem. Selvagem? Mas ele se comportou direitinho todo esse tempo! Qual o problema em continuarem as coisas como estão?

Apenas uma raposa, droga!

Sentam-se ambos, já cansados, numa calçada qualquer. O menino afaga a cabeça do pobre canídeo, que fora ainda mais duramente abandonado do que ele, esperando um milagre ou algo congênere.


Latidos!

A raposa ergue as orelhas, sente todo os seus músculos ferverem e, num só pique, vence a distância de dois quarteirões e vira na r. Corta Azar num frenesi quase religioso, como se os latidos remetessem a terríveis memórias das caçadas infernais de outrora. O menino, desesperado por ver-se livre de seu problema, chora copiosamente.

Entretanto, quando chegar em casa, sua mãe elogiará sua obediência e capacidade de se livrar das coisas inúteis.

terça-feira, junho 05, 2007

Falta qualquer coisa

Falta qualquer coisa
na poesia
que apresento cá;

Não é métrica
nem Verdade,
Não é lírica
nem Vaidade,

Essas que não valem nada!
São menos do que sentir,
são menores que o real,
só persistem em surgir
a estragar o meu sarau!

Falta muita coisa
na apoplexia
que apresentei lá.

sexta-feira, junho 01, 2007

Há'quela rebeldia nossa de cada tempo livre...

Rabisco aqui, em primeira pessoa e tudo, porque a impressão foi forte demais para ser contida dentro de mim.

Puta que pariu.

É incrível a completa, repleta, notável, empaspalhável, etceterável falta de habilidade dos "escritores"-autores de diversos blogs por aí.

"Todavia ainda há tempo
Muito pouco é verdade
Mas sei que olharas a mim
Espero que não sejastes tarde"


Puta que pariu.
É sério, só pode ser piada. Vai mais um trecho, só pra deixar mais claro o motivo de meu asco:

Não olhei sua boca
Pois sei que nao posso beijá-la
Não olhei sua pele
Que de tão bela me ipnotizou

quinta-feira, maio 31, 2007

Refluxos;

Escute:

Billy Pilgrim soltou-se no tempo.

domingo, maio 27, 2007

Prófase I.

Agora, ela só era capaz de tentar focar seu olhar sobre a caneca sobre o pires, insistentemente olhando para um ponto um pouco mais distante do que o que procurava. Além disso, tremia de leve, tentava saber de onde vieram aquelas memórias e porque haviam sumido.

Naquele dia, lembrara, duas pessoas morreram, e o telefone lhe contara mais coisas além das poucas palavras que lembrava, que se limitavam a... Como era horrível se lembrar da voz amorfa! Não era exatamente um som, era como se houvesse conversado com idéias em seu estado mais puro, algo verdadeiramente divino, como... Monera.

Conseguiu, neste momento, sorrir de si mesma e de suas loucuras. Não havia ela mesma inventado o terrível acidente e aquela temível voz, que a fez chorar tanto e sofrer tanto quanto um humano poderia chorar e sofrer? Pois talvez...

TRIIIIIIIIIIIIM...
Sentiu o frio percorrendo-a,
TRIIIIIIIIIIIIM...
Cerrou os punhos e os olhos com força,
TRIII...!
- Oi.
Ela atendeu o telefone apenas porque o toque fazia sua cabeça doer e não havia mais ninguém para atendê-lo. Temia, é fato, que fosse novamente a voz, que novamente ela matasse alguém, que...
- Monera? É Carlos... Você não aparecerá na reunião, não é? Aconteceu alguma coisa?
- Não, é que... Cá, eu... Olha, eu tô c'uma puta dor de cabeça, mal consigo me levantar...
- Ceeeerto... Olha, tudo de melhor pra você, então.
- Não, mas eu faço a minha parte, pode ter certeza! Eu juro que se precisarem...
- Se precisarem? - e riu - Você faz parte do grupo!

Ouviu-se o silêncio do outro lado, marcado pela respiração ofegante de Monera. Carlos se mexeu do outro lado do telefone, impaciente.
- Mona, cê tá muito mal?
- Você... fala... falou em... negrito e itálico...?
- Olha... Eu vou deixar você descansar. Depois a gente vê como a gente faz. Melhora, hein?
Cléquiti.
Tuu--tuu--tuu--tuu--Monera--minha--Monera--tuu--és--a--deusa--da--humanidade--.
--Aceite--tuu--tuu-tuu--se--e--ao--mundo-- Atenção, o número que você discou não está disponível, verifique se...
Cléquiti.
Monera tremia de frio, encolhida no chão. Não podia ser, ela realmente ouviu a voz, pôde tentar decifrar se era um homem ou uma mulher, novamente, sentiu-se invadida como antes. De olhos vidrados, levantou-se incerta, procurou a janela, colocou ambas as mãos no fecho e falhou miseravelmente tentando abri-la. Jorrava lágrimas, mas sabia o que via: a janela negava-se abrir para ela.

Monera bateu o punho na escrivaninha algumas vezes, fazendo voar aleatoriamente os papéis, que, como pára-quedistas, cairam por toda sala, que era também seu escritório e quarto. Um logo à sua frente, exuberava a seguinte frase, em Minion, tamanho 24:

"A ti permite-se apenas a observação do mundo deles, que são como tu, exatamente como tu, mas não deuses."

Ela ergueu seu braço, formando uma linda silhueta carregada de raiva, e o baixou com toda a fúria que possuía, acertando em cheio a folha, a maldita folha que se levava muito a sério, e 10 mil japoneses do outro lado do mundo, vítimas do terremoto repentino que acometeu a península.

Quebrou-se um osso da mão de Monera, no entanto.

sábado, maio 05, 2007

Intérfase I.

O fato é que Monera se esquecera daquilo com certa facilidade, auxiliada pelo suposto superego e dois anos de vida. Da mesma forma que não lembrava mais do irônico episódio da moto, a revelação de que era uma deusa foi renegada para cantinhos escuros e pouco visitados de seu cérebro. Entretanto, ela levava uma vida razoável, às vezes até divertida, e assim ia indo.

Ela acordou, cansadíssima e com a cabeça latejante, espreguiçou-se, foi ao banheiro, despiu-se num só movimento e abriu o registro, chuááá direto na sua cabeça. Mas estava tão cansada que não sentiu a água, não sentiu o frio costumeiro que logo é trocado pelo calor do chuveiro elétrico; em suma, não sentiu nada.

Passados alguns segundos, Monera percebeu que havia algo errado, já que a água insistia em evitá-la, em correr em torno de seu corpo sem realmente tocá-la, em fugir de sua pele como foge da gordura.

Ela deslizou pelo box, lembrou-se da moto, dos corpos e da voz.

Ela se molhou toda.

Em sua cabeça, zunia a mensagem artificial, autômata e anômala:
- Monera, minha Monera, tu és a deusa da Humanidade.

terça-feira, maio 01, 2007

O telefone tocava:

TRIIIIIIIIIIIIM... TRIIIIIIIIIIIIM... TRIII...!
- Oba.
Ela atendeu o orelhão apenas porque ele estava tocando e ninguém parecia disposto a atendê-lo. Agora, se dispunha a ouvir o barulho do silêncio d'outro lado.
- Diga lá, quem é?
- Alô, é você, não é?
Considerou um pouco, enquanto imaginava qual era o sexo daquela voz sem vibração e sem forma:
- Sim, sou eu.
- Ótimo. Preparada para aceitar o seu Destino - falou a voz em negrito e itálico.
- Haha, suponho que sim.
- Muito bom. Vê aquela pessoa quase a atravessar a avenida? Ela esqueceu a carteira no chão.

Ela, uma jovem chamada Monera, levantou os olhos à busca de uma pessoa e sua carteira. Alguns minutos a leste, viu um homem calvo, roupas sociais, atravessando com firmeza a avenida. Um pouco atrás dele, a peça de couro caída.
- Senhor, você deixou cair sua carteira! - gritou, num desespero desajeitado e despropositado.
Ele se virou, assustado, procurou com os olhos a voz que o gritou, então a sua carteira e, quando ia buscá-la, foi atropelado por uma moto em altíssima velocidade, cujo motorista, infeliz motorista desprevinido, foi catapultado e caiu de cabeça, descapacitando o pobre cérebro descapacetado.

Monera gritou e grudou-se ao telefone público, deslizou direto ao chão, querendo chorar e não conseguindo, abrindo e não fechando mais a boca.

A voz disse:
- Monera, minha Monera, tu és a deusa da Humanidade.

segunda-feira, abril 30, 2007

Com sentimento:

[...]
- Foge de suas obrigações para escrever.
- Com que motivo diz isso?
- Largou tudo que devia fazer para escrever, esquecendo seus problemas imediatos e terrenos. Chama-se irresponsabilidade, isso.
- Compreendo.
- Volte a fazer o que você fazia.
- Certo.

[...]

- Por que ainda escreve?
- Cê me mandou voltar a fazer o que eu fazia.
- Hah, ótimo. E suas obrigações.
- Com elas, lido eu bem.
- Lida bem ignorando-as?
- Como me senti obrigado a escrever, escrevo. Caso me sinta obrigado a fazer as minhas outras obrigações, lá irei eu.
- Por acaso você vive de escrever?
- Claro.

[.]

quinta-feira, abril 26, 2007

O processo durou cerca de 3 segundos.

O processo durou cerca de 3 segundos, mas vivi 25 anos naquele instante. Os conectores neurais nas têmporas, os injetores nas veias e o fluido libertador por todo o corpo, por todo o cérebro, por toda a rede neural, pelo lobo temporal medial, pelo diencéfalo, por toda a minha vida.

Após toda a minha vida, voltei para o instante imediatamente anterior àquilo, quando ainda estivera a vestir meu uniforme colante e roxo, resistente como uma armadura, mas leve como um uniforme colante. Fora difícil colocar a roupa, já imaginara o desafio impossível que viria pela frente.

- Lembre-se - começara Marcos - lembre-se de que você enfrentará um inimigo inexistente, mas mais real do que todos nós. Lembre-se de que o que você enfrenta é uma Idéia, Leon.
- Por que o uniforme, então? - eu perguntara.
- Você pode cair - ele apertara minha mão com força - você pode morrer, sabe-se lá o que pode acontecer consigo, mas acreditamos em você, acreditamos todos em você.
- Você acharia graça se eu dissesse que isso tudo me parece um grande e desconfortável déjà vu, como se toda a minha vida eu tivesse vivido este momento.
- Claro que não acharia.

Então, ele ligara os fios à minha cabeça e tudo o mais a meu corpo, em seguida a máquina e novamente e novamente.

Abri os olhos e fui lançado do prédio. Senti o ar voando ao meu redor, acelerando constantemente, aproximadamente dez metros por segundo por segundo, e mais rápido e, finalmente, parei no ar e me equilibrei, de pé. Meu córtex pré-motor queimava enquanto tentava ajustar minha visão, estudava meus movimentos e procurava os dela.

Buscava minha adversária, a Idéia.

Toda a cabeça doía, latejava. Todo o hemisfério direito em chamas, o esquerdo lutando para sobreviver, quando fui finalmente antingido por meu adversário, sendo arremessado por quase 200 metros. Destruí dois prédios ao cair, mas agora eu sabia onde ela estava, e talvez até como abordá-la.

Preparei uma implosão remota de nível 3, mirei vagamente e disparei, e o fato que se seguiu foi nada, a Idéia não estava mais lá. Tentei desesperado a concussão circunferencial, mas apenas as construções responderam ao meu ataque. Foi então que eu senti o mundo se mover logo ao meu lado e acertei um belo chute na minha adversária invisível.

Ouvi Marcos gritando "Isso mesmo!", mas não soube se aquilo era passado, presente ou futuro, de tal forma que ignorei, focando-me no alvo que não sabia onde estava. Mas estava, e a sociedade dependia de mim para parar a Idéia. A criatura já destruíra civilizações inteiras, mas podia ser parada por meu cérebro lotado de drogas, por minha força de vontade viciada, quiçá por meu corpo enferrujado.

Eu flutuava nos céus, ao mesmo tempo que era um gigante com os pés no chão, ao mesmo tempo que era uma estrutura atômico-molecular de dimensões continentais, cada movimento meu era todo o Mundo, eu era o anticorpo, ela era a infecção, o antígeno, o vírus que pretendia destruir o universo.

A Idéia avançou contra mim, acertou-me diversos golpes no abdômen, derrubando mais dezenas de prédios enquanto me empurrava para trás. Desejei que ela parasse, ela parou, senti que era a hora de acabar de uma vez por todas com tudo aquilo. Abri os braços e fechei os olhos, gritei apenas por costume e, instantes depois, talvez apenas 3 segundos, sentia toda a Idéia fluindo pelo meu corpo, enclausurada no meu cérebro, fluindo por toda a rede neural, pelo rádio, pelos sesamóides e pela tinta.

terça-feira, abril 10, 2007

Diz per disse.

Pode ser que a cada palavra roubada da natureza aproximemo-nos mais do fim do vocabulário;
Pode ser que haja um desperdício tremendo de palavras no mundo;


Pode ser que o uso da escrita tenha que ser consciente, fechar a torneira das idéias e colher apenas o necessário;

Talvez seja insustentável a situação atual;
Talvez todos tenhamos que buscar um desenvolvimento sustentável da trama, dos livros, do romance;

Talvez escreva contos simplesmente porque romances gastariam muitas palavras, possivelmente chegando a um resultado ruim;

Quem sabe a salvação do mundo esteja na frase:
"Menos palavras [...]".

sexta-feira, abril 06, 2007

Desminto!

A moça com walkie-talkie se aproximou:
- Senhor, você se incomoda de outra pessoa se sentar com você?
- Não, não, claro - sorri para meu prato.
Outra pessoa sentou-se a minha frente, munida de bandeja, prato e talheres, exatamente como eu. Desviei pouco meu olhar, então quase não observei o rosto da mulher - foi uma mulher que se sentou.

Garfada foi e veio, eu quase acabava, acabava-me de comer numa segunda-feira, no horário infernal de almoço em um shopping ainda mais infernal, barulho e pessoas em excesso. Minha recém-adquirida companhia, entretanto, estava quieta; arrisquei olhar para frente, de leve, com o rosto virado para baixo.

Ela encontrou meus olhos e sorriu, e antes que eu fugisse, falou:
- Já nos conhecemos, não é?
Ergui-me mais um pouco, tentei sorrir de leve, ser simpático ou não-antipático:
- Eu tenho certeza que não te conheço.
Aproximou-se.
- Você é famoso, não é?
Levantei completamente minha cabeça, olhando-a agora realmente nos olhos.
- Não, imagino que não.
- Qual é seu nome?
- Pablo, Pablo. O seu?
- Sou Carolina; e você não combina com o nome Pablo, parece-me outra coisa...
Dei de ombros, fechei os olhos, coloquei na boca a última garfada, mastiguei e mastiguei, então engoli e finalmente a focalizei de novo.
- Chamo-me Carlos.
- Claro, Carlos! Muito mais a sua cara; Carlos, Carlos... Você é famoso, não é?
- Pelo contrário, sou desconhecido. Nem mesmo eu me conheço!
- Mente seu nome, provavelmente se esconde para evitar assédio.
- Não, não, claro que não. Evito usar meu nome para não me tornar um personagem de minhas próprias histórias; sou apenas precavido.
Caroline cerrou o cenho, afastou-se e aproximou-se novamente:
- Você é aquele escritor-detetive, que fica em um apartamento vigiando o outro, enquanto o outro vigia você, numa espionagem cíclica, infinita e destrutiva? É o sr. Blue.
- Não, claro que não.
- Quem é, então?

Levantei-me, peguei a bandeja e coloquei-a em cima do lixo, empilhada sobre algumas outras. Tratei de não procurar Carol com os olhos, tratei de enfiar os rabos entre a perna, tratei de sumir daquela luz amarelada e do cheiro de fastfood no ar.

Ignorando o ódio que meu personagem sentia por Carla, fingi que tudo aquilo nunca aconteceu.

quarta-feira, março 28, 2007

Sorria, jeje.

Encarava-me o sorriso dela, gigantesco e chamativo. É seu atributo mais notável, pensei, enquanto tentava pensar no que pensar.

Vejam o que eu via: ela de pernas abertas, nua, e lá estava o sorriso, gigantesco e chamativo, encarando-me.

Percebem? Eu a via por baixo e havia um sorriso enorme logo acima do que deveria chamar minha atenção, e ele era chamativo, encarava-me gigantesco.

Era isso que eu pensava, falando com meus outros eus. Tentava "engolir" aquela boca esquisita, dentes a mostra, esquisitamente feliz e logo lá, logo ao lado. Por que o sorriso?

Por que um sorriso?

Por que diabos um sorriso tatuado logo acima de sua xoxota no lugar dos tradicionais pelinhos?

Por que sorri, meu amor?

terça-feira, março 27, 2007

A Odisséia desprecavida!

"Pois é, parece que estamos namorando..."
"Oba."
"E agora?"
"Agora? Agora já não estamos mais."

:)

Nunca contei para ninguém, mas os experimentados já devem saber, que é muito mais fácil escrever do que ler. Hoje, qualquer um escreve,

quantos lêem? Quantos dos que se julgam autores realmente lêem? É lamentável, mas conheço pessoas que se julgam capazes de escrever sem que tenham lido nada nos últimos xis meses. Daria até para fazer uma metáfora, mas

quinta-feira, março 22, 2007

Com texto, sem táxi;

[...]
- Que é que resta para nós, Sr. Dubin?
O velho Dubin meio-sorriu, como sempre fez naquelas ocasiões.
- Só o de sempre, algumas poucas linhas para completarmos nossa história.
Chovia, e a calça dos dois ensopava-se com o pingar e respingar das gordas gotas.
- Mas o fim será assim? Um fim fechado, limitado e sem qualquer chance de continuidade?
Dubin sabia o que diria, mas, mesmo assim, hesitou:
- É o fim, no máximo haverá outros começos.
Os lábios afrouxaram.
- Você... Podemos terminar juntos?
- Claro, meu amor.
Qualquer um poderia ver - qualquer um não viu - como os olhos de Dubin eram sinceros e, ainda assim, tristes.
- Então...

A porta do carro branco se abriu, Dubin que a abriu, ela entrou - olhou-o de esguelha antes - e, então, ele fechou-a com ternura.

FIM

domingo, março 18, 2007

Merecimentos e preconceitos.

Toda mulher merece um homem mais alto que ela mesma.
Todo homem merece uma mulher mais magra que ele mesmo.

Não importa o que se quer dizer, mas sim o que se diz.

segunda-feira, março 12, 2007

A verdade e o saco de arroz.

Os grilhos dos grilhões da vida que não é tão pouca só pode ser protumberante se o pouco for também polka.

Se seguir o que aqui digo, sua vida professional e afetiva surgem como a oportunidade que deve ser buscada e, assim, o alcance estará a seu sucesso.

Já eu, sou a sombra.

terça-feira, março 06, 2007

O garoto, a pipa e os bestsellers.

Lilo Rastros era um garoto absolutamente normal, que gostava de brincar e brincar, além de descansar e pintar desenhos. Os videogueimes não o interessavam demais, preferia a televisão.

Há uma falha narrativa aí, logo no começo. Se digo que ele era normal, é óbvio que algo de anormal acontecerá ou ele se tornará um pânque.

Tudo ia bem para Lilo Rastros até o dia em que se sentou em sua cadeira, logo à frente de sua escrivaninha, e sorriu para um papel em branco. Segurava o lápis confiante e encarava os olhos da folha, tanto desafiador como convidativo. Riscou, riscou e riscou.

Após terminar o que fazia, alargou mais o sorriso, enxugou o suor de sua testa como pôde e andou desajeitado com a folha até sua mãe, triunfante. Tropeçou três vezes, como se houvesse desaprendido a andar.

- Mãe, mãe, olha que eu fiz!

A mãe estava ocupada lavando a louça. Passaram-se alguns minutos.

- Oi, oi. É um desenho?
- É!
- Deixa a mãe dar uma olhada...

Ela agachou, também sorrindo. Pegou o papel e observou perplexamente. Fechou o sorriso.

- Que é isso?
- Não sei! Eu desenhei hoje!
- Como você desenhou isso?
- Eu o lápis, daí...

A mãe franziu o cenho, suspirou e levantou-se.

- Olha, não mente mais para a mãe. Eu sei que isso não é seu!
- É meu, eu desenhei!
- Não foi você que desenhou isso, filho! Onde você arranjou isso?
- Eu desenhei!

As linhas circulares do rosto de Lilo tornaram-se ésses, até zês. Chorou e chorou. A mãe bateu na bunda dele por não assumir a culpa e os anos trataram de esquecer isso tudo.

O desenho dizia, completamente legível e caligráfico:

"Havia uma bactéria. Lá estava ela, infectando a comida do menino, que a comeu junto com o hot-dog. A bactéria então fez seu caminho padrão e lá ficou, provocando distúrbios, até que outra bactéria maior, que viera de uma cápsula conhecida como Floratil, começou a comer a comida que a bactéria inicial pretendia comer. Então a bactéria inicial morreu de fome e foi cagada em jato. A outra bactéria não parecia causar mal algum para o intestino do moleque e, por isso, ficou lá numa boa. Isso até o moleque morrer e ela começar a comê-lo todo."

domingo, março 04, 2007

Um pouco de culpa nossa, todos os dias.

Eu não amo nem desando, sei que estou errado e por isso mesmo acerto.

Você nunca pedirá desculpas.

Você é orgulho puro.

Eu a odeio, mãe.

domingo, fevereiro 11, 2007

Insônia.

Escrevo tomado pela insônia e, após muito tempo, usando o eu lírico "eu de verdade". Oi, gente, aqui quem fala sou eu! Oba. Para quem não está familiarizado, meu nome é Ricardo Koiti e tenho como sobrenomes Abreu Miyada. Atualmente sou um escritor insone. Era para eu estar dormindo, eu tentei e tinha sono, mas não rolou.

Lá vamos nós dissertar sobre o problema da insônia:

O problema da insônia, para mim, não é a insônia em si, mas as conseqüências no dia seguinte. Cansaço, dor de cabeça, sono, sonhos, essas coisas bestas. Ficar acordado é bacana, até mesmo quando queremos dormir, mas o dia seguinte estraga tudo. Ou, na maioria dos casos, o mesmo dia.

É, eu sei, vocês dormem 2 horas por dia ou mesmo 1 e ficam se gabando. Ok, ok, legal. Respeitem esse pobre que tem que gastar um terço de sua vida dormindo para ficar bem. Hah, e lá vai o que eu poderia ter dito:

O sono não vem; ou já se foi. Na busca de algo para fazer enquanto não consigo adormecer, tamborilo sobre o criado-mudo. Curiosamente, ele responde com toc-toc's e espanta mais ainda meu sono. Resta-me apenas levantar e ir até meu companheiro, o computador, e tamborilar sobre suas teclas. Ao invés dos toc-toc's, recebo de volta tec-tec's prazerosos conforme o texto surge na tela. Aperto Enter algumas vezes, espaço noutras, digito letras, distribuo caracteres diligentemente. Infelizmente, estou mais ativo do que nunca, lúcido logo na hora na qual devia desligar minha racionalidade e apagar. Enter, enter, publicar. Ouço o computador gemer delicadamente conforme acaricio suas teclas, Salvar, Nova Pasta, Novo, novo, de novo.

Termino o que pretendia fazer, mas falta algo. Não sinto o sono que vem logo após o gozo, não sinto a vontade de sorrir por minha vitória e me jogar de lado no chão, esperando meu corpo se recuperar. Não posso descansar, tenho que satisfazer o computador e sua sede de palavras. Tenho que satisfazer meus dedos, ávidos por mais téc-téc's. Fecho os olhos e digito no escuro, tentando escrever cada ve z mais rápido, dem prestsr atenção apenas o téc-tec conti´nuo e veradeorp., aqieçe qie vcpnrora tpda a ,omja aç,a e, finalmente, chega a verdade da confusão calma que é estar de olhos cerrados.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

N'arte.

O amor na arte, o desejo na arte, o ódio na arte. As pessoas insistem em ficar tratando desses temas idiotas e retrógrados quando querem ser "artísticos". Ah, cacete, que chatice! Vou começar uma nova arte exatamente agora, livre desses sentimentos "humanos" inexistentes que vivem querendo povoar as coisas dos outros. Lá vai:

"Havia uma bactéria. Lá estava ela, infectando a comida do menino, que a comeu junto com o hot-dog. A bactéria então fez seu caminho padrão e lá ficou, provocando distúrbios, até que outra bactéria maior, que viera de uma cápsula conhecida como Floratil, começou a comer a comida que a bactéria inicial pretendia comer. Então a bactéria inicial morreu de fome e foi cagada em jato. A outra bactéria não parecia causar mal algum para o intestino do moleque e, por isso, ficou lá numa boa. Isso até o moleque morrer e ela começar a comê-lo todo."

Uau, isso sim é literatura!

domingo, fevereiro 04, 2007

Raised the Three!

Attention: the tenuous line between truth and more truth is in the source.

Raised the Three