Moça, idade pouca, mocidade louca, andou por aí, desviando as intenções de muita gente da boa, direita e afeita à gente assim, simpaticíssima e loura. Não fazia de gosto, mas só de viver um pouquinho-pouquinho perto da referida gaiata, você já ficava todo-todo assanhado, mesmo sem sinal sequer de atenção e tenção de ter algo consigo por parte dela. E assim ela ia indo, distribuindo os sorrisos pras pessoas sem se aperceber de que algo tinha muito errado nisso tudo e que não era pra tanto assim.
Pois é que não era tão garbosa, embora personalidade até tivesse, e nem sabia conversar tão bem assim; se tomava a prosa não soltava mais e era só dela a voz que se ouvia, se sentia — e s’aplaudia! Mas, como exposto, o rosto dava gosto talvez justo pelo oposto: embora fosse esquisita, fosse sinistra, fosse toda fora do eixo, a moça fazia de um jeito que parecia até natural ser assim tão ruim, quando se tem dentes tão bonitos e se é tão feliz e...
Foi pessoa de bem, também, mas é claro que não pôde dar certo, e acabou-se tudo quando o lirismo se exauriu.