Estou de cócoras, escorre, escorre, desliza... Ploft! Afrouxo minha entrecelha e procuro algo para me limpar. De repente, passa um amigo e aponta para mim: "Cara, você cagou!", "Caguei, caguei! Gostou da minha merda?", "É, ela é bem... marrom", "É que eu como bastante vegetal, sabe? E faço cocô todos os dias, então ele sai molhadinho assim e tão bonito", "Puxa", "Eu até pensei em fazer mais cedo, hoje, mas não seria na quantidade nem na consistência certa, então segurei, segurei, segurei e só liberei tudo agora, daí teve que ser na rua, mesmo", "Ah, legal, cara. Bem, a gente se vê por aí!", "Manda um abraço pra sua irmã! Ah, e você não tem papel, não?".
segunda-feira, novembro 12, 2007
Sobre a obra.
sexta-feira, novembro 09, 2007
quinta-feira, novembro 08, 2007
Anedotas populares de facílimo entendimento:
"Ué, não..."
"E o que é aquela tal 'Pilha de Descartes'?"
quinta-feira, outubro 25, 2007
Explicação literária:
domingo, outubro 21, 2007
Definição autoral.
Você é aquele medo que nos ataca por trás, o breve arrepio na nuca.
Um círculo de fogo, o losango sobre o quadrado.
Você é a saudade dos tempos que se foram, a única garantia de um futuro. [...]
Eu sou aquele que sonha.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Post 125: Sobre os imprevistos numa filmagem.
Chegamos lá bem cedinho, no horário que a prefeitura estipulou, montamos tudo e preparamos os atores (as moças da maquiagem capricharam de verdade, dessa vez), os carros pareciam estar todos bem e as ruas já estavam prontas para a filmagem, a iluminação e a assistência de arte garantidas. A única coisa que me preocupava, mesmo, era o sol que não iria sair e que supostamente era necessário, mas nada que um diálogo não explicasse ou qualquer coisa assim. Os dublês entraram nos carros, as câmeras foram posicionadas e testadas e eu, com aquela felicidade fetichista que sempre me ocorre, gritei Ação! e tudo começou a rodar perfeitamente...
Os pneus cantaram, a Mercedes partiu, veloz, correu alguns quarteirões, deu a volta na praça, a polícia logo atrás dela, tudo sem muito alarido, sem nenhuma destruição, as rodas deslizantes no asfalto molhado e toda a emoção de uma cena filmada bem no coração da cidade, mas a cidade falsa do cinema, a cidade dos figurantes contratados e com frio, a cidade das mentiras que apenas parecem... Foi nisso que um infeliz se jogou bem na frente do carro, amassando tudo e sendo jogado pro lado. Quem trabalha com isso sabe como os nervos parecem explodir como pipocas (na verdade, como os milhos, as pipocas não explodem) quando esse tipo de imprevisto acontece, quando uma tragédia chega e... Pá! Bem no seu único carro, bem na frente das câmeras.
Corremos para o jovem estirado no chão, não era da equipe, estava acordado, não obstante ferido. Muito ferido, gravíssimo, com uma poça de sangue e os ossos tudo à mostra! E por que você fez isso? "Eu queria aparecer nesse filme." Você é louco? "Eu sou um grande fã e..." Merda! Assina aqui, assina aqui!
Aí ele assinou que cedia os direitos de imagem dele e agora tivemos que arranjar um jeito de colocá-lo na história. Filmamos mais algumas cenas com o corpo dele e hoje a noite vou jantar com o roteirista para acertar alguns ajustes no roteiro. Mas a cena ficou muito realista, é incrível!
segunda-feira, outubro 08, 2007
A coisa que não se explica porque não é.
Moça, idade pouca, mocidade louca, andou por aí, desviando as intenções de muita gente da boa, direita e afeita à gente assim, simpaticíssima e loura. Não fazia de gosto, mas só de viver um pouquinho-pouquinho perto da referida gaiata, você já ficava todo-todo assanhado, mesmo sem sinal sequer de atenção e tenção de ter algo consigo por parte dela. E assim ela ia indo, distribuindo os sorrisos pras pessoas sem se aperceber de que algo tinha muito errado nisso tudo e que não era pra tanto assim.
Pois é que não era tão garbosa, embora personalidade até tivesse, e nem sabia conversar tão bem assim; se tomava a prosa não soltava mais e era só dela a voz que se ouvia, se sentia — e s’aplaudia! Mas, como exposto, o rosto dava gosto talvez justo pelo oposto: embora fosse esquisita, fosse sinistra, fosse toda fora do eixo, a moça fazia de um jeito que parecia até natural ser assim tão ruim, quando se tem dentes tão bonitos e se é tão feliz e...
Foi pessoa de bem, também, mas é claro que não pôde dar certo, e acabou-se tudo quando o lirismo se exauriu.
sábado, setembro 22, 2007
Indícios.
Bem, o fruto de um bocado de trabalho, o filho plebeu, mas primogênito:
Indícios.
Os comentários ficam por aqui.
sábado, setembro 08, 2007
Comentários sinceros deviam ser secretos.
Numa pesquisa do site do Etapa (www.etapa.com.br), sobre o acréscimo de 3% nas notas dos vestibulando que estudaram em escola pública e blablabla, um infeliz de um nome qualquer disse que era absurdo e ridículo, porque blablabla e
...Sem contar que ao entrar na USP não estará preparado. Pode desitir e aí??? Quem quis entrar de verdade e não pôde por causa desses que entraram vai ter q tentar mais uma vez...
Vejo como ele (ou ela, não me recordo e não vou abrir o site idiota apenas para isso) conhece bem a índole dos imbecis criados pelo Estado. E entende muito bem como funcionam os 3%, pontinhos que realmente favorecem as pessoas completamente sem educação e sem conhecimento e sem habilidade.
Todos somos desistentes.
quarta-feira, setembro 05, 2007
Há-de-oh.
Pois bem, sinto a parte mais debaixeira da minha costa direita doendo pra caramba de muito mesmo, talvez por estar com a bunda enfiada em cadeiras o dia inteiro. É como se meus músculos se queimassem lentamente, um calorzinho até gostoso de doloroso. E a verdade é que o tempo lá do cantinho da tela vai passando aos poucos e aos poucos eu atraso tudo aqui!
Alguns dias o relógio me engana; especialmente quando estamos próximos da mudança de horário p'ro verão. E do canto do olho tem o colírio e o marrom do móvel, ou castanho, as caixas velhas e sujas de som, só funciona a esquerda, e um outro relógio daqueles de brinde que parecem saídos diretamente da 25.
Saídos diretamente da 25.
E eu nem reparo, mas eu posso ver meus óculos justamente pela falta deles; se alguém aí for míope e souber me ler vai entender o que eu quero dizer. Ah, é, eu observo também você, leitor, você e seus olhos e sua falta de vergonha vindo aqui, aqui!, ora!
Quem fica com vergonha sou eu.
domingo, setembro 02, 2007
DIL.
quinta-feira, agosto 30, 2007
Som.
"Olha, seu pai vai falar no rádio!"
Os ouvidos tilintam de curiosidade e expectativa, as duas crianças e a mãe ignoram o trânsito e apuram a audição.
"... Agora o diretor do Departamento de Cultura, Jean de Silve, irá comentar sobre a lei de incentivo ao cinema... Jean, o dinheiro que é gasto pelo Estado dessa forma retorna de alguma maneira para a população?..."
"Boa noite, Turíbio, sim, eu acho que há um retorno, de tal forma que... Veja bem, nós do S..."
"Bam!"
Ouve-se um estouro, os três pulam assustados e saberão logo que o pai foi baleado por motivo algum.
"Começa agora a Hora do Brasil."
.
domingo, agosto 26, 2007
O baile ao pé da letra.
Eu não sei, mas sei fazer dançar e rodopiar e passos-pra-lá-pra-cá. A música eu não sei ouvir, mas sei seguir.
Se não sou eu que danço, quem é essa que se esbanja à minha frente?
Inalienável.
terça-feira, agosto 21, 2007
Feel'in the blanks.
Ou eu resolvi que ela devia me masturbar.
Depois de tudo isso, tudo deu errado.
sábado, agosto 18, 2007
Crônica.
A frase sofre de imprecisão e até mentira, eu sei, mas doutro lado um homem e uma mulher.
É um casal jovem, em média 15 anos cada um, um casal jovem e peculiar e até peculiar, e ambos se dão as mãos e ela é toda ternura com ele, e ele sorri aquele sorriso de homem que sabe que é amado e protegido por uma mulher.
Quanto amor naquele casal! E como ela trata o outro como se fosse uma bonequinha enorme, que merece todo o cuidado, e beija aquela boca dum jeito estranho e constrangedor para a gente que observa do lado de cá.
Uma dupla ao meu lado comenta os dois, pode-se ouvir um deles falando "É... Tá certo ele!", e ela é japonesa e ele é barbado, doutro lado. E as mãos dela tentam cobrir completamente a mão dele e ela tem uns oclinhos e ele tem sua pasta e sua cara de universitário.
Eu, aqui do meu lado, acho um absurdo aquele encantador casal, aquele encantador e jovem e peculiar, peculiar casal. Contemplo admirado, repugnado, , minhas coisas se mexem dentro de mim, e sou capaz de acreditar que todos os outros têm suas coisas móveis também. E um monte de borboletas.
Doutro lado do metrô, um crime à mostra, uma criança de 10 anos e outra de 20 se namoram. E a moral, e o moral? E minha vontade de ridicularizar o pobre rapaz? E minha vontade de me jogar nos trilhos?
E aquela boca infantil e todo o ranho das crianças?
Como pode?...
domingo, agosto 12, 2007
Margens.
- Olá, você aí do outro lado, na outra margem, olá!
- Olá, você que grita tanto. Que quer?
- Alô, você me ouve bem?
- Alô, mas é claro, por que grita?
- Venha, venha para cá, você está do lado errado!
- Venha você que parece não me ouvir...
- Passe para cá, eu o espero!
- Passe bem!
- Há tempo, veja a ponte logo aí!
- Há! Eu que não vou por aí.
- Eu estou certo e o caminho é meu!
- Eu pouco me importo, vou por aqui mesmo.
- Ora! Parece que não está me ouvindo!
- Ora, olha quem diz.
Dá de ombros.
Puxa uma arma.
Dá de ombros.
Acabou.
sexta-feira, agosto 03, 2007
Anedota, anedota.
Carlos pediu 50 esfihas para o encontro de amigos que aconteceria dali a pouco, preparou a mesa, distribuiu jornais pelos cantos da casa e consultou quão gelada estava a cerveja. Arrumou-se com certo esmero, ansioso pelo que viria, já prevendo a chegada de seus colegas, ensaiando alguns gestos, preparando as boas frases e piadas.
Passaram-se 30 minutos, os amigos chegaram, cumprimentaram-se amavelmente, abraçaram-se, beijaram-se e todo tipo de coisa que acontece quando pessoas não se vêem há muito tempo. Sentaram-se, conversaram um tanto e se inquietaram com a falta das esfihas. Ora, Carlos havia feito o pedido havia tempos e tempos!
Pegou o telefone, discou 30928400 e aguardou, impaciente, um bocado.
“Halabibi Esfihas, boa noite.”
“Boa. Ahn, eu fiz o pedido faz mais de 40 minutos e... ah, não chegou.”
“Por favor você poderia confirmar o número de seu telefone?”
[...]
“Senhor, vou estar checando por que o atraso do senhor, ok?”
“Claro.”
Após 5 torturantes minutos, todas as visitas sentadas à mesa, ansiosas, o atendente retornou ao telefone e, com voz pesarosa, disse que o motoboy, o Zé, um cara muito bacana, pai de família, havia sofrido um acidente grave, gravíssimo, enquanto tentava entregar as esfihas, que foi um desastre terrível, terrível! Provavelmente não seria mais capaz de andar e talvez até...
“Ora... Isso é muito triste! Eu... Nossa! E foi acontecer logo quando ele vinha fazer a minha entrega! Mas, bem... O que fazer, não é? Ahn... Bom, aquela promoção ainda tá de pé?”
“Senhor, qual promoção?”
“Se demorar mais de 30 não pago nada, né?”
segunda-feira, julho 30, 2007
Da impossibilidade de se escrever.
Já aviso que nada disso é novo, tudo já foi escrito e reescrito, inclusive este tema, inclusive estas idéias, inclusive de forma muito mais aguçada do que aqui. Estar consciente disso, saber que tudo que se faz é uma cópia - ainda que involuntária - quase sempre inferior a algos que estão no passado, já é uma barreira terrivelmente cruel. Especialmente a meu ego, e ao ego de todos os escritores que sejam sequer um pouco realistas ou pessimistas.
Por escritores considero os que tentam escrever e se alteram de alguma forma assim.
Talvez tenha algo de novo no que vem agora: muitíssimos argumentam que quem diz que escrever é fácil é um mentiroso que nunca escreveu, ou que simplesmente não escreve de verdade. Porque essa é uma ação difícil, que requer planejamento, edição, revisão mental ortogonal ortodoxal ai minha coisa dorsal, e por aí vai. Eu posso afirmar com certa convicção que escrever não é um ato tão difícil assim, até relativamente natural e, para mim, até um pouco relaxante.
Os dedos nas teclas, procurando-as às cegas, coisa gostosa! A mão segurando a caneta já é um pouco mais cansativo, mas ver os garranchos no papel dá gosto.
Escrever é até fácil, é até gostoso.
O problema é todo o resto do processo, o escrever "inconsciente e consciente", que raramente está conectado diretamente ao ato em si e que toma quase todo o meu tempo. Mais que meu tempo, a minha cabeça. Ou a cabeça toma meu escrever, tanto faz.
Eu pretendia falar mais sobre o assunto, mas eu acabaria me acusando de artificial ou coisa que o valha. Todos vocês podem, espero, preencher todas as lacunas da argumentação com seus próprios... saberes.
[;;;]
Essas idéias talvez apareçam um pouco diferente do normal, mas agora me convenço que é absolutamente a mesma coisa dita por todos antes.
É impossível - e imprescindível e imprescritível - escrever.
sexta-feira, julho 27, 2007
Metaverdades.
Se soubesse, citaria.
E se este fosse um mundo de idiotas,
Ah!, eu seria o rei com todas as honras.
E você, meu amado amigo, meu súdito.
domingo, julho 22, 2007
Sem Título, 20.
Tocou o telefone, atendi às cegas, era alguém em busca de um Fernando, Fernandinho, querendo saber se havia chegado bem em casa. Ponderei um bocado, sabia que eu e ninguém daquela casa éramos Fernando, mas talvez... Sim, sou eu, eu disse, está tudo bem, é como se eu tivesse nascido agorinha mesmo, como se eu só tivesse descoberto que estou aqui agora, com sua ligação, sua linda voz de barítono. Ele estranhou do outro lado e desligou, mas ao menos eu me decidi.
Conheci, hoje, numa das noitadas dignas de Fernando, eu, uma perfeita moça, raríssima. Penso em continuar sendo Fernando ao menos até amanhã, para não magoá-la.
quinta-feira, julho 19, 2007
Acontecimentos corriqueiros tremendamente normais.
Usa a língua de forma fantástica, Ricardo!
Ri um bocado dos significados que achei na frase, a ordem e a asserção, as línguas, as pessoas, eu mesmo como (pretenso) escritor e como (pretenso) amante. Ora, eu não sei quem foi o/a autor/a da zombaria, mas obrigado pelo apoio e por me lembrar que eu posso ser tanto a terceira quanto a segunda pessoa.
E, até, a primeira.
domingo, julho 15, 2007
Tique-tique.
tique-tique
Sentado em frente ao volante, sentia o couro levemente escorregadio e gelado e o semáforo fechado há tempo demais, ouvia a seta para a direita enquanto a chuva pingava...
tique-tique
Na minha frente outro carro, tão cinza quanto o meu, o céu sujo e também o ritmo insistente da luz que acendia e apagava, provavelmente também o barulho em seu interior...
tique-tique
tique-tique
A cada toque um acender, a cada intervalo um apagar, para a mesma direita que eu, exatamente ao mesmo tempo! Eu...
tique-tique
tique-tique
Éramos os dois a mesma pessoa, eu e meu anterior, quiçá minha anteriora, com certeza era ela, no mesmo ritmo, naquela mesma loucura, imersos no mesmo batuque...
tique-tique
tique-tique
Senti que pulsávamos juntos, que éramos simétricos, sincronizados, que talvez se eu finalmente encontrasse...
tique-
tique-
O sinal abriu, e, após poucos momentos de hesitação, o carro da frente, a pessoa da frente, virou para a esquerda.
Vazio, tomei meu caminho à direita.
Talvez ela tenha se expressado mal.
quarta-feira, julho 11, 2007
Pre-tensões.
fôlego
- Só então, companheiros... Vocês vão poder entender o que se passou aqui.
- Isso é tudo?
- ... Sim.
- Esplêndido.
Abriram o alçapão, rangeu a corda, forte e grossa, tão resistente e tesa quanto poderia ser, e rude e acolhedora como a ditadura, e com seu abraço apertado e amoroso estraçalhou as veias jugulares, as artérias carótidas e tudo que restou foi um bocadinho de ar, que logo acabou, e acabou.
sexta-feira, julho 06, 2007
Ela achou que seria legal tentar pornografia.
Você também é capaz de produzir textos sem qualquer estética, métrica, musicalidade? Figuras de linguagem usadas à toa, como quando ilustramos uma coisa com uma foto qualquer sem saber o porquê dessa escolha? A mão do acaso! Ah, por ocaso já observou o acaso?
Ah, pobre papel - numa analogia furada e já invalidada por tudo dito antes -, suportas tantos textos não-primos, todos irmãos uns dos outros, uma mestiçagem danada!
Oh, pobre computador, não entendes nada do que escrevem por ti.
Aqui jaz, com tod'orgulho, três filhotes de cabra e um strictu sensu.