quinta-feira, abril 26, 2007

O processo durou cerca de 3 segundos.

O processo durou cerca de 3 segundos, mas vivi 25 anos naquele instante. Os conectores neurais nas têmporas, os injetores nas veias e o fluido libertador por todo o corpo, por todo o cérebro, por toda a rede neural, pelo lobo temporal medial, pelo diencéfalo, por toda a minha vida.

Após toda a minha vida, voltei para o instante imediatamente anterior àquilo, quando ainda estivera a vestir meu uniforme colante e roxo, resistente como uma armadura, mas leve como um uniforme colante. Fora difícil colocar a roupa, já imaginara o desafio impossível que viria pela frente.

- Lembre-se - começara Marcos - lembre-se de que você enfrentará um inimigo inexistente, mas mais real do que todos nós. Lembre-se de que o que você enfrenta é uma Idéia, Leon.
- Por que o uniforme, então? - eu perguntara.
- Você pode cair - ele apertara minha mão com força - você pode morrer, sabe-se lá o que pode acontecer consigo, mas acreditamos em você, acreditamos todos em você.
- Você acharia graça se eu dissesse que isso tudo me parece um grande e desconfortável déjà vu, como se toda a minha vida eu tivesse vivido este momento.
- Claro que não acharia.

Então, ele ligara os fios à minha cabeça e tudo o mais a meu corpo, em seguida a máquina e novamente e novamente.

Abri os olhos e fui lançado do prédio. Senti o ar voando ao meu redor, acelerando constantemente, aproximadamente dez metros por segundo por segundo, e mais rápido e, finalmente, parei no ar e me equilibrei, de pé. Meu córtex pré-motor queimava enquanto tentava ajustar minha visão, estudava meus movimentos e procurava os dela.

Buscava minha adversária, a Idéia.

Toda a cabeça doía, latejava. Todo o hemisfério direito em chamas, o esquerdo lutando para sobreviver, quando fui finalmente antingido por meu adversário, sendo arremessado por quase 200 metros. Destruí dois prédios ao cair, mas agora eu sabia onde ela estava, e talvez até como abordá-la.

Preparei uma implosão remota de nível 3, mirei vagamente e disparei, e o fato que se seguiu foi nada, a Idéia não estava mais lá. Tentei desesperado a concussão circunferencial, mas apenas as construções responderam ao meu ataque. Foi então que eu senti o mundo se mover logo ao meu lado e acertei um belo chute na minha adversária invisível.

Ouvi Marcos gritando "Isso mesmo!", mas não soube se aquilo era passado, presente ou futuro, de tal forma que ignorei, focando-me no alvo que não sabia onde estava. Mas estava, e a sociedade dependia de mim para parar a Idéia. A criatura já destruíra civilizações inteiras, mas podia ser parada por meu cérebro lotado de drogas, por minha força de vontade viciada, quiçá por meu corpo enferrujado.

Eu flutuava nos céus, ao mesmo tempo que era um gigante com os pés no chão, ao mesmo tempo que era uma estrutura atômico-molecular de dimensões continentais, cada movimento meu era todo o Mundo, eu era o anticorpo, ela era a infecção, o antígeno, o vírus que pretendia destruir o universo.

A Idéia avançou contra mim, acertou-me diversos golpes no abdômen, derrubando mais dezenas de prédios enquanto me empurrava para trás. Desejei que ela parasse, ela parou, senti que era a hora de acabar de uma vez por todas com tudo aquilo. Abri os braços e fechei os olhos, gritei apenas por costume e, instantes depois, talvez apenas 3 segundos, sentia toda a Idéia fluindo pelo meu corpo, enclausurada no meu cérebro, fluindo por toda a rede neural, pelo rádio, pelos sesamóides e pela tinta.

6 comentários:

  1. Ah, não gostei do final.
    Eu sei que o legal está,teoricamente lá...mas "a caneta",ahhh.

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  2. Não, não, o legal não está no final, nunca.

    O final só aconteceu porque eu precisava acabar o texto, o final foi uma amarração forçada, porque eu já escrevia há muito tempo sobre algo que não merecia nada.

    O processo durou demais.

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  3. e o texto tá uma bosta, mesmo xD.

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  4. Ahhh...não sei se uma bosta propriamente dito.

    Se eu tivesse o escrito eu deveria estar orgulhosa...mas como o texto é seu, bem, sou obrigada a dizer que está ruim.

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