terça-feira, maio 13, 2008

Uma hora e trinta, AM.

— Não, é que eu não sei dançar, mesmo.

Dá uma volta em torno dos pés e sacode as virilhas e as ancas e te mexe gostosa alegria tão gorda que te toma e toma todas que a noite é feita para gente que tem os cabelos negros sem tintura e sem raiz e que agüenta as pernas tanto tempo como ti.

— Eu quero, mas... Eu não quero, eu não vou!

Te guarda para teu marido. Preserva a tua castidade. Sonha com o bem do homem que cuidará de teu corpo. Não deixes mais nenhum outro.

— Talvez fosse melhor a gente ir dormir...

Às noites, tu te tornas vulto pulsátil, eu não alcanço teus contornos com os olhos, bem que poderia ser qualquer outra pessoa na minha frente. Mas é tu, mas tu és: teus gritos esclarecem.

7 comentários:

  1. O que leva uma pessoa a usar a segunda pessoa?

    ""Reflitamos.""

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  2. Digo-te não!

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  3. Ser gaúcho? Ou escrever em prol do estilo? ;-D
    Detalhe: "como" não é preposição; logo, não exige que a segunda pessoa fique na forma oblíqua tônica: "como tu", portanto, é o correto.
    Beijo na bunda.

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  4. Kerb, sempre vale a pena sacrificar a gramática pela sonoridade.

    Como-ti.

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  5. "Mas é tu, mas tu és:"

    hahha, demais.

    ricardo, acho que tu devias guardar este para algum concurso.

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