domingo, março 15, 2009

Autobiografia 7.

A primeira menina que eu gostei foram muitas, ao que me parece (ou minha memória faz crer); gostava delas com os olhos, mas demorou para achar alguma que também servisse à minha cabeça ou à minha boca ou, até, aos meus dedos.

Me lembro claramente das Pessoas falando que eu gostava de Débora, mas era mentira delas, nunca havia me passado pela cabeça algo sequer próximo disso. Também, quando me interessei verdadeiramente por alguém mais objetivamente, nunca suspeitaram de mim e nem era um gostar fofo como alguém pode imaginar. Era só que ela era bonita e não era uma pessoa terrível.

Havia muitas pessoas que me davam certo nojo naquela escola. Foi lá que aprendi a ser arrogante, foi lá que aprendi algo de ironia e de sarcasmo, foi lá que aprendi a vingança velada. Também aprendi a desprezar professores.

Havia amigos, certamente, já que, aparentemente, o excesso de dinheiro faz menos mal aos homens que às mulheres. Hoje, ainda que possua grande estima por alguns (ou algum) deles, sinto muita dificuldade de me relacionar com eles: não há vocabulário comum, não há objetivos comuns, a federal acabou terminando de me transformar ainda em outra coisa.

sábado, março 14, 2009

Autobiografia 6.

Por que Cinema e não Literatura?

Satisfação do olhar, um realismo pessoal descoberto nos atores. Isto é, a noção de metaverdade ainda mais pura.

(por que uma autobiografia e não uma autocrítica? que diferença pode haver entre uma confissão sobre mim e uma confissão sobre o que faço ou quero dizer?)

Reitero: o que tenho buscado na Literatura já há algum tempo é uma reapreensão da realidade, existente ou não, e, por isso mesmo, a criação de algo totalmente único, pessoal e verdadeiro. A noção de mentira invertida para si mesma, isto é, um contar que é, por excelência, falso, mas que se torna verdadeiro em sua leitura. A necessidade de uma certa (vero)semelhança construída com a realidade se mostra no clímax deslocado, na subjetivação da narrativa, no fantástico banalizado.

Por que Cinema?

Quando pensei em entrar em Audiovisual, minha noção de Cinema era que era uma arte do paresser, da mentira construída ainda mais forte, pois fundada numa representação do real.

(por que cinema?)

A desconfiança no discurso das palavras aplicada também à imagem, também ao som (por que o som?), também às pessoas todas que estão lá à frente da câmera, atrás. Mais um vocabulário, mais uma falsa sintaxe, mas discórdia e teorias. Uma arte essencialmente moderna, contemporânea à prosa e poesia moderna e, ainda assim, tão distante.

(por que cinema? o que fazer pelo cinema?)

Enfim, uma espécie de amor.

(fauxe bequener)

quinta-feira, março 12, 2009

Autobiografia 5.

Me declaro um voyeur por excelência, id est, o olhar tem importância grande (demais) para mim. Vontades mil focalizadas em um glimpse et, voalá, mais uma pessoa capturada pelo meu olho-estável.

Além disso, é notável minha capacidade digressiva ou, apenas, não-direta-ao-ponto, porque muitas vezes o ponto é indizível ou inexistente, e então me sinto navegando por assuntos que não interessam, ou que são um pouco menos. Também sinto dificuldade em falar com pessoas sem nenhum tipo de afinidade gostística comigo, talvez com todos seja assim.

Eu costumo maltratar pessoas que eu tenho impressão que não pensam suficiente sobre si ou sobre o mundo ou sobre qualquer coisa. Às vezes é puro sadismo, noutras, quero tentar contaminar a pessoa com esse sentimento ruim que eu tenho aqui, que se chama dúvida.

Hiperbólico.

Agora, ligo pra Camila.

quarta-feira, março 11, 2009

Autobiografia 4.

ESCREVO ISTO na aula de documentário. Olá, metalinguagem! Olá, diário! Ufa, acabei de ir fazer xixi, 3 das 4 cabines estavam "ocupadas" e havia um cheirinho de cocô bonito e um barulho de jornal. Agora (ou seja, em algum ponto do passado) estou entre, sentado, Renata e Henrique. A primeira me é uma incógnita, o segundo sleeps soundly, eu escrevo e pronto.

Discutimos o método de escolha de seminário, algo arbitrário e similar a um jogo de regras pouco expostas ou um pouco confuso ou tudo isso. Que besteira, vamos ao filme de hoje, sobre armênios massacrados _ "NÓS", exatamente como foi feito-chamado o romance distópico inaugural. CLOSES X PLANOS GERAIS _ Pelechian.

segunda-feira, março 09, 2009

Autobiografia 3.

Um pouco entediado tentando achar o que escrever hoje... Tantos momentos importantes... Por exemplo: Assisti a WindowWaterBabyMoving com a música tell me e nobody das wonder girls... no fundo... e falta pouco pro dia acabar... Mas agora... Amanhã já é outro dia... Amanhã....

domingo, março 08, 2009

Autobiografia 2.

RICARDO:
No fim das contas, você nem me deu um pedaço do pão com Nutella.
LILA:
Eu dei sim!!
RICARDO:
Não deu.
LILA:
Um pedaço de pão...
RICARDO:
Não...
LILA:
Uma bisnaguinha!
RICARDO:
Você não me deu uma bisnaguinha!
LILA:
Eu te dei uma mordida! E do meio, ainda.
RICARDO:
Não-deu-não!
LILA:
Caramba, eu não tô brincando! Eu dei sim, pode ir ver lá no pote de Nutella!
RICARDO:
Você pode até ter comido, mas você não me deu!
LILA:
Eu dei, sim!!
RICARDO:
Você acha que eu não ia lembrar?
LILA:
Eu te dei Nutella, caramba, para de brincar!
RICARDO:
Ué, por que você tá brava?
LILA:
Eu te dei e você fica falando que não...
RICARDO:
Pra mim, você não deu.

sábado, março 07, 2009

Autobiografia 1.

Então estou no ponto de ônibus e leio um livro do Aumont e leio um livro do Aumont — mais precisamente, releio uma frase para tentar entendê-la — retê-la —, quando uma mulher vestida como se vai à Paulista se desculpou por interromper minha leitura e me ofereceu um folheto colorido com algumas figuras e blocos de texto grandes e brancos. Havia uma tartaruga e um jaguar, o fundo era laranja e ela disse algo como que era para eu o ler depois, disse sobre sua empresa ou não sei bem, e eu compreendi que o que ela queria mesmo era me ensinar a ler, quem sabe, 200 páginas por segundo.

Eu disse não, obrigado, obviamente fui ríspido, ela me perguntou se eu gostava de ler, eu disse eu gosto, mas acho que ela entendeu não gosto, ao que ela me disse que tinha achado que eu gostava, mas as aparências..., então eu disse E U G O S T O, só que ela já se distanciava e voltava ao homem que a acompanhava.

Moral da história: não se ensina a um homem apaixonado por sexo a gozar mais rápido.

quarta-feira, março 04, 2009

Knowing Hochhäusler 2/2.

1.
O cinema é uma máquina de criar realidades, no sentido que o real é determinado pelas histórias, que o relato cria realidade. Assim, metonimicamente, o cinema é realidade - ou, se formos mais ambiciosos, a realidade é cinema.

2.
O roteiro critica a realidade.
A filmagem critica o roteiro.
A edição critica a filmagem.
Ou seja: o próprio processo de produção de um filme deve ser dialético, ou, se aproximando dos conceitos de Eisenstein, deve ser uma montagem de atrações.

3.
Um filme deve ser suficientemente aberto para necessitar do máximo de trabalho por parte de seus espectadores, ou seja, os espectadores devem ser ativos, ou seja, o filme é construído na cabeça das pessoas e nunca independe delas. No entanto, um filme aberto demais (não) permite qualquer leitura e, portanto, não diz nada. Gandhi nunca afirmou isso, mas seria engraçado se o fizesse.

domingo, março 01, 2009

domingo, fevereiro 01, 2009

Ares da graça: artista.

E, neste momento, tudo que eu posso fazer é xingar interiormente o meu agente por ter me feito aceitar uma coisa dessas, estar de pé ao lado do Faustão enquanto um telão me mostra meus pais sorrindo - hipócritas - e dizendo - hipócritas - o quanto admiram meu trabalho e o quanto me deram apoio. Sorrio e balanço a cabeça, Claro que sim, não é? O mais importante para um homem são os pais, acho que só sou o que sou hoje por causa deles, Brigado, pais! Quem-sabe faz ao vivo, acho, e o Faustão felizmente me salva da minha fala e fala por cima de mim, apresenta mais meia-dúzia de gente que eu tinha esquecido totalmente (é mentira minha) e que realmente me emociona (que coisa, é ruim emocionar-se com a apelação), e não tem nada a ver com o conteúdo de tudo aquilo, que é pura burguesia idiota e "Olha como eu venci na vida!", mas sim porque há tanta coisa por trás daquele olhar direto para a câmera e o sorriso levemente abestalhado desse pessoal que nunca foi filmado antes e que deve parecer bonito e simpático para o público e que responde às perguntas mágicas do entrevistador com o máximo de precisão e em três tomadas. Isto é: Pedro Rocha conta sobre as nossas brigas de infância, mas o que interessa (e que ele nunca vai dizer em público) é que ele roubou todas as minhas namoradas até os 19 anos e que nossa amizade sempre foi fundada puramente no ódio (embora este fosse certamente da melhor qualidade); já beijei Agnaldo na boca, também todas as outras experiências heterodoxas de mi vida foram com ele, e isso inclui também a única vez que matei um mamífero de propósito, enfim, que sea; Maria Maria diz tudo de bom e certo sobre mim, mas o que ela fez a vida inteira foi me esnobar e me chutar, até o dia em que tudo isso de artista da Globo começou e nossa amizade se transformou em algo, e, enquanto ela fala, só consigo prestar atenção na boca que finalmente me.

E então aparece a imagem de Sofia e e e e e e eu não sei bem e e e ela diz que me ama muito e e e e e e e e ela conta da nossa lua-de-mel em Parati e e eu olho de esguelha para Faustão e e e e não há onde me esconder e e e e e as dançarinas me flanqueiam a volta e e e e e e o público (o pequeno, não o de todas as tevês ociosas de domingo. Aliás! Inclua esse público também na minha informação e estará tudo nas devidas dimensões) me encara e e e e ela me manda um beijo e eu a encaro os olhos no telão e e e e ela sorri vagamente e e eu olho de esguelha para Faustão e ele olha para mim e e e eu abro a boca e e ele pergunta alguma coisa que eu não sei entender e e e e e e e e e e e eu acho que meu ar não e e e ele olha-me fundo-duro e e eu Mas... e e e e e e ele parece efetivamente preocupado e e a produção parece que e e e e e Ela... Como que vocês? e e e e e e e aparecem pessoas a minha volta e me agarram os cotovelos e e o público provavelmente se deleita com o espetáculo e e e e e e e as lágrimas e e Eu... Vocês... e e e o Faustão chama os comerciais e e e e e e e e e eu De onde vocês tiraram Sofia? e e e e ninguém parece me entender e se bem que eu também não os entendo e e e e e o Faustão pergunta se está tudo bem e e e e e e eu digo Ela está morta.

sábado, janeiro 17, 2009

Polilara.

Lara tinha 9 anos quando sentiu o pedaço de carne em sua boca pulsando e VIVO, ora, e sua garganta se fechou e não foi capaz de engolir. Correu para o banheiro e cuspiu na privada tudo que tinha na boca — a língua, quase —, também vomitou.
Quando explicava o porquê de seu vegetarianismo, caçoavam da história — “Quer dizer que você é das que cospem?”, “Você não gosta quando a coisa pulsa na sua boca?” — ou chamavam-na de alienada, pois faltavam razões políticas, enfim.
Uma vez, Lara disse:
— Foda-se.

***

LARA
Ah... Quando eu tinha uns nove anos, eu tava comendo um bife, acho, e aí eu comecei a... sei lá, eu tava mastigando e eu senti o negócio VIVO, sei lá, PULSANDO. Aí eu não aguentei e fui cuspir e vomitei tudo.

ALGUÉM
Na mesa?

LARA
Não, eu comecei a ficar enjoada e corri pro banheiro.

ALGUÉM
Então você é do tipo que cospe? Você não gosta quando pulsa na boca?
(ri sozinho)
Mas, sério; quer dizer que você não come carne só porque tem NOJO?

LARA
Você acha pouco?

Lara se ajeita na cadeira.

ALGUÉM
Não, é só que... e as implicações éticas? Esse papo de indústria da carne e tudo mais?

Lara puxa o copo com COCA-COLA, pega o canudinho e o coloca na boca, suga um pouco, olha para Alguém.

LARA
Foda-se isso tudo.

***

Viva, ela é pulsante
a carne eu cuspo, sim; sim
eu sou dessas, mesmo.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Um conto escrito às pressas numa LANHouse (Córrego Fundo - MG)

(ou então: ménage ³)

Virgínia veio valente
Pato partiu potente
Nanda nunca namorou
Gabi garante: gozou.

domingo, janeiro 04, 2009

Cheiro de novo de novo.

O que que é o novo? O que que é o ano? O que que é o novo ano? O que que é o ano novo?

Essas perguntas sempre atormentam meu sono, e aí eu trago pra vocês meus caros leitores: como a gente pode dizer que um ano acabou se é tudo só convenção que a gente inventa? Quer dizer, eu invento que o ano acabou e por isso acabou?

Ah, meus caros leitores, eu acho isso tudo muito complicado e chega a ser difícil falar sobre isso. Eu não gosto do ano novo, porque ele é BRANCO e eu prefiro o negro. Eu me sinto sozinho no branco.

Cada ano trás um monte de promessas novas, não é? Já fez as suas? Eu já tenho tanta promessa atrasada que esse ano eu não fiz nenhuma, só tenho que cumprir as dos anos passados que já tá ótimo.

Bom, é isso aí, vou viver meus anos aqui e boa sorte pra vocês!

P.S.: Gente, eu tô lendo um livro do Bradubruy que chama "Fahrenheit 451". Imaginem um futuro em que os livros são proibidos e que eles são queimados pelos chamados "bombeiros". Assustador, não é? Acabam os bons sentimentos, o conhecimento, a prosódia, a poesia e tudo mais e os homens viram robôs sem coração. Caros leitores, recomendo do fundo de meu coração, é MUITO melghor que o FILME.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

parte: um leão morde a própria orelha num show de mágica

Marcos a olhava nos olhos e sorria, ela, idem; mãos dadas os dois num pequeno banco de praça de um parque vazio na manhã mais fria do ano de 2008. Já eram um ou dois meses? Foram bons e verdadeiros, cada vez os abraços mais fortes e mais inteiros e entreguistas (cada vez mais nus), ele também a tocava, agora, os jogos eram mútuos e seguros e sempre em frente, ‘Eu te amo, Marcos’. Marcos abriu a boca e desviou os olhos.

parte: um pequeno leão encontra seu verdadeiro dono

Ele estava com a garota a primeira vez, no abraço ele já percebera alguma coisa nela e em suas intenções, sentira como ela o tocava de corpo inteiro, como era um abraço completo e quase já entreguista logo no primeiro encontro, no primeiro beijo no rosto e quando o apresentaram como Marcos à garota loira e ela sorrira e dissera que era mentira, que o nome dele era Leãozinho, por causa dos olhos dele que a olhavam nos olhos, mas de esguelha, de soslaio, de indireto; riram todos, e ele sentira o orgulho fervilhando diferentemente. Não era de Leão, mas e daí?

parte: um leão é sempre um rei

Marcos a segurava pelos cabelos quando fazia por trás, sussurrava alguma coisa quando estava quase lá; alguma coisa era sempre ‘eu te amo’. Nunca nos olhos dela, nunca.

parte: sozinho

Marcos tomava um milkshake e pensava como havia gente bonita no mundo, apesar de tudo.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Retirada.

Sei que é perda de tempo, mas ganho tempo – ao mesmo tempo – falando, por que não?, sobre o tempo. Você me quer entre suas pernas; pena, não desejo nada seu, minhas tropas recuam cuidadosamente enquanto menciono o calor absurdo – este Sol ainda me fará matar alguém, juro! – e tento ignorar seus olhos de vanguarda. Fuzis apontados entre minhas sobrancelhas, e eu, sobranceiro, discorrendo sobre nuvens pesadas e assustadoras.
Já alcancei a primeira trincheira, nos escondemos atrás de sacos de areia com as metralhadoras à mão, agora tenho confiança suficiente para fitar-lhe o rosto como um amigo, apenas um amigo, amigavelmente cedo-lhe o tempo de falar. Seus soldados estão estacionados, você apenas concorda com tudo que eu disse – o aquecimento global é um horror, e assim vai –, então também se cala.
Minha fuga alcança os navios, todo o meu exército em retirada nas docas: voltaremos para nosso país; derrotados, mas livres. Está tão quente, você diz, que nós, seus aviões decolam, poderíamos, vejo-os claramente no horizonte, tomar um banho, eles vêm ao meu cais, juntos, as bombas em queda-livre, meu amor, a morte.

domingo, dezembro 21, 2008

A república dos cabaços!

Dia 20 de dezembro de 2008 me senti de-repente muito sozinho nesse mundo das artes-internéticas; não que não haja gente por cujo trabalho me interesso, só que era cada um no seu canto e as distâncias aqui são virtualmente infinitas.

Surgiu-me uma epifania e aí percebi que eu tinha a resposta. Ou podia ter, era só colocar a mão na massa.

Pois bem, dia 21 de dezembro (a madrugada pós-20 de dezembro), fiz algo por mim e pelo mundo. É um pequeno ato, mas talvez seja grandioso:

Um blogue que alcança todas as artes e que é um contingente infinito:

A república dos cabaços!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Glicemia (baixo).

tonto,
tonto,
tão tonto;

tô tão tonto,
tantão,
tô tão
tonto!

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Lara vista por um homem que gosta de mulheres e que as "segue" com o olhar (uma espécie de relação metonímica com o olho móvel; ainda mais uma).

E então, conforme eu descia as escadas para o metrô, percebi do outro lado (nas outras escadas, nas rolantes) uma mulher apoiada no paramão com o cotovelo esquerdo, a mão no queixo, o olhar levemente perdido (como quem anda de trem e vê o mundo passar) e azul. Caía bem com os cabelos pretos e curtos (não é todo azul que cai bem com preto, sem preconceitos, é claro), e seu rosto era lindo em sua branquitude e junto com a camisa xadrez de tons escuros e quentes: mais uma pessoa da Paulista, mas tão hipnotizante que deve receber esses olhares sempre, não sei; me percebeu a mirá-la, me olhou firme e eu me desviei para a pessoa feia (sua nuca era ordinária) que descia as escadas à minha frente, me desviei para meu mal-estar, para a dúvida sobre seu olhar e para um pouco de pé no chão. Mas ela ainda estava subindo, eu ainda estava descendo, ela ainda estava me olhando daquele jeito que eu posso fingir que era indagador ou que era solitário, provavelmente só era um olhar, enquanto o meu... estava de volta nela (só que ela de costas), e ela carregava uma mochila-bolsa preta e parecia mesmo angustiada quando vista por trás.

Um homem nunca pode olhar demais para trás, e então estava no metrô.

terça-feira, dezembro 16, 2008

e, ainda assim, vocês olham pra cima.

o céu estava nuvens rápidas lua branca e luminosa o céu estava difuso refletido no chão sem história para nuvens rápidas lua branca e cheia o céu estava refletido no chão sem sombras para contar sem céu sem vermelho nuvens rápidas lua branca isqueiro refletido no chão lua branca e azul na grama sem história e sombras sem céus nem vermelho nem história para o céu estava sem nuvens muito rápidas passaram noite clara e luminosa cheia o céu estava refletido duro no chão com sombras para contar sem céu sem vermelho as nuvens rápidas isqueiro refletido no chão a luz estava pouca tão bonita refletida no chão

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Das responsabilidades de um Homem Maduro.

O H O M E M D I S S E A
M E N I N A C H U P A O
P I N T O U P E R D E A
VIDA.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

autos e baixos (conjunto involuntário surrealista).

você e eu e todos nós estávamos a favor de stálin, o do
[time azul
você derrubou a macarronada e sujou minha cozinha
a bola sempre cai e faz a maior sujeira na
[cesta.
a máscara sempre cai e faz a maiorsujeira na cara
quer ir a uma mostra de cinema africano?