segunda-feira, maio 24, 2010

Carta aberta:

E, por fim, para encerrar meu ponto de vista, já que é provável que você queira terminar a conversa por aqui:

Acho deliciosa a possibilidade de confundir palavra com poesia com conto com romance e o livro em que ele se inscreve com o filme com a película em que ele se desenha com a luz do projetor com o rosto do ator com o caderno na mão de Bresson anotando seus axiomas aforísticos com uma tarde feliz com uma tarde com pessoas felizes com meu pé no chão frio.

Aproximadamente.

Estágio bem-remunerado.

Procuro estagiários de bom humor e talento na escrita. Horário livre por 3 meses. Remuneração a combinar.

Obrigado,
Ricardo Miyada.
rmiyada@gmail.com

sábado, maio 15, 2010

eu digo por meus olhos que

uma linha reta que deixa de um lado um pouco mais escuro (creme com nuances cinzas jogando-se sobre), doutro puro pela luz do sol (que vem dissolvida pela distância da janela, mas forte, resistente, bonita em seu preenchimento), sintonizado com as outras cores quentinhas com impressão de gelado da sala que ocupa essa parede.
a porta posta sobre ela, marrom do tipo antigo, ideia de lustra-móveis; octógonos irregulares, curvos, isto é, adornos sérios e brilhantes, protegem a saída de casa.
uma pequena chavezinha sem chaveirinho colocada transversal permite ver o pedacinho de batente através de si... colocada assim, no contra-luz, é apenas máscara, dum tom bronze exagerado pela sombra.

não há nada a se dizer sobre a maçaneta.

terça-feira, maio 11, 2010

Exercício do primeiro ano colegial, agora repensado, escrito às cegas, sem combustível (descreva o abrir e o comer de um bombom).

a todos os professores que algum dia me cumprimentaram com esperança em nossos olhos.

Bem, Ricardo pega em minhas mãos a bolinha magenta, quase não pesa nada, joga-as para cima e a captura de novo e de novo. Fazem sempre barulho, a cada queda, mas ela não é tanto aquele clequechiiitchi que eu esperaria, ela a lança e aperta com firmeza, quase como se não existissem, o som foi só um tunque misturado com um xi, curtinho, instantâneo. Avaliamos o peso, não é quase nada, minha mão direita segurando uma aba, sua mão esquerda segura a outra. Puxamos, eles se abrem, rodando, deslizam... foi fabricado assim, para ser feito assim, sempre igual, se envoltando — o envólucro, porque envolve e desenvolve o lucro — em torno de mim.

Ricardo fareja. Noz, amendoim, chocolate, sabor repetido no cheiro, resquícios de leite de amendôas, xuxa, uma só mordida...  Nos adiantamos, ainda resta nos livrar de vez do plástico em volta, e sua mão arranca a bolinha do papel-plástico e eu o jogo no chão, foda-se, Ahnão, derretido de novo, meus dedos mindinho se encontra com o melecar todo, parece morno — Ricardo olha feio para Robertinho, que o vendera o dito bombom, que, como adivinhado antes, é um Sonho de Valsa imaginário, sem chei(r)o, nem me lembro direito se é mesmo o sonho de valsa ou se é a Sensação —, nada disso parecia atrás do alumínio barato, nananão. Filhos da puta, mas não era bem isso, ele lambe seus dedos e percebe que agora é a outra mão que se sujará.

Besteira! Num átimo, tudo dentro da boca, enfiado, chega do cheiro de nós, amendoim, chocolate! Nada que não, pois temos que engolir-lhes tudo, mas antes terminar de desmanchá-lo na boca, esperando-nos despir o rio. Macieza. Meus dentes raspam a casca, arrepiamos as nuca e AH, OS PRAZERES QUÍMICOS DO CHOCOLATE, o wafer começa a querer amolecê e com jeito tu vai lá e racha-o, até com gentileza, e tu pega sua língua e Ricardo separa ambas as partes: esfera crocante, com gosto de jamaicanos nus, e pasta de amendoim endurecida, que parece seleção de futebol, dadinhos. Dissolve-se de um lado, tritura-se do outro:

Sabores que se entretemos. Quermesse: meloso, riozinho de lava torradinha, aroma por dentro da narina, delícia infantil: a gente engole mais a infância que o bombom. Tem uns caras que tu tão tocando trompete no fundo e derrepente você lembra onde que você tava, é uma quermesse e toca jazz, cool pra caramba. Ainda gruda na garganta.

Talvez eles tenham balas de cocos, falou Ricardo para a gente mesmo. Não sei, na real.

terça-feira, abril 27, 2010

Masculino versus feminino.

Pacotinho de papel de seda"o que é?"é só um presentinho"de quê?"pra você"por quê?"eu quis"Olham-se desconfiados"ok."sorrimos e então (num átimo!)

olhos cruzados nos olhos (um olhar vê o outro olhar, não se trata do fundo da alma ou coisa assim; apenas linhas que se enamoram)
ele
rasga
o papel de seda
dela

"caixinha bonita"agora é sua"e dentro?"tem ar"só ar?"você pode colocar outra coisa, também"legal."
    

domingo, abril 25, 2010

Parede rosa, estante colorida!

O how many books in front of me
like, you know,
they make me smile and sneeze
so happy I am i've read them
and've learnt how to think like them

it's just like eschistosomosis (is this right?)

I mean... why not?

If only they werent so dusty, damn them.



i mean

they make bad for me lungs
and
e
english facilities

turn right and you are there

follow my footprints, they are written, they are massive, they are pretty more Adornistic than Godlessnistic as if Swift was still alive, holding his guts against a crazy-eyed iron Man fighting Sysyphus once again.

because

its so

it's soul

them

confuse for me having to write this while being so so below them

those books
lurking at me
not knowing that I cant' even

really


undertand what they are talking about
and in which language
they try to speak to us

no europe im fine with europe

cortázar and rosa on the sameless self
shame shelf





o poor ghost
i dont know
anymore
if I am taking you to the Ball

or if I'm gonna bring the fucking ball to you.

terça-feira, abril 20, 2010

foi promessa de vida no teu coração.

pau, pedra, fim, caminho
foi peixe, foi gesto, foi prata brilhando
foi noite, foi morte, foi laço, foi anzol
foi belo horizonte, foi febre terçã
foi espinho na mão, foi corte no pé
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
foi estrepe, foi prego, foi ponta, foi ponto
foi ave no céu, foi ave no chão

foram águas de março fechando a versão.

domingo, abril 18, 2010

Por um buraco no chão.

É por uma frestinha no chão
que vejo sorrir
o teu [adivinha só]

segunda-feira, abril 12, 2010

¿Deve ser, não é?

De repente, pode ser que ela não seja culpada de nada e que isso seja totalmente falso e burro, enfim, que condená-la signifique justamente o oposto da justiça. Me parece que ela, sim, assassinou o sujeito com frieza, cálculo, nostalgia e dor, um bastão de beisebol (coisa muito rara, aqui, e veja só, digitais de sua mão na arma do crime), e que não houve mesmo motivo algum para o homícidio.

Aleatoriedade (autoridade dos dados), alearquia apolítica num suingue de madeira na cabeça do sujeito, ora bola. Por que não? Ainda assim...
Algo não gruda. Certamente, a ideologia da menina é uma bombarrelógio: não crê em nada, não gosta de nada, não espera a felicidade, gosta de gatos mais do que de cachorros, enfim, todatoda questionadora e por aí vai. Mas ela sorri _ eu a vi rindo pelos corredores _ e ela chora _ e a vi chorando pelos corredores _ demasiadamente gentil, demasiada gente, bela, frágil, incapaz de matar-sem-se-importar.

Preconceito meu, ê üm. É, sim. Ela sentada lá, e eu sei que as provas todas apontam para ela e que há até uma quase-testemunha, que quase-viu alguma coisa. Nenhuma chance dela ser inocente. Ela não nega nada, chega. Também, não sou eu quem deve julgar as pessoas, eu apenas acuso e pronto.

De repente, pode ser que ela seja culpada, não é? E aí vai ser bem feito que a estuprem e a enfiem num miolo de pão esmagado pelo pé do Dianho, o Sujo Iluminado, que nem ela, eim. Sei lá, comichões, também, mas meu corpo não sabe de nada e não vou dizer que acredito que a gente consiga prever as coisas assim, numa boa, só com uma coceirinha na nuca.

Nada disso, não, não. Ela é linda e perfeita e é talvez mais culpada do que qualquer outra pessoa que já passou por aqui. A superfície pura só torna mais óbvio, pra quem entende dessas coisas, que ela é podre, cheia de bichos estranhos em suas entranhas. Ideias esquisitas.
Sai pra lá e morre de uma vez.

quarta-feira, abril 07, 2010

Os Famosos e os Duendes da Morte (resenha crítica em sofismas).

Esmir Filho da Puta chega chegando e faz uma coisa assim, como pode, Novo Cinema Independente Alemão Brasileiro? Hochhäusler e Petzold, mais publicitário, sim, com certeza, mas, ainda assim... Mais jovem, efetivamente.

O À Deriva que deu certo.

Filmexplosão no inusitado. Que cinema brasileiro é esse? De onde veio com que antecedente? Não é possível, porque... Nada de Espalhadas pelo ar, cruz credo, não é esse nível de diafania.

Fotografia friamente difusa desfocada curta, linda (a garota), lindo, mas a beleza a estetização é a melancolia do lugar do espaço, é o que torna possível.


Tátil mesmo são os vídeos da Tuane.



O choque vem aos poucos, mas é isso é Cinema e é o melhor de brasileiro que minha memória deixa pensar dos últimos anos.

Filhos da puta, arre.






nota: a cena com os velhinhos é ridícula.

terça-feira, março 30, 2010

UM MENINO LEVOU UMA BOFETADA NA ORELHA.

um menino levou uma bofetada na orelha, ai que dor, pensou por dentro, por fora, nada

mesmo assim, enfiaram-nu no lixo logo em seguida.

sexta-feira, março 26, 2010

Um texto muito sério disfarçado de mais um que foi facilmente influenciado pelo livro A Metamorfose, de F. Kafka.

(anotações sobre parte de uma viagem onírica não-ocorrida)
Acordei e senti minhas costas doendo e meu pescoço rígido; soube, pois, que havia me transformado em uma Barata e que meus dentes não estavam tão bem escovados quanto era de se esperar de uma madrugada. Tentei me levantar e não tentei, porque tinha muita preguiça, e então minha namorada (daqui para sempre será chamada A Ruiva, ou, vez em quando, ela) continuava dormindo, por isso eu não a incomodei e tentei voltar ao sono; não voltava o sono, me virei pra ela e sorri, porque ela vestia a minha camisola preferida.
Antes que me entendam mal, eu não uso e nunca usei uma camisola. Durmo sempre com uma camiseta velha e uma calça velha: repito a calça durante duas semanas e a camiseta por 2 dias e meio, aproximadamente. A camisola era d’A Ruiva e ficava muito melhor nela do que em mim (suponho).
Acho que caí um pouco no sono, mas talvez ela tenha aberto os olhos uma hora e visto meu rosto e ficado muito-muito afetada, porque ela gritou e desmaiou e não sei direito, porque não acordei; dormia e foi assim que acabou minha única madrugada metamorfoseado em Barata, não foi tão mal quanto vocês podem imaginar.
***
Ufa, acordei e já não era mais uma barata e nem um inseto. Minha barba pinicava, quem se importa, pelo menos eu tinha 4 pernas, como sempre, e A Ruiva não estava mais deitada a meu lado, quem se importa, ela sempre acorda mais cedo e vai comer alguma coisa. Nunca fez café para mim.
Escovei meus dentes, lavei o rosto (um pouco) e cambaleei até a cozinha, A Ruiva encarava uma xícara de café e levava os cabelos ao lado do rosto bem bonitos, pena que sempre tome banho e penteie antes de sair. Fica igual a todas as outras mulheres sérias que trabalham, mais ou menos do mesmo jeito que eu sou igual a todos os outros homens sérios que trabalhavam.
Oi, bom dia, Ruiva.”
Ela assoprou o café e continuou o encarando e eu alonguei minhas costas e meu pescoço e bocejei muito pra ver se chamava a atenção dela. Beijei no pescoço detrás e ela abaixou mais a cabeça, assim eu beijei mais e mais até que ela virou o rosto meio de lado pra mim e me olhou nos olhos e aí eu percebi que A Ruiva não estava a fim.
Acordou de pé esquerdo, foi?”
A Ruiva disse: “Tu não me olha assim que eu não suporto”.
Triste, tão triste tão cedo e por quê? Peguei o café dela (ela nunca fez café pra mim), me sentei em frente dela e mergulhei algumas bolachinhas doces. Foi bom, apesar de ser café solúvel, enfim, não somos ricos.
Isso tudo só porque eu virei Barata durante a noite?”
Tossi e limpei meu nariz numa toalha de papel. Senti vontade de tomar suco e fiquei um pouco mal por nunca termos suco de manhã, mastiguei uma bolacha a seco. A Ruiva continuava mirando o lugar que tinha antes a xícara de café, as mãos dela ao lado do pires. Seu relógio (não dizia nada) apontava 7 horas e 15, por isso não me surpreendi quando se levantou e falou que precisava tomar banho e se arrumar.
Eu posso te levar no trabalho, eu não tenho nada pra fazer, mesmo”.
A Ruiva colocou todas as coisas na pia e deslizou para o banheiro.
***
Se isso fosse um filme, mostraria A Ruiva tirando a camisola e entrando sob o jato de água bem quente, ela levanta o rosto e molha seus cabelos e fecha os olhos suavemente enquanto passa as mãos pelo rosto e pelo cabelo. Os ombros também recebem água, as costas também, (dependendo do filme, até a bunda) e os pezinhos perto do ralo. Se fosse um filme americano clássico, o ralo teria uma significação de escoamento da vida, e então alguém surgiria por trás da cortina do Box e talvez se insinuasse de leve os peitos dela ou algo assim; este é um texto brasileiro e poderia muito bem ser apenas um filme brasileiro, e aí o ralo indica a posição social dos personagens e os peitos dela são mostrados agora, quando ela sai para se secar e absolutamente nada de diferente aconteceu na cena inteira. É tão bonito mostrar as mulheres tomando banho!
***
Troquei minha roupa por uma coisa mais certa para o lado de fora, peguei a chave do carro e fiquei na frente da porta do banheiro a coçar minha barba. Que canseira! Mmm, sentei no chão e comecei a cantar uma cantiga chinesa que eu aprendi com um amigo que fazia Caratê, assim:
Ê tsum pararara! Ô corum ritoráná! Maxuquê, ratatatá! Icudeiô atamá tentem!”
A Ruiva sempre gritava comigo quando eu fazia esse tipo de coisa, então eu estranhei que o barulho do chuveiro continuasse sozinho e ela quieta muito. Me dá um pouco de pena perceber como tem gente sem cultura nesse mundo, intolerante com as manifestações dos outros totalmente... Mas ela é linda e eu nunca encontrei alguém que tivesse tanta certeza das coisas quanto ela.
O chuveiro parou e eu levantei as orelhas, pronto pra pular em cima dela e morrendo de vontade de fazer xixi. Foi então que eu percebi que nunca mais a veria novamente, que aquela fora a minha despedida e Adeus aos cafezinhos gostosos que ela nunca fez para mim, Adeus às massagens de uma só mão e aos deliciosos Bolos de Cenoura. Me senti muito mal por isso, levantei e fui embora daquela casa, mas que diabo (tranquei a porta, por via das dúvidas)!
***
Consegui um emprego naquela tarde num bar-sinuca do centro da cidade. Meu objetivo é perder para os jovens arrogantes que aparecem por aqui e deixá-los eufóricos e acabar fazendo eles gastarem tudo na bebida ou perderem pra um dos caras contratados pra ganhar dos jovens arrogantes que aparecem por lá. Uma das coisas mais divertidas que eu já fiz na vida, é quase como lutar boxe profissionalmente e ter que se envolver com a Máfia e Rocky, não sei.
No fim da noite, me deixaram tomar o resto da cerveja nas latinhas e acho que nunca tinha bebido tanto na minha vida, porque foi a primeira vez que eu dormi no volante. Ainda bem que o carro era treinado; acordei na frente de casa, com o rádio ligado e tudo.
A porta tava trancada, como eu tinha deixado e assim vai. Que bom, que bom.
***
A Ruiva disse: “Porra! Aonde você se meteu esse tempo todo? Você me deixou trancada aqui e eu não tinha o que fazer e meu chefe já tá maluco comigo e você vai só ver o que vai acontecer e quero ver quem vai botar comidinha na sua boca daqui pra diante...!”.
Não tem problema, Ruiva, eu arranjei um emprego bom.”
A Ruiva disse: “Porra! Emprego? Aonde você se meteu? Você me deixou trancada aqui e eu não tinha o que fazer...!”.
Desculpa, eu achei que você tinha pulado pela janela do banheiro e fugido, aí não queria ficar que nem um tonto esperando você enquanto você corria por aí.”
A Ruiva disse: “Porra!”.
***
A Ruiva dormiu de costas pra mim essa noite. Tudo bem, ela ronca.

quarta-feira, março 17, 2010

cansei de olhar para o sol e só ver o vermelho de minhas pálpebras

arrogante, sim
pequena, sim
bonita, sim
todos itens pra explosão

mas não há explosão
mas não há explosão

mas não há em plutão
nós não somos nada

sexta-feira, março 12, 2010

Vocês hão de escrever assim:

Enquanto durou, foi duro
agora que foi, moleceu as ideia.

pena.

quinta-feira, março 11, 2010

A solidão do projeto¹.

Você pode me chamar de covarde, mas a única coisa que me salva essa vida contra o mundo é poder de vez em quando me recolher em uma cabana chamada projeto pessoal e entrar numa busca por algo que me interessa mais do que a qualquer outra pessoa, talvez só a mim.

É por isso que mato dragões.






1. Título retirado do seguinte texto: http://projetosnatemporada.org/eventos/arte-projeto/groys/solidao-do-projeto/

domingo, fevereiro 28, 2010

Aquecimento: Rebeca e Gustavo.

"Não sei, não, acho que é só frio."
"Toma a minha blusa..."
"Obrigada."
beira-de-praia em recife, julho
"Passou?"
"Acho que sim, mas tem um apertado aqui."
"Pelo menos ainda é cedo, né?"
"Por enquanto, é."
o horizonte não diz muita coisa, mas dizem que ele diz e fica assim o dito pelo não dito.
"O que você pretende fazer?"
"Com a música?"
"É..."
"Mais rock, acho, e mais um pouco de MPB, não sei."
"Só?"
"E vocês vêm pra frente do palco, comigo."
"E fica só com seus cachorros?"
" (ri, leve, bem leve) Sim, essa é a ideia."
boba, bobagem, isso não dura nada e adeus, tchau-tchau, passei e não deixei nada.
"Pode ser."

domingo, fevereiro 21, 2010

Show'er song!

I'm half japanese
that's why I half speak
japanese
japanese

I'm half portuguese
that's why I do speak
brazilian portuguese
brazilian portuguese

I'm totally globalized
I'm totally globalized
that's why I speak americanese
that's why I speak americanese

| but my love                   |
| o my love                     | x2
| she speaks with her tongue    |
| she kills with her tongue     |

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

sexto autoconhecimento.

Falando com uma amiga sobre como eu me sinto quando sinto o vácuo criativo, disse que minhas crises eram cíclicas, isto é...

Caramba, como fico enfadado só de começar a escrever. Imagino se alguém tentar ler. Canso, de forma que só vou falar sobre a fase atual:

- Chega então o momento em que minha vontade é de fazer coisas (textos vídeos etc) muito ruins e sem levar a sério absolutamente, então jogo toda a merda no ventilador e pronto, e essa fase é seguida por outra em que eu olho isso tudo e falo:

"Uau, bela merda".

egomanias (acaba aqui a série.)

terça-feira, fevereiro 16, 2010

autocon(strange)hecimento, 5:

Você diz que não gosta de meu autoconhecimento. É certo que pode haver duas (e mais) interpretações de sua afirmação, isto é:

- você, de fato, literalmente, não gosta de meu autoconhecimento, ou seja, o fato de eu conhecer minhas limitações e minhas potências e meus credos etc;

(contrargumento: é impossível afirmar isso, já que posso estar mentindo ou estar enganado; não me conheço muito bem e esta tentativa obviamente é a prova disso)

- você não gosta de minha série intitulada "autoconhecimento", provavelmente por parecer falsa ou por ser sinceramente constrangedora e assassina de qualquer forma de literatura.

(contrargumento:)

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

autoconhecimento quarto:












Meus estudos em fotografia
dão passos tímidos em
direção a não sei bem o quê.
Vejo as fotos de muitos
contemporâneos meus, de
minha idade, de minha
cidade e acho coisas bonitas,
mas...
É engraçado notar os vícios
de estilo, as repetições
características da década.
O contraste, por exemplo,
gritando "eu-sou-digital!";
a distorção das cores das
sombras, o white balance
ligeiramente errado, para
tentar ser postiçamente
polaroide. Ou algo assim. E,
claro, os autorretratos. Esse
aí acima sou eu e minha
janela da sala, ambos nós
2 refletidos em minha tele-
visão.

Atrás está São Paulo.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

autoconhecimento 3:


meu dedim
fica assim
levantadim
por ser mais fraquim
que seus irmãozim.

autoconhecimento dois:

Estava tentando escrever sobre o que acredito (falo sobre Deus ou deus ou deuses ou qualquer coisa assim), buscando uma ajudinha na wikipédia. Me enfadei com sua taxonomia típica, com os milhares de agnosticismos possíveis e sua separação imbecil (embora divertida).

Desisti logo de me encaixar em um deles, embora tenha me divertido os textinhos que tentam exemplificar cada um dos tipos de agnósticos. Pois bem, acho que eu diria assim:

"Não sei se Deus ou deus ou deuses existem e escolhi cedo em minha vida que não me importaria com isso. Confesso que meus princípios ético-morais (sem polemizar sobre o uso da palavra, por favor) são fortemente influenciados por valores cristãos (óbvio), misturado com esses ares modernos e com toda forma de liberalidade. Não havendo Deus ou deus ou deuses, viver ignorando-os não me fará mal, a não ser pela falta de amparo e de esperança que podem vir daí; havendo Deus, espero que não seja essa criatura mesquinha e com crenças tão diferentes das minhas que está desenhado na Bíblia; havendo deus, não tenho a menor intenção de saber o que eles desejariam de mim, de forma que é indiferente; havendo deuses, a confusão só aumenta.

Desconfio do Homem e tenho quase certeza que é mentira, que se houver algo (e não acho que haja, a bem da verdade) é intangível para mim e totalmente distinto de Deus. Não me importa".

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

autoconhecimento 1:

Gritei para a cozinha: já vorto!

Ora só, como assim já vorto? de onde veio esse érre aí, que não tem razão de ser?

Percebi algumas vezes nesses dias: principalmente falando com meu pai, adiciono esses deslizes interioranos à minha fala. É difícil exemplificar, porque é muito pouco consciente, mas há o sempre presente "uai" e o feio "pobrema", que me peguei dizendo à minha mãe anteontem.

Foi só anteontem que notei o quanto meu pai deixa transparecer Penápolis no jeito que fala, em algumas expressões e mesmo num certo sotaque. Ele disse, no carro, alguma coisa que terminou com "sô!". Poderia ser, mas não foi, "comida salgada, sô!". Certamente, está aí também a origem desse meu falar

(embora "uai" tenha surgido de forma postiça, vindo primeiro da escrita (em comunicadores instantâneos) para enfim chegar à fala. É o caso, também, do "arre" e de mais uma pancada de coisas).

Em janeiro do ano passado, em Córrego Fundo - MG, uma moça que também participava da Jornada Científica (fui lá apenas para gravar cenas do trabalho voluntário do pessoal da turma de Farmácia) perguntou a mim:

"De onde você vem? Seu sotaque é engraçado, esquisito, nunca ouvi nada assim. Você é do interior?".

Ri, achei esquisito e devo ter desconversado logo. Meus pés nasceram fincados em São Paulo - São Paulo, de forma que...

Acho que tenho uma resposta. Sempre fui pessoa bastante esponjosa e influenciável pela maneira que os outros dizem o que tem pra falar. Na minha fala, há o interior, sim, mas também há os cacoetes que roubo de meus amigos (e que me roubam de volta), há a influência absurda dos livros e do modo como escrevem os autores verdadeiros e eu, há meus narizes sempre entupidos, há o próprio interlocutor.

Suspiro.

Algumas influências duram muito pouco tempo.

Queria ter ficado mais recifense.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

presente é: foi.

presente é: foi

sono        foi
xixi        foi
café        é
jornal      é
pão         foi
café        é
jornal      é
sono        é
chave       é
porta       foi
carro       é
dia         é
rua         é
rua         foi
rua         é
rua         foi
rua         foi
rua         foi
carro       foi
mesa        é
dia         foi
chave       foi
carro       foi
            foi
sono        foi
sono        foi
sono        foi