domingo, julho 06, 2008

Jogue-se por mim, por favor.

E você não sabe a melancolia que é olhar rapidinho pela janela e descobrir um monte de prédios quase sem cor por causa do quase-começo de noite — algumas janelas insistem no laranja-mel, mas o céu já é cinza-roxo-azul-noturno — que toma nossa cidade, você está de volta, e cada vez tudo fica mais negro, a não ser nos apartamentos das tevês ligadas neste domingo que-se-arrasta.

Como pode ser desta vez? Quem vai sorrir primeiro do penteado do outro ou então comentar a saudade ou apertar os olhos num chorinho tímido? Eu não tenho direito nem força pra prendê-la entre meus dedos, embora meu abraço tente tanto tocá-la, tentá-la, tonta, tão tonta, não vê que não quero mais esse negócio de você longe de mim?

Note: noite.

Todos gostamos tanto de você: eu, o Carlos, a Má, a Lila, o Fred, o nosso mundo inteiro estava lá pra te abraçar e talvez dizer a mesma coisa que eu — ou querer dizer, tanto faz —, acho que amamos você d’um jeito que não existe de mais nenhuma maneira. Até o bar parece estender suas cadeiras em volta de você, aconchegando-lhe um bem-vinda-de-volta.

Chega a minha vez na fila: beijo-a na bochecha, aperto sua mão, gosto de vê-la tão feliz assim e me sento com minha cerveja.

Eu fico muito interessado, ou feliz, que o seja, quando percebo alguém tomando consciência da linguagem.

Por exemplo, hoje, en el subté:

"Nossa... Nossa, gente, quanta gente!"
As reticências representam o ponto epifânico de virada no discurso.

C'est incredible, my friend.

sexta-feira, julho 04, 2008

Carta-resposta.

Um cara andou falando sobre mim em seu blogue.

Ótimo, cada um faz o que quiser, né?

Segue-se a CARTA ABERTA DE RESPOSTA A GUILHERME W.

quinta-feira, julho 03, 2008

Painel:

V E R D A D E
V E R D A N A
G O R D U R A
G E O R G I A
A R T I S T A
E S U A M A E

domingo, junho 29, 2008

"Isso [um soneto renascentista de Melière] é uma bobagem" - Soneto.

Quero uma mulher bonita
pra chamar de caramelo
melo melo melo melo
uma mulher bonita.

Jogo peteca na esquina
joga ela na esquina
jogue-a, joga logo a esquina
que lá é uma curva.

Uma, duastrês
em èsse
é você

mulher bonita, ê
caramelo
melo você.

quarta-feira, junho 25, 2008

c

etc; mas etc, logo etc, quando etc, então etc, fim.
etc.

quinta-feira, junho 19, 2008

Instrucções para dancçar;

1
São nossas barrigas que se colam primeiro, é o que acontece quando eu a puxo com a mão assim.
2
Você gosta quando eu pego desse jeito, quando nos grudamos e é
3
inevitável rodar em nós mesmos, sentir o ritmo,
4
arfar, suar, verbos sem verbo.
5
Gritar!
6
Já não é mão, já não são barrigas, costas, coxas, pés, olhos, bocas, peles (as mais extensas de todas); narizes:
7
tu-ru-turu-tutu.
8
1!

terça-feira, junho 17, 2008

Jogo de azar.

Tudo bem, eu danço com você.

segunda-feira, junho 09, 2008

sábado, junho 07, 2008

Imemor.

— Pataquim de torobatá que se tutaia amim sentil, chotrapa pentesqueral. Namá sê rimbondom; qua com pim dô chá rê? Protalquiaria terebundum quo sea natarimálti lá trapa nonatiti cempro noá.

Pretar jája lemquis fesersem tiqueti sem caem torópata plim.

quarta-feira, junho 04, 2008

Os dois se despedem

Flores estão mortas
e atapetam pavimento:
cor-de-lilás-vivo.

sem graça, como estranhos se

Tempestade tórrida,
Todo bicho se aquieta.
Tudo aqui trovoa.

gostam não se amam.

Chuva passageira.
O gato fica enrolado
Bem na minha meia.

domingo, junho 01, 2008

sexta-feira, maio 30, 2008

Nane, pode ser?

— Não lhes importava se a história era boa ou não; era mentira, e isso bastava para invalidar meu discurso diante de gente como eles. Meus filhos não gostavam das coisas que eu inventava, diziam que minha língua ia cair com tanta besteiragem. A mãe deles ensinou que mentir era ruim, que tornava as pessoas piores, que não devíamos fazer com os outros o que não queríamos que fizessem conosco. Essa sim é a besteiragem: os gostos variam: eu gostaria que ela tivesse me mentido sobre as noites em que passava fora de casa, mas ela insistia em dar cada detalhe sobre as coxas de seus amantes.

Então ela me largou porque eu escondia os meus casos.

Se a verdade é tão importante, conto logo que seus relatos me excitavam, embora eu ficasse realmente ofendido com tanta sujeira. Procurei outras porque ela me deixava com tesão e logo depois ia dormir: estava cansada por causa dos outros homens – acho. Não contei nada pra ela porque eu sabia que ela não queria a verdade de forma alguma. As pessoas acreditam que o que acreditam é verdade, mas tudo é uma espécie de mentira – especialmente a moral sobre a ética.

O senso comum não é de todos, embora tenhamos que respirá-lo em conjunto. É uma coisa inspirada, introjetada por nós mesmos – não há outra opção. No entanto, a culpa é nossa, se se pode falar em culpa; aceitamos tudo isso cada vez que enchemos nossos pulmões. As idéias, nós que deixamos entrar, ou a morte.

— Já está bom, Amor, as crianças já dormiram.

quarta-feira, maio 21, 2008

iv lost my data coz of you, not so happy deffinittelly I am not.

Our little History used to work in this awkyard way: there was He, which was a Man and despised all his equals for he was into Licterature and all whichnsflfnfnlsnknlsnlllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll

quinta-feira, maio 15, 2008

Retrato duma artista como jovem.

Meu Diário, hoje foi mais um daqueles dias repugnantes. As coisas são muito inefáveis de tão chatas que chegam a serem pois os meninos continuam infantis como sempre. A Patty e a Cá, disseram que o Alex gosta de mim mas eu não acho... No Verdade Ou Desafio eu não quis beijar ele e aí ninguem quis que eu ficasse mais perto porque eu tenho que brincar direito. Quanta audácia! Foi o niver da Gabriela e o salão todo tava impecável!!! Eu gosto muito dela, Meu Diário, senão eu até ficava com inveja. Os pais dela são muito D+! Mas aí ela chorou um monte também porque o Alex não quis ficar com ela e a Patty e a Cá falam, que a culpa é minha. Meus pais vieram me pegar mais cedo porque estava ficando INSUSTENVEL..... Porque o Pedro não gosta de mim??

Diário, agora já está ficando tarde, despedirei-me. Amanhã eu não sei se vou poder escrever por causa da natação mas já garanto que vai ser diferente e vai acontecer um monte de coisa. Não vou ser mais pusilânime!!!!! Dorme bem, BEIJOS
Lá.

Anapaixão.

Que diferença que faz não ter você?

Subtrai, certeza, ou talvez multiplique pela negatividade ou então. Não é aquela solitude de andar pela Cidade às madrugadas, nos bairros rexidenciais tão negros entre os postes: são as árvores que cobrem a luz.

Querem só para elas.

Eu não sou assim, você sabe, não é? Eu não quero es-pe-ci-fi-ca-men-te você, eu não preciso de sua atenção e de seu carinho, não preciso nunca falar ou ver você. Mas subtrai, mesmo assim, saber que você já não quer ser mais minha.

Eu abdicaria da posse, também.

Era só eu ser seu, era só colocarmonos num só standard, a mesma altura, autossomos. Não precisava ser tão racional assim, também. Que diferença faz? Já foi, não é, mas.

quarta-feira, maio 14, 2008

Proposta literária e/ou Manifesto.

Andreas Müller-Pohle escribió en 1985: "La extensión del manual de instrucciones es inversamente proporcional al grado de automatismo del aparato.".

terça-feira, maio 13, 2008

Uma hora e trinta, AM.

— Não, é que eu não sei dançar, mesmo.

Dá uma volta em torno dos pés e sacode as virilhas e as ancas e te mexe gostosa alegria tão gorda que te toma e toma todas que a noite é feita para gente que tem os cabelos negros sem tintura e sem raiz e que agüenta as pernas tanto tempo como ti.

— Eu quero, mas... Eu não quero, eu não vou!

Te guarda para teu marido. Preserva a tua castidade. Sonha com o bem do homem que cuidará de teu corpo. Não deixes mais nenhum outro.

— Talvez fosse melhor a gente ir dormir...

Às noites, tu te tornas vulto pulsátil, eu não alcanço teus contornos com os olhos, bem que poderia ser qualquer outra pessoa na minha frente. Mas é tu, mas tu és: teus gritos esclarecem.

domingo, maio 11, 2008

Interlúdio histórico: da impropriedade.

Algum dia eu vou te procurar
e só vou te achar
no meu computador
digitando "Mariana"
no google
maps.

quinta-feira, maio 08, 2008

Autocrítica 15.

— Então tu veio.

— Vim e vi, se não, não tava encarando essa cara feia que não vale nada de coisa nenhuma; mais: vim pronto verdadeiramente pra o que quer que seja ou que será, que é o que vai ser agora logo. Mais mais: tua vida e tua linhagem acaba toda num só rompante meu e nos meus farfalhares de pistola, cai no chão feito mangaba ou melancia já sofrida de toda desde minúscula. Do chão ao chão.

— Tu não sabe mesmo como calar a boca, Serefim. Ser-e-fim é o teu.

— Que prosa, que prosa, que a minha é de mais valia. Qu’importância se ocê ouve ou faz que tantofaz?, eu é que tô certo no meu caminho e a tua irmã gosta mesmo é de mim, assim de gostaramarmuito. Não vejo, mas venho certocerteza pra cabar co’essa história e ocê vai ver o que é Destino acontecido.

— Deveras te repete, de novo, de novo.

— Que é que é a vida que não repetição? Que é que é a morte que não o fim do tudo-o-mesmo? Quero é metê a bala nocê, por obsequiação minha, porque só tem esse remédio pra besteira boba dela. E o senhor, seu proxeneta, não dá pr’entendê como são as engrenagem da tua cabeça enorme de horrível, porque foi ocê mesmo que...

— Já tá bom, já não basta?

— Basta a besta da tua mãe! Se é coisa a sério cê tem que m’escutá na corretitude: é a morte morrida sem razão de ser.

— Tu é que queria morrer aparecendo por aqui! Não queria te vê nem no inferno-que-Deus-me-livre e tu chega e vem gozar c’a minha cara!

— Gozar? Glossário: cê que quis, ocê que chamou, vim por respeito devido ao seu senhor meu-cunhadinho, porque amizade foi o que foi de mais importante, se é que houve, pra nós e pra mim. Eu e você, irmãos também; ocê quis duelá e chamou e agora eu digo que sim: vim e vejo tua cara qu’é vergonha de maior essência.

— Serefim. Tu devia de ter fugido que foi pra isso que eu quis que viesse. Irmã minha com meu amigo não vale, mas se fugidos fossem...

— Mas ocê pediu fogo e é fogo que tem aqui na minha pistola! Arrenego, Arre Nêgo!

Fez-se fogo: fizeram.

segunda-feira, maio 05, 2008

Chateaubriand.

Quando eu sinto que o mundo quer me afogar nos valores dele eu corro pra dentro de mim e aí é minha própria idiotice idiossincrática que me espera e eu tenho que fugir para o outro lado e os valores continuam me pressionando como uma pasta de dente e meu interior ainda é tão imbecil quanto antes e eu tenho que questionar ambos os valores e não me venha com esses hegelianismos seus que eu não sou sintético não eu vazo pelos cantos mas os dois lados não conseguem confluir-se de jeito maneira e tudo que eu escrevo agora poderia se chamar Autocrítica 11 mas finalmente eu acabei com isso enterrei os postes diários e a luz elétrica se acabou hoje enquanto um moço-da-tevê dizia que o Ronaldo ainda pode limpar a imagem dele porque aparecer com travestis é um absurdo para um homem importante como ele que ele está estragando tudo que ele fez até aquele dia mas esse sou eu.


Este se chama Chateaubriand.