E você não sabe a melancolia que é olhar rapidinho pela janela e descobrir um monte de prédios quase sem cor por causa do quase-começo de noite — algumas janelas insistem no laranja-mel, mas o céu já é cinza-roxo-azul-noturno — que toma nossa cidade, você está de volta, e cada vez tudo fica mais negro, a não ser nos apartamentos das tevês ligadas neste domingo que-se-arrasta.
Como pode ser desta vez? Quem vai sorrir primeiro do penteado do outro ou então comentar a saudade ou apertar os olhos num chorinho tímido? Eu não tenho direito nem força pra prendê-la entre meus dedos, embora meu abraço tente tanto tocá-la, tentá-la, tonta, tão tonta, não vê que não quero mais esse negócio de você longe de mim?
Note: noite.
Todos gostamos tanto de você: eu, o Carlos, a Má, a Lila, o Fred, o nosso mundo inteiro estava lá pra te abraçar e talvez dizer a mesma coisa que eu — ou querer dizer, tanto faz —, acho que amamos você d’um jeito que não existe de mais nenhuma maneira. Até o bar parece estender suas cadeiras em volta de você, aconchegando-lhe um bem-vinda-de-volta.
Chega a minha vez na fila: beijo-a na bochecha, aperto sua mão, gosto de vê-la tão feliz assim e me sento com minha cerveja.


