quinta-feira, fevereiro 07, 2008
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Flashback.
Carlos efetivamente matou pela primeira vez aos onze anos, com uma espingardinha de chumbinho de cano torto. Depois de um dia inteiro atirando em latinhas no sítio de seu avô, Carlos viu um beija-flor azul muito longe, flutuando próximo a uma árvore. Quase não mirou, apenas apontou e atirou e acabou acertando o pescoço do passarinho.
Ninguém nunca soube daquele crime acidental, mas agora é a Guerra e Carlos está sobre uma árvore. Seu adversário está na mira, bem no centro da mira de seu fuzil. Carlos balbucia que o idiota nem saberá o que o abateu e, fechando fortemente os olhos, atira. A bala atinge o capacete do inimigo, ricocheteia e voa longe, zunindo. Carlos abre os olhos lentamente e sorri pela boa sorte de seu oponente que, quase sem mirar, destrói o pescoço de Carlos com uma bala certeira.
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Por quê? Por que você? Por que você fez isso?
Estávamos sentados frente a frente na minha cama, nus e encharcados por dentro e por fora. Choramos, então era só ela que ficava com seus filetes, corguinhos fugindo dos diques pestanejantes daquele rosto inchado e rubro e certamente infeliz comigo.
"Amor, quanto tempo isto vai durar? Quantas vezes mais poderemos ficar assim e por que você insiste em me olhar como se, a qualquer momento, tudo aqui pudesse ir pelos ares numa poeira de esquecimento?" era o que eu esperava dela, pois era o que eu pensava que ela pensava, mas não, ela não disse nada, só manteve os olhos nos meus, que buscavam dobrinhas de pele no pezinho dela enquanto vigiavam de soslaio o resto.
"Dolores, é uma mentira. Eu a amo e é mentira e é apenas literatura e seus beiços entre meus dentes são falsos e quando eu a lambo é ficção e você é uma das minhas personagens favoritas por causa de seus cachinhos douradiços e cada ângulo quebradiço e eu amo seu pescocinho porque ele é meu e só pode ser assim já que o autor sou eu e, se me entristeço, é só porque talvez eu me incomode que você seja apenas lirismo, mas não é o caso de você se entristecer por mim".
Eu noto o olhar vidrado daquele rapazote meio às índias em sua cama no quarto lotado de livros e, ainda assim, tão infantil!
— Porra, meu escritorzinho — pego o rosto dele entre meus dedos e o forço a me olhar direito — você está completamente louco.
Ele parece tremer tão de levinho que eu poderia sentir dó; eu não sinto, só quero o seu bem, só quero que seja feliz e me pague direito ao final das contas.
sábado, janeiro 26, 2008
-gressio.
Quase como se não fosse nada, ela pegou a minha mão e apertou pouquinho, aproximou-se de minha boca com os lábios entreabertos e cabia a mim beijá-la, acariciá-la ou levá-la para a cama e finalmente conhecer uma mulher. O curioso é que era impossível fazer qualquer uma das coisas, minha boca não me obedecia, minha mão congelava na sua, e ela não era, absolutamente, uma mulher.
Digressão: havia um casal que trocava olhares e amores entre si e que parecia prestes a copular em cima da mesa ao lado da nossa, suas roupas latinas provocavam eles mesmos enquanto as cadeiras do Café continuavam sendo cadeiras e o espaço era tão apertado como sempre. Talvez a bossa nova os excitasse ou algo ou tal. A verdade era que eram bem desejáveis e eu podia muito bem sê-los, estar com eles, transar com eles.
Agressão: ela não era e nunca poderia ser mulher, seus olhos eram a solidão e o resto parecia uma estátua ou um livro incompleto — os autores morrem cedo, deixando lacunas impossíveis de preencher e o mistério infinito do que era capaz que fosse. Mal chegava a ser pessoa, era um rabisco de Freud ou uma fórmula matemática não-euclidiana. Pouco importava, ela não era.
Transgressão: aceitei o beijo, fiz a carícia, imaginei a cama enquanto o gosto do café sem açúcar inundava — imundava — a minha língua na dela, eu estava lambendo uma divisão por zero e então o óbvio, ela não era possível e minha boca mostrou-lhe isso, era a hora de acabar com aquele jogo de espelhos invisíveis e tornar-se algo tangível.
Progressão: quando nos deitamos em sua cama, ela quase existia.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Vai nessa mesmo.
O pai deu ao menino um pedaço de pano preto, quase uma carteirinha, e disse 'Isso é pra dar sorte, meu filho, é um santinho; mas não abra, ou então...', o filho fez que sim, embora não acreditasse em Deus nem em seus santos, toda a ajuda é boa quando se faz o vestibular.
O garoto entrou em sua sala, suando baldes, sentia-se pronto e etc. Recebeu a prova e abaixou a cabeça e deslizou respostas pelos papéis e marcou letras várias e percebeu que não sabia porra nenhuma.
Vomitou no banheiro uma vez, duas e, na terceira, viu que aquilo não daria nada. Não funcionara o santinho, não funcionara o estudo, não funcionara a autoconfiança. Tudo que ensinaram ao menino era errado, parecia. Ele pegou a merda do santinho e abriu e havia um papel amassado, amarelado e os dizeres '1b2a3e4e5a6d7a [...]'. Etc.
Seguiu à risca as instruções e ninguém o pegou, chegou em casa e abraçou o pai e 'Muito obrigado, pai!' e por aí foi; até que ele viu o gabarito na Internet e havia-se enganado.
domingo, janeiro 06, 2008
Quadra.
Primeiro, as duas amigas sentaram-se a uma mesa do bar à beira da praia, tiveram conversas mornas sobre qualquer coisa desinteressante para nós e também para elas, pediram as iscas de peixe e a necessária cerveja. Por uma casualidade, o costume, a ruiva buscou algo em torno, inquieta, e achou um rapaz que a observava e sorria. Tinha também um amigo com ele, era bonito e podia servir como companhia, de forma que a ruiva devolveu a simpatia aos homens da mesa do lado e todos começaram a papear.
E não é que ela risse por puro interesse! A graça estava mesmo nele e em seu jeito levemente canalha, talvez um pouco malandro, de se expressar e de fitar os olhos. E as coisas iam tão bem que os homens conseguiram conquistar posições, as mulheres os convidaram para lhes pesticarem os peixes e talvez, depois...
A mesa tornou-se aos poucos pequena e apertadinha para os quatro, o vento também apertava e as palavras já não bastavam pros pêlos eriçados pelas imaginações e começaram os e-ses, os vamos-ou-não-vamos e os demorous, o frio mostrou-se mais presente, a praia esvaziava e a ruiva, o rapaz e os outros dois foram para outro lugar, para outra fase preliminar fora do nosso alcance.
Restaram apenas toquinhos de cerveja.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
É a mãe!
domingo, dezembro 30, 2007
Clímax.
sábado, dezembro 22, 2007
domingo, dezembro 16, 2007
O Cisne.
O Gui foi um garoto bom, porque não tocou no bolo que sua mãe mandou que ficasse intocado, não desarrumou nada e nem gastou telefone à toa enquanto esteve sozinho. Tava ocupado demais no banheiro de seu quarto, subindo em cima da privada para que pudesse ver melhor a sua benga refletida no espelho.
Ela era chamada assim, benga, quando estava molenga e balançava de um lado pro outro como um helicóptero. Quando a pica ficava dura, era chamada de pau, no masculino, no forte e direto ao ponto. Aquilo que era diversão boa, o Gui podia passar horas na frente do espelho mexendo nas suas coisas e testando novos ângulos, checando os pelinhos recém-nascidos e vendo sua divertida bunda de ponta-cabeça.
Também dançava todo brejeiro os ritmos mais diversos em frente ao espelho do quarto da mamãe, a benga acompanhava cada passo como numa valsa: vai pra lá, vai pra cá, vai pra lá... Embora Gui tenha sido um bom garoto, sua mãe gritou horrorizada ao vê-lo num complicado passe de balé, gloriosíssimo e nu.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Naturalismo.
Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá. Bafo quente no cangote, daqueles que gelam a alma, que quer fugir num só instante, além do fedor de coisa apodrecida saindo daquela bocarra escancarada às costas do homem. Não havia nada a fazer, o que já foi já foi, agora só lhe restava chutar aquela puta velha pra fora de sua cama.
terça-feira, dezembro 11, 2007
Laika... uuuuhm... You know?
Laika foi o último nome que a cadela Kudryavka teve, pois sua morte evitou que fosse apelidada mais uma vez.
Laika é o nome da raça daquela cachorra.
Laika foi o primeiro animal a ser lançado em órbita pelos seres humanos. Se algum foi ejetado antes por mãos divinas, não se sabe.
Laika é um Herói nacional (russo).
E por esses e outros motivos meu cachorro atenderá pelo nome Gagarin.
«Прошу передать главкому ВВС: задачу выполнил, приземлился в заданном районе, чувствую себя хорошо, ушибов и поломок нет».
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Saudade do Soldado.
Otchiro Tchihiro metralhou o chinês,
Vazou mais mil vidas por baioneta
Pensando na Pátria deixada pra trás.
Os vietcongues, na mão de O'Neil,
Viraram papinha da boa e cremosa
Enquanto anos antes, n'América amada,
O Sul e o Norte pegaram em fuzil.
Chineses, vietcongues,
Otchiro e O'Neil;
Sulistas, nortistas e
A puta, que o pariu,
Morreram todos.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Amar: verbo impositivo.
'Você vai ficar deitado o dia inteiro, Fernando?
Quando muito, você ergue as mãos de poeta, aponta para a cozinha e brama:
'A Brahma, Eduardo!
Cedo em casa para meu artista jogado inutilmente pelos cantos, que passa o dia inteiro sem nada fazer ou produzir e que, vez em vez, cede aos meus constantes apelos amorosos em seus ouvidos para que escreva alguma coisa.
É você que manda, mas sou eu que o sustento.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Quotidiano.
Nero, sem dúvida qualquer, enfia o pé no acelerador e destrói a traseira do idiota barulhento e interrompemos por aqui num desenquadramento da história antes que botem fogo em Roma.
domingo, novembro 25, 2007
sábado, novembro 17, 2007
Manhãs.
Talvez esta seja uma boa hora para contar uma particularidade de minha desinteressante existência, nunca confessada simplesmente por não haver motivo algum, até agora, para espalhar esse tipo de coisa por aí, ainda correndo o risco de tornar-me motivo de chacota.
Todos os dias, logo ao acordar, vou à cozinha, encho uma xícara de água e coloco-a no microondas, às vezes 30, às vezes 45 segundos, talvez até todo 1 minuto, então me sento e despejo algumas colheradinhas de café solúvel no líquido quente, misturo, misturo, misturo e sorvo tudo num átimo. Tudo isso é insignificante, eu sei, e também sempre me foi assim, mas há uma curiosidade por trás disso tudo:
Sempre que faço isso, ou seja, todos os dias, ajo como um autômato, sem vontade própria e até mesmo em pleno sono. Só desperto ao sentir o gostoso fluido, às vezes quase como água, outras amaríssimo-amarguíssimo, quase um golpe em minha nuca; a temperatura também varia de dia a dia, e tudo isso muito aleatório e nem um pouco sujeito a minha vontade.
Aos poucos, entretanto, consegui definir alguma espécie de padrão em toda essa rotina. Pode parecer-lhe pura crendice ou sandice minha, não obstante, as qualidades de meu café diário servem-me como uma espécie de horóscopo infalível: quando está fraco e ralo, terei um dia simples e medíocre, sem qualquer felicidade ou tristeza; ao ponto, tudo dará certo e terei boa fortuna; amargo, virá mais um dia desastroso e desditoso. A temperatura define a intensidade dos fenômenos: quanto mais fervente, mais fortes são os acontecimentos.
Percebi isso quando, após acordar com um café fraquíssimo e apenas morno, tive um dia com pouco trabalho, mas nenhuma alegria advinda disso; com todos os colegas me ignorando, não que isso me causasse qualquer depressão; e com absolutamente nada acontecendo. Anotando os resultados do café da manhã e os acontecimentos diários, logo identifiquei os pontos em comum e o funcionamento desse bizarro — eu admito — mecanismo.
E é esta a hora de contar tudo isso a você, agora, porque não sei o que acontecerá comigo hoje. Eu pretendia começar uma nova fase de experimentações; tranquei-me no quarto ontem à noite, disposto a preparar meu café em plena consciência e, talvez, conseguir mudar meu futuro desse modo. De fato, hoje acordei com a maçaneta na mão, tentando abri-la com toda a força que meu ego sonâmbulo possuía.
Meu eu desperto alcançou a chave em meu bolso, abrimos a porta, fomos vagarosamente até a cozinha — veja bem, eu estava afetado pela falta de cafeína me esmurrando — e agarramos a caneca, trememos de ansiedade e daquele sono nervoso decorrente da abstinência matutina, enchemo-la de água e, nesse exatíssimo instante, eu apaguei. Eu tremo de aflição ao me lembrar disso, e não me sai da cabeça de maneira alguma... Olhe, eu não pretendia desmaiar, eu realmente achava que seria capaz de controlar tudo e...
Despertei com o café, como acontece todos os dias. Entretanto, contraí-me de medo ao sentir o líquido, o maldito fluido fervente, aquela mancha diária de negro presságio, que insistia em me trazer más notícias sobre o meu futuro próximo, queimando não em minha boca, não em minhas mucosas maltratadas. Não, antes fosse! Queimava-me as coxas, ardia-me o sexo, transtornava-me inteiro! Nunca me acontecera nada similar, nunca havia ocorrido qualquer deslize, e eu nem podia imaginar se me trazia novidades amargas ou não, sabia apenas que eram muito intensas...
Sei apenas que são intensas, compreende? Eu estou de calça trocada, mas nunca fervera tanto. Não sei bem o que me espera, por isso deixo tudo já avisado, caso me ocorra alguma incrível desgraça ou a mais soberba boa sorte. Pode ser que nada aconteça, mas o ardor de minhas pernas não me deixa afastar os maus pressentimentos e a taquicardia. Queimo por dentro diante do que virá; e não sei.
quarta-feira, novembro 14, 2007
Concurso "Saia do Casulo":
concurso esse intitulado "Saia do Casulo" e pras pessoas que cursam Ensino Médio. Serei publicado no jornal e oba, então...
Carlos felicita-se.
segunda-feira, novembro 12, 2007
Sobre a obra.
Estou de cócoras, escorre, escorre, desliza... Ploft! Afrouxo minha entrecelha e procuro algo para me limpar. De repente, passa um amigo e aponta para mim: "Cara, você cagou!", "Caguei, caguei! Gostou da minha merda?", "É, ela é bem... marrom", "É que eu como bastante vegetal, sabe? E faço cocô todos os dias, então ele sai molhadinho assim e tão bonito", "Puxa", "Eu até pensei em fazer mais cedo, hoje, mas não seria na quantidade nem na consistência certa, então segurei, segurei, segurei e só liberei tudo agora, daí teve que ser na rua, mesmo", "Ah, legal, cara. Bem, a gente se vê por aí!", "Manda um abraço pra sua irmã! Ah, e você não tem papel, não?".
sexta-feira, novembro 09, 2007
quinta-feira, novembro 08, 2007
Anedotas populares de facílimo entendimento:
"Ué, não..."
"E o que é aquela tal 'Pilha de Descartes'?"
quinta-feira, outubro 25, 2007
Explicação literária:
domingo, outubro 21, 2007
Definição autoral.
Você é aquele medo que nos ataca por trás, o breve arrepio na nuca.
Um círculo de fogo, o losango sobre o quadrado.
Você é a saudade dos tempos que se foram, a única garantia de um futuro. [...]
Eu sou aquele que sonha.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Post 125: Sobre os imprevistos numa filmagem.
Chegamos lá bem cedinho, no horário que a prefeitura estipulou, montamos tudo e preparamos os atores (as moças da maquiagem capricharam de verdade, dessa vez), os carros pareciam estar todos bem e as ruas já estavam prontas para a filmagem, a iluminação e a assistência de arte garantidas. A única coisa que me preocupava, mesmo, era o sol que não iria sair e que supostamente era necessário, mas nada que um diálogo não explicasse ou qualquer coisa assim. Os dublês entraram nos carros, as câmeras foram posicionadas e testadas e eu, com aquela felicidade fetichista que sempre me ocorre, gritei Ação! e tudo começou a rodar perfeitamente...
Os pneus cantaram, a Mercedes partiu, veloz, correu alguns quarteirões, deu a volta na praça, a polícia logo atrás dela, tudo sem muito alarido, sem nenhuma destruição, as rodas deslizantes no asfalto molhado e toda a emoção de uma cena filmada bem no coração da cidade, mas a cidade falsa do cinema, a cidade dos figurantes contratados e com frio, a cidade das mentiras que apenas parecem... Foi nisso que um infeliz se jogou bem na frente do carro, amassando tudo e sendo jogado pro lado. Quem trabalha com isso sabe como os nervos parecem explodir como pipocas (na verdade, como os milhos, as pipocas não explodem) quando esse tipo de imprevisto acontece, quando uma tragédia chega e... Pá! Bem no seu único carro, bem na frente das câmeras.
Corremos para o jovem estirado no chão, não era da equipe, estava acordado, não obstante ferido. Muito ferido, gravíssimo, com uma poça de sangue e os ossos tudo à mostra! E por que você fez isso? "Eu queria aparecer nesse filme." Você é louco? "Eu sou um grande fã e..." Merda! Assina aqui, assina aqui!
Aí ele assinou que cedia os direitos de imagem dele e agora tivemos que arranjar um jeito de colocá-lo na história. Filmamos mais algumas cenas com o corpo dele e hoje a noite vou jantar com o roteirista para acertar alguns ajustes no roteiro. Mas a cena ficou muito realista, é incrível!
segunda-feira, outubro 08, 2007
A coisa que não se explica porque não é.
Moça, idade pouca, mocidade louca, andou por aí, desviando as intenções de muita gente da boa, direita e afeita à gente assim, simpaticíssima e loura. Não fazia de gosto, mas só de viver um pouquinho-pouquinho perto da referida gaiata, você já ficava todo-todo assanhado, mesmo sem sinal sequer de atenção e tenção de ter algo consigo por parte dela. E assim ela ia indo, distribuindo os sorrisos pras pessoas sem se aperceber de que algo tinha muito errado nisso tudo e que não era pra tanto assim.
Pois é que não era tão garbosa, embora personalidade até tivesse, e nem sabia conversar tão bem assim; se tomava a prosa não soltava mais e era só dela a voz que se ouvia, se sentia — e s’aplaudia! Mas, como exposto, o rosto dava gosto talvez justo pelo oposto: embora fosse esquisita, fosse sinistra, fosse toda fora do eixo, a moça fazia de um jeito que parecia até natural ser assim tão ruim, quando se tem dentes tão bonitos e se é tão feliz e...
Foi pessoa de bem, também, mas é claro que não pôde dar certo, e acabou-se tudo quando o lirismo se exauriu.