terça-feira, abril 29, 2008

Autocrítica 6.

etc.

adamsallenalmeidaandradeassisaumontausterazevedo balzacbataillebazinbernadetborgesbradburybressonbringhurstbukowskiburgess camuscortázar dostoyevskidoyledrummond emílio faulknerfitzgeraldflahertyflaubert godardgogolgolding hitchcockhuxley jamesjoyce kafkakerouac marquezmcewanmurakami nabokov orwell pessoapratchettpuchkin ramosresnaisrocharosa sa-carneirosaint-exuperysaramagoshelleystendhalstokerswift tooletruffauttwain verissimovonnegut xavier yoshikawa

segunda-feira, abril 28, 2008

Autocrítica 5.

eu quero tomar banho
e você não me deixa.
se fode
sozinha, meu bem
que eu não quero mais;
nossas peles se grudam:
REFRIGERANTE DERRAMADO PELO CHÃO.


Quanto vale isso que eu escrevi?
O processo criativo é tolo: pensei numa imagem, tentei desenhá-la, me veio à cabeça a frase inicial, escrevi, imaginei os múltiplos contextos que serviriam para a afirmação e resolvi concretizar um (e só um) num poema.

Quanta poesia cabe em meus textos?
Não há muitos critérios, devo dizer que ponho no papel as coisas como me surgem, depois pontuo, reescrevo, entend'interpreto. O impulso sempre é "expontâneo" ou "de fora para dentro", mesmo que haja algum tipo de "musa inspiradora" ou o que o valha. Não é automático. Se você identificar pontos mais saborosos nos textos é porque eles foram os ganchos criativos que minha cabeça cria: é a própria estrutura, são as sacadas.

Eu me levo a sério?
Não sei, mesmo, o que se passa na cabeça das pessoas quando lêem uma coisa dessas. Eu, particularmente, acho o texto bem sincero. Tem lá seu lado técnico e chato (foi pensado, apesar de tudo), mas o mais importante, o sentimento, está lá. Acho que as pessoas podem não gostar dele, da escrita tosca (aspas ou itálico?), de mim; a culpa não é do texto.

Sobreviverei ao tempo?
Todos que se sujeitam a estudar esse belíssimo ramo das atividades humanas, a crítica literária, devem ter bem claro nas suas cabecinhas que essa é uma coisa extremamente idiota. Não devem, de forma alguma, deixar de se dedicar à crítica só porque ela é idiota, mas a consciência é muito importante para evitar o papel de ridículo. Mantenha-se sempre consciente e, aí, nunca será ridículo sem que você o saiba.

domingo, abril 27, 2008

Autocrítica 4.

O escritor é só mais um dos leitores. Que diferença faz a opinião dele sobre o que faz, de que importa a sua intenção criativa? Essas coisas só importam quando os próprios leitores buscam e dão-lhes valor: no fim, é o público que cria a interpretação, de qualquer forma; no entanto, isso não significa que o autor não possa se manifestar sobre o próprio cocô, cabe aos leitores ignorá-lo totalmente ou aceitar o que ele tem a dizer.

Não pretendo ensinar ninguém a ler, vocês busquem a satisfação de que precisarem.

Cada reação é, na verdade, desejosa: espero que as pessoas abram meu blogue, comecem a ler o primeiro poste e dêem de cara e caiam no chão e a partir daí resta a opção de ficar ou fugir, ambas me aprazem. Os leitores que me engolirem e julgarem me entender também estão dentro do meu escopo, assim como os que me acham uma incógnita ou que esperam que eu aja de um jeito ou de outro. Tudo é bom, o leitor perdido para sempre por causa de um palavrão ou de uma série de textos apologéticos me deixa satisfeito com meu trabalho. É pra isso que eu escrevo, na maioria das vezes é absolutamente fácil saber quais textos vão agradar a quem, e mesmo assim eu insisto em mandá-los para as pessoas que não irão gostar ou entender, é necessário para mim.


Minha literatura é lixo reciclável, e queria poder apontar cada um dos que se aproveitaram dela para crescer.

Autocrítica 3.

Talvez em algum momento eu tenha passado a idéia de que não me importo com o público, e isso seria uma mentira. Tanto me importo que estou aqui mesmo me explicando e ajudando um pouco a leitura (ao mesmo tempo em que proponho um jogo que não é nem um pouco interessante, em que não se ganha nada).

Explico: há algum tempo já, decidi acabar com as dúvidas de qualquer possível leitor quanto à veracidade do que digo por aqui. A diferença entre o que é verdadeiro e metaverdadeiro estaria na fonte, Verdana no primeiro caso e Georgia no segundo. A informação passa batida, em geral, não estamos acostumados a identificar os diferentes tipos, faltou a sentença elucidante, etc.

A culpa certamente é minha, como autor, mas agora tudo ficará muito mais claro:

Minto em Georgia.

sábado, abril 26, 2008

Autocrítica 2.

Fugir da racionalidade talvez seja um dos objetivos mais claros dessas coisas que vocês vêem por aqui; o objetivo não é, de forma alguma, a inovação pela inovação; o "experimental" busca uma certa organicidade que não estava presente no próprio autor; assim sendo, uma pessoa que sempre enfiou seus pés em valores iluministas pode se soltar um pouco da ideologia e do próprio modo lógico de se ver as coisas; liberdade formal.

Renega-se a inteligibilidade como valor.

O importante é a metaverdade, a ficção produzida aqui, o próprio texto se desenha como uma história gráfica e quasissonora. O posto aqui não se presume como valores absolutos: deslizam e eu mesmo não acredito seriamente neles.

O ponto todo é este: contraste entre o que eu digo e o que se quer dizer, entre o que eu faço e o que eu digo que significa, entre o que eu digo que faço e o que faço, entre dizer e fazer dizer, todas as buscas assim. Me apóio na racionalidade, me apóio na gramática, me apóio na crítica mas é justamente com o intuito de afirmar o oposto; O mesmo ocorre quando corro para o lado das letras gritantes e jazzísticas.

Não é dialética, é algo mais organicamente simultâneo, é duplipensar ou pòsmodernismo.

Quantas regras e para o quê? Qual é a idade certa para fundar sua própria teoria?

sexta-feira, abril 25, 2008

Autocrítica.

Escrevo fundamentalmente sobre casais e, num sentido mais amplo, sobre o tal amor. A preocupação fundamental é achar o meu jeito – e é só meu, mesmo, por mais similar que seja – de dizer o que eu acho ou sinto ou quero que os outros achem e sintam: o sexo – erotismo ou o que o valha – é uma chave principal que merece mais atenção e trabalho na literatura; não que já não se tenha feito tantas e tantas coisas boas e adequadas, mas ainda parece haver espaço para várias sutilezas não tão lembradas. Além do mais, a maioria das pessoas se atropela quando precisa escrever literariamente o sexo.

Falaram na palavra pueril. Melhor: um amigo chamou um ou dois textos meus de pueris, e, apesar d’ele mesmo assumir que não era essa a palavra que queria dizer, tenho que explicitar aqui: é amor-alegre, amornarizinho: eu busco isso para a minha literatura e acho que é um dos objetivos de que me aproximo mais, a sensação de luscofusco – o substantivo nada quer dizer, aqui o importante é o som da palavra – que é um tipo de amor pequenininho de potente. Entendam: isso não está de forma alguma dissociado do sexo.

Outras coisas que me vêem com a temática amorosa: o voyeurismo, a vontade sexual travestida num olhar, o vínculo personagem-autor, o experimentalismo, o amor triste das pessoas esperando as outras para tirarem suas roupas e dormirem juntos após uma noite multidirecional, et cétera.

Compreendem?

quarta-feira, abril 23, 2008

Crônica brasileira - 4.

Isabella
Janela
Ai
A decadência dos meios brasileiros.

sexta-feira, abril 18, 2008

Hoje eu sonhei:

Eu tava num elevador sem luz nenhuma e tinha uma gota d'água daquelas de filme - plá...-plá...-plá... -, eu tava sozinho até que você apareceu num canto e aí começamos a conversar sobre o filme que a gente viu ontem e de repente o elevador parou e você começou a chorar muito, aí eu falei que tudo ia ficar bem, mas daí você era um menino e eu era a Bia e você apontava o dedo pra mim e me chamava das coisas feias e aí eu queria muito acordar e aí eu fiquei torcendo pra acordar, mas você continuava apontando o dedo pra mim e eu peguei seus pescoços e minhas 100 mãos apertavam forte mas não adiantava mas aí eu queria acordar mas eu não conseguia mas eu continuei tentando muito aí eu acordei e já tava claro e muito quente e aí eu saí correndo pra porta pra poder ir pro cursinho mas aí tava fechada e aí eu tentei bater na porta mas não fazia barulho e aí eu gritava e eu percebi que era outro sonho mas aí eu queria acordar de verdade e aí eu chorei muito mas aí você me ligou e

você, como cê tá? Isabella - ganho ibope com uma coisa absurda dessas, não? O google trás para cá pessoas procurando o tal caso Isabella, e na verdade eu acho tão absurdo isso tudo, e é só isso mesmo: Ibope e pontos do colosso e passamos de nível de tanta grana que ganhamos.

domingo, abril 13, 2008

Domingo-de-manhã.

Sempre disse que me inscrevia nessa linhagem que se define por um conjunto de linhas de força: sensualismo, materialismo, ateísmo, elogio do corpo e das mulheres, celebração da teoria da composição formal do cinema de Kracauer é a melhor seção do livro, pois segue logicamente suas especulações iniciais sobre as necessidades básicas do cinema, ao mesmo tempo em que proporciona a neblina encher o vulto do rio, e se estalar da outra banda a barra da madrugada. Ao que, esbarramos num sitiozinho, se avistou um preto, o preto já levantado para o trabalho, descampando mato. O preto era nosso; Só faltava essa de vir encher com o problema do chocolate, como se eu fosse uma criança de peito.

segunda-feira, abril 07, 2008

Sentítulo!:.

Eu escrevo nela e é ela que me escreve, porque a cidade faz coisas que não se espera do que é inanimado, isso por pura puberdade patológica do pensamento pequeno, pequeno, tudo que é inanimado nos mexe e nada é inanimado, que fique claro, muito menos a Cidade, muito menos A Cidade que exige as maiúsculas de um título enquanto age nas entrelinhas e está sempre presente - ubiquitous, if ya wanna know - em tudo que se escreve - as palavras vêm todas da urbanidade -, se as coisas saem bem escritas no campo é pela necessidade de distanciamento para poder entender - evita-se a palavra sentir para não desagradar os frígidos como eu - as relações de espaço e de impotência que essa grandiosidade inartista inagista inatingista traz consigo.

Te toma, te estrupa, te stress, te transtorna, te tititititi paulistaneidade -> coevidade coesão coerção Guimarães Rosa e o Sertão que é Universo
Ele transformou Sertão num Universo, A Cidade já é tão fácil um Universo que as pessoas Falham Tanto Ao Tentar Passar a IDÉIA (VERSICULARES DARIAM BEM PRO GASTO, EU ACEITARIA SUA SUGESTÃO SE A FONTE ME PERMITISSE)
Até aqui você ainda me entende, não é?

Agora vem o solo:

TentententintimtintimPáTóumPáTóumNaaaaaMinnnmIáBôôôuuuuuuuuuCá!Bá!Tóum!TórumPinttumtintintintintinténbéumnohayfuturismobéimatrasadobéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimb
os sinos das catedrais (falta a formatação, falta tempo para isso)
BÉIM! A Cidade engole a Cidade que engole a cidade, fica tudo num conceito imperdível pro sujeito que não dá esmola não. Anote aí porque só digo uma vez: vou fundar um movimento musical chamado de know-no-noes e será algo do tipo "nós não temos limites porque somos jovens e tão espalhafatosamente lindos! olhe para nós, note como dançamos e somos bilíngües porque nos deram toda a LIBERDADE para aprender a língua inglesa, cause english is pretty sharp, it can cut you in half!".
PimPimPimPimPimCONVOCOAINTELLINGENTSZIAPRAMEVISITARNUMBAILEVELHODOSANOSQUARENTAEUMEMEIOEEEEEE
VOTROCÊCAPAASLAQUEVRASCOINHASIDITIVERDA
cada linha é um novo desafio CACOFÔNICO, cacofactum, bukarowski, LIVROS A 50% POP ART INATINGÍVEL

..


Agora o solo denovo:

TentententintimtintimPáTóumPáTóumNaaaaaMinnnmIáBôôôuuuuuuuuuCá!Bá!Tóum!TórumPinttumtintintintintinténbéumnohayfuturismobéimatrasadobéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimb
os sinos das catedrais (falta a formatação, falta tempo para isso)
BÉIM! A Cidade engole a Cidade que engole a cidade, fica tudo num conceito imperdível pro sujeito que não dá esmola não.
PimPimPimPimPimCONVOCOAINTELLINGENTSZIAPRAMEVISITARNUMBAILEVELHODOSANOSQUARENTAEUMEMEIOEEEEEE
VOTROCÊCAPAASLAQUEVRASCOINHASIDITIVERDA
cada linha é um novo desafio CACOFÔNICO, cacofactum, bukarowski, LIVROS A 50% POP ART INATINGÍVEL

quinta-feira, abril 03, 2008

A bunda das maçãs.

Comi minha primeira maçã ontem.

O método é que interessa: lavei, tirei ambos os umbigos para evitar contaminações químicas graves, me preparei para o choque cultural que a coisa me daria e mordi a bunda da maçã. Me ensinaram que o melhor era começar por sua bunda e talvez o seja, mesmo. As primeiras mordidas foram tão indolores quanto o imaginado, afinal, não havia nada de novo em comer a traseira da maçã.

Então, cheguei ao fruto propriamente e não havia gosto ruim. Eu mordi as sementes e não havia gosto ruim (na verdade, a única coisa notável era o padrão lindo que as sementes faziam, circular e simétrico, e também [menti ao dizer que só havia uma coisa notável] que a maçã toda fosse tão bonita quando comida por baixo) e tudo foi mesmo muito agradável. Além de tudo, senti pela primeira vez o que realmente era comer uma maçã e segurá-la por o que seria sua tampa, mas de ponta cabeça e como uma bandeja que é o próprio prato que é o próprio alimento.

Uma maçã, todatoda ela.

sexta-feira, março 28, 2008

— Como que pode, cara, você e ela não são pessoas que possam se misturar, são i-mis-cí-veis.

— She’s unmissable, man, don’t mix it up.

O um, o dois e a três. Três sobre um, subtrai-se dois e aí está a função disso tudo.

A acepção que falta no dicionário (não me venha com seus conceitos de ceticismo assscético, eu sei o que falo) para o fonema amor:

narizinho
tu-ru-turu-tutu
ex-pon-tan-eamente
na minha clavícula
clá, vi cu lá
orelhinha
só riso or
GAS-MO.

domingo, março 23, 2008

Nota-se.

É assim que eu faço: eu sento em frente às moças que me chamam a atenção e começo a escrever enquanto meus olhos pingue-pongueiam do caderno pros olhos delas. Esse é o procedimento padrão, isso é o que eu faço com você agora e seu cabelo é tão lindo e talvez só bastasse fingir que estou escrevendo, porque o que eu realmente quero é ver você ficando corada enquanto eu mesmo enrubesço já com toda a prática dos anos. Poderia ser em qualquer lugar, acontece de eu encontrá-las em todo tipo de canto, vocês sempre sentadas e sempre dentro de vocês mesmas. Eu quero que vocês se desensimesmem um pouco e percebam que alguém olha para vocês do meu jeito, e então que eu não saia de suas cabeças assim como vocês estão sempre dentro da minha.
Eu podia muito bem apenas fingir que escrevo, mas no metrô é o melhor lugar de todos para esses olhos negros e esses cabelos curtos e preto-pretos e agora você me percebeu e eu tive que desviar meu olhar para o caderno. Eu morro de vergonha, é isso que você acha, talvez você seja a mais perfeita de todas mesmo com esse jeito arrogante de se vestir e você está me olhando de novo e tanto desprezo na sua cara que eu não sei se talvez o melhor não seja continuar mesmo escrevendo e fingir que você que inspirou tudo isso não está me fitando tão forte assim.
A vantagem de manter meus olhos no caderno é que eu posso notar suas botas e elas são irônicas e parecem combinar bem com seu olhar que não parece nem um pouco acanhado com a minha invasão: talvez você goste de ser escrita por mim e queira me desafiar e eu vou ser mais forte que você porque eu consigo manter minha atenção grudada no seu rosto enquanto escrevo e nunca você vai ser assim tão forte comigo.

Já se passaram algumas estações e continuamos nos encarando e eu estou segurando a minha respiração já se sabe lá há quanto tempo, eu não sei porque com você pode ser diferente das outras pessoas quando eu já fiz isso tanto e assim parece até de propósito que eu justamente agora tenha explicado todo o meu método para o leitor, mas é sempre assim e na verdade eu só escrevo para ocupar algumas partes do cérebro e não morrer de medo de cada Mulher que me chama a atenção. Tanto faz, tanto faz, porque você está se levantando e acho que você irá embora e me dará as costas como todas as outras, você vem para o meu lado, mas só porque a saída é obviamente deste, você segue direto para mim embora eu saiba que isso é mentira e você diz

eu conheço muito bem esse seu tipo de gente que é você, seu merdinha, você só quer destruir a vida das outras pessoas com o joguinho idiota desse seu caderno adolescente cheio de obscenidades do tamanho da sua cabeça enorme.

Aí ela arrancou o chapéu da minha cabeça e saiu pela porta aberta do metrô e eu juro que não chorei nem um pouco naquele dia.

sábado, março 15, 2008

no inverno

nós dois deitados
na cama
nos descobrimos
a noite inteira.

sábado, março 08, 2008

Escrever é ordenhar uma vaca.

Porra que merda de caneta emperrada que me faz ficar preso numa gina que poderia muito bem ser mandada praquela puta que a pariu. Quê, que e quê? A parte mais importante da vida de Henry fica a pouquíssimas linhas daqui, mas as palavras engasgaram-se no passado e agora é imposvel alcançar o futuro do pretérito a não ser que conjetussemos sobre.

Henry faria as coisas que quisera, se tornaria feliz comparado com seus amigos menos certos — ou mais errados, não é exatamente o mesmo — e alcançaria a felicidade com Jullie facilmente, mas aconteceu que aconteceu um problema que não era para, a história da minha cabeça sofreu um leve tilt quando comecei a ouvir a sica que vo me mandou e a vaca leiteira que é a minha criatividade parou de funcionar junto com a caneta.

Ode à BIC

Oh, caneta que canta o canto encantado

Vertente das palavras mais sóbrias

E falsas que existem.

Oh, linda ferramenta barata abrindo os caminhos

Literários pra morte.

Bendita BIC, borra.

Henry esfregaria Sua Cara nos peitos de Jullie em busca de carinho, ela lhe sorriria e lamberia sua testa e tudo estaria muito bem encaminhado, mas dessa vez — glupe-glupe: a caneta vai se livrar que eu sei — é Jullie que esfregou Sua Cara na Sua Cara de Henry, foi ele que lambeu o lóbulo esquerdo dela e ela morderá o dedinho dele e Sua Cara sorri com tanta protoppornografia descente na sua frente.

Henry beijaria a boquinha de Jullie, que passaria sua mão por Sua Cara e que suspiraria, os dedos dele fariam aquela coisa que você imaginou por mim e na verdade Jullie jogou as pernas por cima dele e os dois caíram c’um tanto tesão no chão que a vizinha debaixo percebeu que começará tudo de novo e já estava batendo com a cadeira no teto e gritava:

SEUS PORCOS NOJENTOS

BARULHENTOS, GOSMENTOS

CALEM SUA BOCA, QUE POCA

VERGONHA

MEU FILHO NÃO TEM QUE OUVIR ESSES GEMIDOS DE MERDA DE VOCÊS DOIS.

Eu não sei se o conto estará pronto pra quando você chegar e muito menos se você gostará, porque a caneta não quer pegar direito e não sei se você vai sequer consegui ler isso aqui e também você prefere a versão um ou dois? Sua sica quis que fosse ela por cima e não ele por cima, vo fez com que aos 9:33 aparecesse um homem nu pela porta da frente, ele abrirá a boca e cairá aos prantos, porque ele é William e era ele que devia estar lá e na verdade está Henry fazendo o bom trabalho de parto às avessas.

Ah, bem, a caneta pegou.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Simpleza dum bem-notado.

A menina me olhou e eu notei que estava olhado, abaixei logo o meu rosto com medo de estar corado. Não se importe, me falou, de ficar aqui ao meu lado, eu não mordo e nem converso, não havendo interessado. Nada disso, reiterei, não há nada aqui errado; ao contrário, me pensei, devo é estar apaixonado. Ela riu e se aproximou, me deixando encabulado, você é lindo, garotinho, todo-todo acanhado. Não fugi mas não fiquei, queria mesmo um bocado daquela boca, minha dona, nem que fosse a machado. Não não foi, eu não fiz nada, eu é que fui atacado.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

A lógica dos embates.

Atira o tira: tiro à toa, tiroteio.

domingo, fevereiro 24, 2008

Pausa para apuração.

Ele leu tanto, tanto e tanto, no entanto não soube escrever.

sábado, fevereiro 23, 2008

Não-haicai.

Porcos comunistas,
Gaviões capitalistas,
Tomemos refúgio!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

A derradeira.

Na primeira vez em que me matei, meu nome era João. Escondi perfeitamente meu crime, como se fosse casualidade: narrava em terceira pessoa, e João era certamente mais baixo e mais feio que eu. Era um verdadeiro fodido, coisa que não sou, pelo menos não pareço ser. Fiz com que ele — ele era eu, espero que vocês entendam — levasse o tiro de um assaltante barato e burro; morreu, e nenhum dos meus leitores lhe deu muita atenção.

Aquele primeiro suicídio me foi alentador, foi indolorosamente inodoro e quase impessoal; no entanto, tive que repetir a dose com Lola — a vida dela acabou ao tropeçar na merda da bosta dum cachorro que havia sido deixada para lá por sua dona, de forma que o conto tinha quase um caráter ambientalista —, que, ao menos, era escritora como eu. As pessoas ao redor aplaudiram a queda de Lola e ficamos quietos, não podíamos contar que nossa morte fora proposital.

Pediram-me, pura coincidência, para escrever algumas notinhas sobre Maiakovski: deliciei-me escrevendo, ao fim da minúscula biografia, as palavras "Suicidou-se". Ali estava eu me matando mais uma vez, junto também com Iessienin, poucos anos antes. Eu tirava a minha vida ao mesmo tempo que criticava a fuga pelo suicídio de Iessienin, que também era eu e todos nós, soviéticos.

Uma série de outros nomes vieram vindo ao meu caderno, compunha também outras biografias, todos os escritores acabavam com o simples "Suicidou-se", Quiroga suicidou-se, Toole suicidou-se, Daniel suicidou-se, Gogol praticamente suicidou-se, porra, Hemingway suicidou-se e toda essa corja nojenta era eu e me destruí cada vez que acabei de falar de um dos meus outros eus - ninguém leu meus pequenos resumos.

Cada personagem que matei, nesse interim, foi um ato lúcido de auto-assassinato. Sendo como for, tudo só serviu como apaziguamento, inclusive as mortes em primeira pessoa. Os narradores morriam e a história acabava, ou então artificialmente tudo continuava — não acredito nessa coisa de vida após o fim da vida — e dava no mesmo: era real, mas não o suficiente. E nenhum de vocês sequer desconfiou.

Mato-me de novo, agora, logo após o fim deste conto. Parece definitivo e verdadeiro, parece muito além das quasiverdades literárias, parece melhor do que dar meu nome para algum personagem e então enterrá-lo, parece digno de uma biografia feita por alguém mais. Foda-se. O método é simples e não importa, e me dou ao luxo de escrever no presente quando, obviamente, falo do futuro.

Pois bem. Agora, suicido-me.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Escassez.

Ela gostou do meu presente. Dei-lhe uma obra nunca publicada escrita por mim, concisa, bonita, inteligente, etc. Ela gostou do meu presente.

Resolvi repeti-lo ano passado e repetiu também o gostar. Leu tudo em uma semana e me fez um relatório agridoce (obrigado pelo presente! esse eu achei um pouco mais... mas...).

Tentei mais uma vez agora, mês passado. Ela sorriu de novo para mim, tomou minha cópia encadernada em mãos e perguntou

Quando diabos você vai publicá-los?


Qual a graça de livros inéditos escritos por um autor também inédito?




Muito engraçado da parte dela. Gente espirituosa e sincera é a coisa mais importante do mundo. Mais importante do que nós, impublicáveis.

Eu pensei em mentir e dizer que só não o fazia porque gostava de ser seu escritor pessoal, seu autor único, etc. Mentiras não levam a nada.

Recurvei-me de tristeza e estendi a mão, pedindo o original de volta. Ela teve pena, parece, ofereceu-me seu corpo junto com os papéis. Tudo bem.
Ela já não era inédita.


Eu não peço exclusividade, se ela já foi aceita e requisitada por outros, deve ser boa.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Opiniões sobre os sentires.

"Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos fere e trespassa. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós."
Citação talvez não tão precisa de Franz Kafka.

Literatura me parece que é assim mesmo, ou ao menos os livros que gosto mais têm efeito (em mim) similar ao descrito pelo Kafka; não sei se é bem mágoa o que sinto - ou penso -, é um sentimento único que os livros parecem deixar, um sufocamento e um vazio que parece levar parte de mim, eles destroem o que eu sou aos poucos ou com golpes vigorosos. Perco todos os meus valores, inclusive o da descrença, conforme engulo os livros.

(É curioso, talvez as pessoas reafirmem que eu não sou um personagem e tenho que acreditar nas coisas. Acredito, mas não com todo o meu corpo)

Os romances longos deixam, ao fim, a sensação clara de saudade do que acabei de ler, o vazio que a própria presença do livro traz. Aprender a pensar com o narrador e perdê-lo é uma castração freudiana ou qualquer lixo psicanalítico. Em contrapartida, os contos e outros textos de "menor duração" tem um impacto imediato e podem alcançar uma tensão indizível.

(Talvez Crime e Castigo e Metamorfose possam ilustrar cada um dos casos)

etc.

(Alcancei o enfado próprio)

Sei que não alcanço nada disso com meus textos, sei que não há tensão suficiente (embora a destruição também possa vir da falta de tensão, da falta de enredo, da falta de decoro) e percebo a imaturidade disto tudo. Reli o que acabei de escrever e notei que deixei muito de fora, que só seria possível explicar o que eu sinto se eu exemplificasse com cada livro - Guimarães destrói a linguagem, ou então Cortázar nos coloca em animação suspensa, ou Camus mata minha família -, percebo também que só apelo para minha opinião porque a "literatura" se nega a sair da minha cabeça (ia escrever "de minhas mãos") e o hiato está instaurado faz já algum tempo.

Que seja, que seja. Na falta da mentira, tento ser franco.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Somos assim:

Dados tirados do google:

aproximadamente 6.590.000 para "eu sou" (0,15 segundos)
aproximadamente 392.000 para "tu és" (0,47 segundos)
aproximadamente 394.000 para "você é" (0,23 segundos)
aproximadamente 301.000 para "ele é" (0,24 segundos)
aproximadamente 267.000 para "nós somos" (0,24 segundos)
aproximadamente 36.500 para "vós sois" (0,23 segundos)
aproximadamente 172.000 para "voces são" (0,24 segundos)
aproximadamente 266.000 para "eles são" (0,26 segundos)
aproximadamente 313.000 para "elas são" (0,26 segundos)

domingo, fevereiro 10, 2008

O autor regride às técnicas da estética onírica.

Tremo todo, tua garganta aberta, faca fura fundo, não houve intenção de acabar com o sonho dessa tua vida, trilho torturante que não levaria a lugar algum.
A técnica é simples, escrevo em gauche sobre tela de computador.
Sangue sempre surge, lâmina lambera seu pescoço lindo de melhor amigo, de maior rival, de amante tolo de tudo que é sujo, das apostas e também das bostas que se chamam, às vezes, de mulheres.
Pastel sobre gauche e temos um perfeito De Bosche.

sábado, fevereiro 09, 2008

e.e. cummings

Ele é ótimo (o autor, o poema) e agora eu jogo a porra da minha máscara no chão e a xingo e cuspo e cago e faço todas as outras coisas que eu queria fazer com você em cima dela, apenas para poder mostrá-lo para os senhores.

the boys i mean are not refined
they go with girls who buck and bite
they do not give a fuck for luck
they hump them thirteen times a night

one hangs a hat upon her tit
one carves a cross on her behind
they do not give a shit for wit
the boys i mean are not refined

they come with girls who bite and buck
who cannot read and cannot write
who laugh like they would fall apart
and masturbate with dynamite

the boys i mean are not refined
they cannot chat of that and this
they do not give a fart for art
they kill like you would take a piss

they speak whatever's on their mind
they do whatever's in their pants
the boys i mean are not refined
they shake the mountains when they dance