sábado, maio 03, 2008

Autocrítica 10.

Os Arquivos d'escolha, um a um.

Era uma vez...


A graça dessa, ahn, cronicazinha em Verdana é um início dessa vocação autovoltada que se vê por aqui. O blogue tem poucas coisas tão "transparentes" quanto esse texto. Eu provavelmente não sorri, nentanto.

Crônica (fictícia) rabiscada no caderno.


Esse conto marca a presença de meus gloriosos caderninhos no meu processo criativo. Viagens, praias e família nunca mais foram iguais. Também é curioso que eu acreditasse, na época, que escrevia crônicas ou qualquer coisa do tipo. Marca-se o início dos textos sobre amizade + mulheres.

Crítica lírica.

Definitivamente o melhor texto crítico do blogue inteiro. Minha vocação poética aparece aí.

Resposta à Camila:

É a primeira vez em que eu uso um texto meu misturado com um outro texto e acabam se integrando e tal. O texto acabou servindo para a produção de um curta-metragem. Gosto muito de sua artificialidade.

Se se morresse de amor.


É a primeira vez em que me proponho uma temática e consigo construí-la com sucesso. O texto é bastante divertidozinho. Creio que seja a primeira vez que uso um "pseudônimo" ou algo assim dentro do texto para me identificar.

Osmose - um minuto de tod'a vida.

Gosto das imagens desse roteiro e sinto que a sensação foi passada com exatidão. Além disso, é um dos poucos "casais" femininos que eu já escrevi. Provavelmente não funcionaria como um filme.

A droga de toda a vida.


Já foi o meu texto preferido. Conta bem a história e funciona como um todo. Ok.

Fuja.

Gosto da imagem que imaginei para a Morte. De resto, tem algo de plágio de Discworld e tem um estilo relativamente definido. Não gosto tanto, na verdade, mas há leitores que acham o mais legal de todos os tempos. Não tenho como discordar.

O garoto, a pipa e os bestsellers.

Aqui repito o procedimento do "Resposta à Camila:", mas alcanço efeito muito maior. É um tratado sobre literatura e estilística. Merece muito mais atenção do que recebeu.

Valor


Acabou me ganhando um concurso de literatura (junto com outros textos de sua série). Merece seu lugar aqui, portanto. Ah, há também a temática da criança, outra que vai sendo desenvolvido em alguns textos. A raposa não é uma metáfora.

O amor.

Gosto das imagens criadas por esse texto. Eu acredito nele.

Tique-tique.

Livremente baseado nisso: Turn signals. Também tem imagens muito fortes, para mim. Houve toda a controvérsia em relação a qual onomatopéia seria melhor para o texto. Gosto da força visual dessa que acabou ficando. É uma metáfora para as relações humanas.

Metaverdades.

Esse texto sintetiza toda a série de Autocríticas em 6 linhas.

Som.

Acho que não é o melhor dos "contos concretistas" que eu fiz, mas exemplifica bem como as coisas funcionam. Influência das HQs.

Indícios.


Um projeto que eu tinha certeza que eu acabaria deixando para lá, mas que eu acabei acabando. Quer dizer, o produto-teste acabou se transformando no produto final. Ainda posso fazer alguma coisa sobre isso.

A coisa que não se explica porque não é.


Quando escrevi esse texto, eu achei que só as duas primeiras sentenças eram decentes. Depois percebi que o texto todo funciona muito bem e que eu me orgulho dele.

O Cisne.


Escrito sob encomenda, funcionou.

A derradeira.

O texto tem uma sinceridade que me surpreende. Acho que a forma trabalha bem o conteúdo, acho que funcionou como quis. Talvez seja meu texto mais de gente grande.

no inverno


Vide Autocrítica..

- Como que pode, cara, você e ela não são pessoas que possam se misturar, são i-mis-cí-veis.
- She's unmissable, man, don't mix it up.


Acho que pode ser considerado uma releitura do "Crônica fictícia rabiscada no caderno.". É também uma espécie de manifesto sobre literatura, se você prestar atenção. Também entra pelo mesmo viés do "Autocrítica.". Um dos textos mais completos, talvez o meu preferido, atualmente.

sexta-feira, maio 02, 2008

quinta-feira, maio 01, 2008

Autocrítica 8.

Pressa d'escrever, só pra cumprir cronograma. Dia-a-dia faz que faz, repeteco é a lei, arte-por-arte é ao artista: certeza, certeza, altivo. Shift + E espaço o s espaço a n g l i c i s m o s interrogação Enter (return).

Todo título transforma.

quarta-feira, abril 30, 2008

Autocrítica 7.

Q: Quantos anos você tem?
R: 18.

Q: E com essa idade você já se julga um escritor?
R: Sim. Mas devo dizer que essa tal condição é completamente superestimada.

Q: Como assim?
R: Não há nada de muito especial em ser um escritor ou um poeta ou um músico ou um gramático. Vá lá, tem as implicações sòciopatológicas, mas não existe nenhuma espécie de "aura mágica" em torno de nós.

Q: Você quer dizer que os artistas são pessoas normais.
R: Ou então que a arte é só mais uma das coisas da vida. Acho que há alguma diferença entre as afirmações.

Q: Bem, você já vem publicando há mais de dois anos o blogue Elevado a Três.
O que você escreve por lá?
R: Ah, há alguns tipos de texto. A maioria são contos curtos, e aí o estilo varia muito. Tem coisas que vão pro lado do realismo fantástico, outras são... Como se diz? Muitas são sobre relacionamentos ou sobre as palavras. Também tem uns "poemas", eu nunca me considerei nada parecido com um poeta, que costumam ir mais pro lado narrativo ou algo assim. Algumas "crônicas" aparecem lá no começo do blogue, mas eu meio que renego aquilo tudo.

Q: Então por que ainda está no blogue?
R: Me apego muito ao meu lixo. Sério, eu só joguei fora alguns brinquedos velhos e quebrados semana passada! (risos) Na verdade, acho que pode ser interessante para os leitores, não sei. As coisas que chegam no blogue não são necessariamente as melhores, também, muita coisa que eu acho boa acabo guardando para usar em concursos literários e aí o blogue fica sem os "melhores textos". Acho que é por isso que sobram tantos posts experimentais e porraloucos: as coisas que fazem sentido eu deixo para ganhar dinheiro.

Q: Isso é ridículo.
R: Eu sei. Mas eu tenho esperança de ser publicado alguma hora, e aí é bom ter algum material inédito, não?

Q: Não, sim, mas assim os seus textos do blogue...
R: Eu costumo mandar para alguns amigos os textos que eu acho interessantes mas que não chegarão ao blogue. Peço a opinião e os irrito, acho.

Q: Você acha que seu público é menos importante do que o dinheiro, então.
R: Talvez. E você escreve pra quê?

Q: Ah, pra nada. Eu só transcrevo entrevistas com as pessoas que me mandam...
R: O entrevistador também é uma espécie de autor?

Q: (risos) Sim, acho que sim. As nossas perguntas dirigem as respostas e é mais ou menos o que um escritor ou um cineasta faz com a reação de seu público. Pelo menos é o que se espera, nem que tudo seja inconsciente demais.
R: Eu concordo que os textos e os filmes façam isso, só não sei se é essa a função deles. Talvez você devesse ser neutro.

Q: Eu não acredito que sequer haja isso de neutralidade.
R: Nem eu, nem eu.

terça-feira, abril 29, 2008

Autocrítica 6.

etc.

adamsallenalmeidaandradeassisaumontausterazevedo balzacbataillebazinbernadetborgesbradburybressonbringhurstbukowskiburgess camuscortázar dostoyevskidoyledrummond emílio faulknerfitzgeraldflahertyflaubert godardgogolgolding hitchcockhuxley jamesjoyce kafkakerouac marquezmcewanmurakami nabokov orwell pessoapratchettpuchkin ramosresnaisrocharosa sa-carneirosaint-exuperysaramagoshelleystendhalstokerswift tooletruffauttwain verissimovonnegut xavier yoshikawa

segunda-feira, abril 28, 2008

Autocrítica 5.

eu quero tomar banho
e você não me deixa.
se fode
sozinha, meu bem
que eu não quero mais;
nossas peles se grudam:
REFRIGERANTE DERRAMADO PELO CHÃO.


Quanto vale isso que eu escrevi?
O processo criativo é tolo: pensei numa imagem, tentei desenhá-la, me veio à cabeça a frase inicial, escrevi, imaginei os múltiplos contextos que serviriam para a afirmação e resolvi concretizar um (e só um) num poema.

Quanta poesia cabe em meus textos?
Não há muitos critérios, devo dizer que ponho no papel as coisas como me surgem, depois pontuo, reescrevo, entend'interpreto. O impulso sempre é "expontâneo" ou "de fora para dentro", mesmo que haja algum tipo de "musa inspiradora" ou o que o valha. Não é automático. Se você identificar pontos mais saborosos nos textos é porque eles foram os ganchos criativos que minha cabeça cria: é a própria estrutura, são as sacadas.

Eu me levo a sério?
Não sei, mesmo, o que se passa na cabeça das pessoas quando lêem uma coisa dessas. Eu, particularmente, acho o texto bem sincero. Tem lá seu lado técnico e chato (foi pensado, apesar de tudo), mas o mais importante, o sentimento, está lá. Acho que as pessoas podem não gostar dele, da escrita tosca (aspas ou itálico?), de mim; a culpa não é do texto.

Sobreviverei ao tempo?
Todos que se sujeitam a estudar esse belíssimo ramo das atividades humanas, a crítica literária, devem ter bem claro nas suas cabecinhas que essa é uma coisa extremamente idiota. Não devem, de forma alguma, deixar de se dedicar à crítica só porque ela é idiota, mas a consciência é muito importante para evitar o papel de ridículo. Mantenha-se sempre consciente e, aí, nunca será ridículo sem que você o saiba.

domingo, abril 27, 2008

Autocrítica 4.

O escritor é só mais um dos leitores. Que diferença faz a opinião dele sobre o que faz, de que importa a sua intenção criativa? Essas coisas só importam quando os próprios leitores buscam e dão-lhes valor: no fim, é o público que cria a interpretação, de qualquer forma; no entanto, isso não significa que o autor não possa se manifestar sobre o próprio cocô, cabe aos leitores ignorá-lo totalmente ou aceitar o que ele tem a dizer.

Não pretendo ensinar ninguém a ler, vocês busquem a satisfação de que precisarem.

Cada reação é, na verdade, desejosa: espero que as pessoas abram meu blogue, comecem a ler o primeiro poste e dêem de cara e caiam no chão e a partir daí resta a opção de ficar ou fugir, ambas me aprazem. Os leitores que me engolirem e julgarem me entender também estão dentro do meu escopo, assim como os que me acham uma incógnita ou que esperam que eu aja de um jeito ou de outro. Tudo é bom, o leitor perdido para sempre por causa de um palavrão ou de uma série de textos apologéticos me deixa satisfeito com meu trabalho. É pra isso que eu escrevo, na maioria das vezes é absolutamente fácil saber quais textos vão agradar a quem, e mesmo assim eu insisto em mandá-los para as pessoas que não irão gostar ou entender, é necessário para mim.


Minha literatura é lixo reciclável, e queria poder apontar cada um dos que se aproveitaram dela para crescer.

Autocrítica 3.

Talvez em algum momento eu tenha passado a idéia de que não me importo com o público, e isso seria uma mentira. Tanto me importo que estou aqui mesmo me explicando e ajudando um pouco a leitura (ao mesmo tempo em que proponho um jogo que não é nem um pouco interessante, em que não se ganha nada).

Explico: há algum tempo já, decidi acabar com as dúvidas de qualquer possível leitor quanto à veracidade do que digo por aqui. A diferença entre o que é verdadeiro e metaverdadeiro estaria na fonte, Verdana no primeiro caso e Georgia no segundo. A informação passa batida, em geral, não estamos acostumados a identificar os diferentes tipos, faltou a sentença elucidante, etc.

A culpa certamente é minha, como autor, mas agora tudo ficará muito mais claro:

Minto em Georgia.

sábado, abril 26, 2008

Autocrítica 2.

Fugir da racionalidade talvez seja um dos objetivos mais claros dessas coisas que vocês vêem por aqui; o objetivo não é, de forma alguma, a inovação pela inovação; o "experimental" busca uma certa organicidade que não estava presente no próprio autor; assim sendo, uma pessoa que sempre enfiou seus pés em valores iluministas pode se soltar um pouco da ideologia e do próprio modo lógico de se ver as coisas; liberdade formal.

Renega-se a inteligibilidade como valor.

O importante é a metaverdade, a ficção produzida aqui, o próprio texto se desenha como uma história gráfica e quasissonora. O posto aqui não se presume como valores absolutos: deslizam e eu mesmo não acredito seriamente neles.

O ponto todo é este: contraste entre o que eu digo e o que se quer dizer, entre o que eu faço e o que eu digo que significa, entre o que eu digo que faço e o que faço, entre dizer e fazer dizer, todas as buscas assim. Me apóio na racionalidade, me apóio na gramática, me apóio na crítica mas é justamente com o intuito de afirmar o oposto; O mesmo ocorre quando corro para o lado das letras gritantes e jazzísticas.

Não é dialética, é algo mais organicamente simultâneo, é duplipensar ou pòsmodernismo.

Quantas regras e para o quê? Qual é a idade certa para fundar sua própria teoria?

sexta-feira, abril 25, 2008

Autocrítica.

Escrevo fundamentalmente sobre casais e, num sentido mais amplo, sobre o tal amor. A preocupação fundamental é achar o meu jeito – e é só meu, mesmo, por mais similar que seja – de dizer o que eu acho ou sinto ou quero que os outros achem e sintam: o sexo – erotismo ou o que o valha – é uma chave principal que merece mais atenção e trabalho na literatura; não que já não se tenha feito tantas e tantas coisas boas e adequadas, mas ainda parece haver espaço para várias sutilezas não tão lembradas. Além do mais, a maioria das pessoas se atropela quando precisa escrever literariamente o sexo.

Falaram na palavra pueril. Melhor: um amigo chamou um ou dois textos meus de pueris, e, apesar d’ele mesmo assumir que não era essa a palavra que queria dizer, tenho que explicitar aqui: é amor-alegre, amornarizinho: eu busco isso para a minha literatura e acho que é um dos objetivos de que me aproximo mais, a sensação de luscofusco – o substantivo nada quer dizer, aqui o importante é o som da palavra – que é um tipo de amor pequenininho de potente. Entendam: isso não está de forma alguma dissociado do sexo.

Outras coisas que me vêem com a temática amorosa: o voyeurismo, a vontade sexual travestida num olhar, o vínculo personagem-autor, o experimentalismo, o amor triste das pessoas esperando as outras para tirarem suas roupas e dormirem juntos após uma noite multidirecional, et cétera.

Compreendem?

quarta-feira, abril 23, 2008

Crônica brasileira - 4.

Isabella
Janela
Ai
A decadência dos meios brasileiros.

sexta-feira, abril 18, 2008

Hoje eu sonhei:

Eu tava num elevador sem luz nenhuma e tinha uma gota d'água daquelas de filme - plá...-plá...-plá... -, eu tava sozinho até que você apareceu num canto e aí começamos a conversar sobre o filme que a gente viu ontem e de repente o elevador parou e você começou a chorar muito, aí eu falei que tudo ia ficar bem, mas daí você era um menino e eu era a Bia e você apontava o dedo pra mim e me chamava das coisas feias e aí eu queria muito acordar e aí eu fiquei torcendo pra acordar, mas você continuava apontando o dedo pra mim e eu peguei seus pescoços e minhas 100 mãos apertavam forte mas não adiantava mas aí eu queria acordar mas eu não conseguia mas eu continuei tentando muito aí eu acordei e já tava claro e muito quente e aí eu saí correndo pra porta pra poder ir pro cursinho mas aí tava fechada e aí eu tentei bater na porta mas não fazia barulho e aí eu gritava e eu percebi que era outro sonho mas aí eu queria acordar de verdade e aí eu chorei muito mas aí você me ligou e

você, como cê tá? Isabella - ganho ibope com uma coisa absurda dessas, não? O google trás para cá pessoas procurando o tal caso Isabella, e na verdade eu acho tão absurdo isso tudo, e é só isso mesmo: Ibope e pontos do colosso e passamos de nível de tanta grana que ganhamos.

domingo, abril 13, 2008

Domingo-de-manhã.

Sempre disse que me inscrevia nessa linhagem que se define por um conjunto de linhas de força: sensualismo, materialismo, ateísmo, elogio do corpo e das mulheres, celebração da teoria da composição formal do cinema de Kracauer é a melhor seção do livro, pois segue logicamente suas especulações iniciais sobre as necessidades básicas do cinema, ao mesmo tempo em que proporciona a neblina encher o vulto do rio, e se estalar da outra banda a barra da madrugada. Ao que, esbarramos num sitiozinho, se avistou um preto, o preto já levantado para o trabalho, descampando mato. O preto era nosso; Só faltava essa de vir encher com o problema do chocolate, como se eu fosse uma criança de peito.

segunda-feira, abril 07, 2008

Sentítulo!:.

Eu escrevo nela e é ela que me escreve, porque a cidade faz coisas que não se espera do que é inanimado, isso por pura puberdade patológica do pensamento pequeno, pequeno, tudo que é inanimado nos mexe e nada é inanimado, que fique claro, muito menos a Cidade, muito menos A Cidade que exige as maiúsculas de um título enquanto age nas entrelinhas e está sempre presente - ubiquitous, if ya wanna know - em tudo que se escreve - as palavras vêm todas da urbanidade -, se as coisas saem bem escritas no campo é pela necessidade de distanciamento para poder entender - evita-se a palavra sentir para não desagradar os frígidos como eu - as relações de espaço e de impotência que essa grandiosidade inartista inagista inatingista traz consigo.

Te toma, te estrupa, te stress, te transtorna, te tititititi paulistaneidade -> coevidade coesão coerção Guimarães Rosa e o Sertão que é Universo
Ele transformou Sertão num Universo, A Cidade já é tão fácil um Universo que as pessoas Falham Tanto Ao Tentar Passar a IDÉIA (VERSICULARES DARIAM BEM PRO GASTO, EU ACEITARIA SUA SUGESTÃO SE A FONTE ME PERMITISSE)
Até aqui você ainda me entende, não é?

Agora vem o solo:

TentententintimtintimPáTóumPáTóumNaaaaaMinnnmIáBôôôuuuuuuuuuCá!Bá!Tóum!TórumPinttumtintintintintinténbéumnohayfuturismobéimatrasadobéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimb
os sinos das catedrais (falta a formatação, falta tempo para isso)
BÉIM! A Cidade engole a Cidade que engole a cidade, fica tudo num conceito imperdível pro sujeito que não dá esmola não. Anote aí porque só digo uma vez: vou fundar um movimento musical chamado de know-no-noes e será algo do tipo "nós não temos limites porque somos jovens e tão espalhafatosamente lindos! olhe para nós, note como dançamos e somos bilíngües porque nos deram toda a LIBERDADE para aprender a língua inglesa, cause english is pretty sharp, it can cut you in half!".
PimPimPimPimPimCONVOCOAINTELLINGENTSZIAPRAMEVISITARNUMBAILEVELHODOSANOSQUARENTAEUMEMEIOEEEEEE
VOTROCÊCAPAASLAQUEVRASCOINHASIDITIVERDA
cada linha é um novo desafio CACOFÔNICO, cacofactum, bukarowski, LIVROS A 50% POP ART INATINGÍVEL

..


Agora o solo denovo:

TentententintimtintimPáTóumPáTóumNaaaaaMinnnmIáBôôôuuuuuuuuuCá!Bá!Tóum!TórumPinttumtintintintintinténbéumnohayfuturismobéimatrasadobéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimbéimb
os sinos das catedrais (falta a formatação, falta tempo para isso)
BÉIM! A Cidade engole a Cidade que engole a cidade, fica tudo num conceito imperdível pro sujeito que não dá esmola não.
PimPimPimPimPimCONVOCOAINTELLINGENTSZIAPRAMEVISITARNUMBAILEVELHODOSANOSQUARENTAEUMEMEIOEEEEEE
VOTROCÊCAPAASLAQUEVRASCOINHASIDITIVERDA
cada linha é um novo desafio CACOFÔNICO, cacofactum, bukarowski, LIVROS A 50% POP ART INATINGÍVEL

quinta-feira, abril 03, 2008

A bunda das maçãs.

Comi minha primeira maçã ontem.

O método é que interessa: lavei, tirei ambos os umbigos para evitar contaminações químicas graves, me preparei para o choque cultural que a coisa me daria e mordi a bunda da maçã. Me ensinaram que o melhor era começar por sua bunda e talvez o seja, mesmo. As primeiras mordidas foram tão indolores quanto o imaginado, afinal, não havia nada de novo em comer a traseira da maçã.

Então, cheguei ao fruto propriamente e não havia gosto ruim. Eu mordi as sementes e não havia gosto ruim (na verdade, a única coisa notável era o padrão lindo que as sementes faziam, circular e simétrico, e também [menti ao dizer que só havia uma coisa notável] que a maçã toda fosse tão bonita quando comida por baixo) e tudo foi mesmo muito agradável. Além de tudo, senti pela primeira vez o que realmente era comer uma maçã e segurá-la por o que seria sua tampa, mas de ponta cabeça e como uma bandeja que é o próprio prato que é o próprio alimento.

Uma maçã, todatoda ela.

sexta-feira, março 28, 2008

— Como que pode, cara, você e ela não são pessoas que possam se misturar, são i-mis-cí-veis.

— She’s unmissable, man, don’t mix it up.

O um, o dois e a três. Três sobre um, subtrai-se dois e aí está a função disso tudo.

A acepção que falta no dicionário (não me venha com seus conceitos de ceticismo assscético, eu sei o que falo) para o fonema amor:

narizinho
tu-ru-turu-tutu
ex-pon-tan-eamente
na minha clavícula
clá, vi cu lá
orelhinha
só riso or
GAS-MO.

domingo, março 23, 2008

Nota-se.

É assim que eu faço: eu sento em frente às moças que me chamam a atenção e começo a escrever enquanto meus olhos pingue-pongueiam do caderno pros olhos delas. Esse é o procedimento padrão, isso é o que eu faço com você agora e seu cabelo é tão lindo e talvez só bastasse fingir que estou escrevendo, porque o que eu realmente quero é ver você ficando corada enquanto eu mesmo enrubesço já com toda a prática dos anos. Poderia ser em qualquer lugar, acontece de eu encontrá-las em todo tipo de canto, vocês sempre sentadas e sempre dentro de vocês mesmas. Eu quero que vocês se desensimesmem um pouco e percebam que alguém olha para vocês do meu jeito, e então que eu não saia de suas cabeças assim como vocês estão sempre dentro da minha.
Eu podia muito bem apenas fingir que escrevo, mas no metrô é o melhor lugar de todos para esses olhos negros e esses cabelos curtos e preto-pretos e agora você me percebeu e eu tive que desviar meu olhar para o caderno. Eu morro de vergonha, é isso que você acha, talvez você seja a mais perfeita de todas mesmo com esse jeito arrogante de se vestir e você está me olhando de novo e tanto desprezo na sua cara que eu não sei se talvez o melhor não seja continuar mesmo escrevendo e fingir que você que inspirou tudo isso não está me fitando tão forte assim.
A vantagem de manter meus olhos no caderno é que eu posso notar suas botas e elas são irônicas e parecem combinar bem com seu olhar que não parece nem um pouco acanhado com a minha invasão: talvez você goste de ser escrita por mim e queira me desafiar e eu vou ser mais forte que você porque eu consigo manter minha atenção grudada no seu rosto enquanto escrevo e nunca você vai ser assim tão forte comigo.

Já se passaram algumas estações e continuamos nos encarando e eu estou segurando a minha respiração já se sabe lá há quanto tempo, eu não sei porque com você pode ser diferente das outras pessoas quando eu já fiz isso tanto e assim parece até de propósito que eu justamente agora tenha explicado todo o meu método para o leitor, mas é sempre assim e na verdade eu só escrevo para ocupar algumas partes do cérebro e não morrer de medo de cada Mulher que me chama a atenção. Tanto faz, tanto faz, porque você está se levantando e acho que você irá embora e me dará as costas como todas as outras, você vem para o meu lado, mas só porque a saída é obviamente deste, você segue direto para mim embora eu saiba que isso é mentira e você diz

eu conheço muito bem esse seu tipo de gente que é você, seu merdinha, você só quer destruir a vida das outras pessoas com o joguinho idiota desse seu caderno adolescente cheio de obscenidades do tamanho da sua cabeça enorme.

Aí ela arrancou o chapéu da minha cabeça e saiu pela porta aberta do metrô e eu juro que não chorei nem um pouco naquele dia.

sábado, março 15, 2008

no inverno

nós dois deitados
na cama
nos descobrimos
a noite inteira.

sábado, março 08, 2008

Escrever é ordenhar uma vaca.

Porra que merda de caneta emperrada que me faz ficar preso numa gina que poderia muito bem ser mandada praquela puta que a pariu. Quê, que e quê? A parte mais importante da vida de Henry fica a pouquíssimas linhas daqui, mas as palavras engasgaram-se no passado e agora é imposvel alcançar o futuro do pretérito a não ser que conjetussemos sobre.

Henry faria as coisas que quisera, se tornaria feliz comparado com seus amigos menos certos — ou mais errados, não é exatamente o mesmo — e alcançaria a felicidade com Jullie facilmente, mas aconteceu que aconteceu um problema que não era para, a história da minha cabeça sofreu um leve tilt quando comecei a ouvir a sica que vo me mandou e a vaca leiteira que é a minha criatividade parou de funcionar junto com a caneta.

Ode à BIC

Oh, caneta que canta o canto encantado

Vertente das palavras mais sóbrias

E falsas que existem.

Oh, linda ferramenta barata abrindo os caminhos

Literários pra morte.

Bendita BIC, borra.

Henry esfregaria Sua Cara nos peitos de Jullie em busca de carinho, ela lhe sorriria e lamberia sua testa e tudo estaria muito bem encaminhado, mas dessa vez — glupe-glupe: a caneta vai se livrar que eu sei — é Jullie que esfregou Sua Cara na Sua Cara de Henry, foi ele que lambeu o lóbulo esquerdo dela e ela morderá o dedinho dele e Sua Cara sorri com tanta protoppornografia descente na sua frente.

Henry beijaria a boquinha de Jullie, que passaria sua mão por Sua Cara e que suspiraria, os dedos dele fariam aquela coisa que você imaginou por mim e na verdade Jullie jogou as pernas por cima dele e os dois caíram c’um tanto tesão no chão que a vizinha debaixo percebeu que começará tudo de novo e já estava batendo com a cadeira no teto e gritava:

SEUS PORCOS NOJENTOS

BARULHENTOS, GOSMENTOS

CALEM SUA BOCA, QUE POCA

VERGONHA

MEU FILHO NÃO TEM QUE OUVIR ESSES GEMIDOS DE MERDA DE VOCÊS DOIS.

Eu não sei se o conto estará pronto pra quando você chegar e muito menos se você gostará, porque a caneta não quer pegar direito e não sei se você vai sequer consegui ler isso aqui e também você prefere a versão um ou dois? Sua sica quis que fosse ela por cima e não ele por cima, vo fez com que aos 9:33 aparecesse um homem nu pela porta da frente, ele abrirá a boca e cairá aos prantos, porque ele é William e era ele que devia estar lá e na verdade está Henry fazendo o bom trabalho de parto às avessas.

Ah, bem, a caneta pegou.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Simpleza dum bem-notado.

A menina me olhou e eu notei que estava olhado, abaixei logo o meu rosto com medo de estar corado. Não se importe, me falou, de ficar aqui ao meu lado, eu não mordo e nem converso, não havendo interessado. Nada disso, reiterei, não há nada aqui errado; ao contrário, me pensei, devo é estar apaixonado. Ela riu e se aproximou, me deixando encabulado, você é lindo, garotinho, todo-todo acanhado. Não fugi mas não fiquei, queria mesmo um bocado daquela boca, minha dona, nem que fosse a machado. Não não foi, eu não fiz nada, eu é que fui atacado.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

A lógica dos embates.

Atira o tira: tiro à toa, tiroteio.

domingo, fevereiro 24, 2008

Pausa para apuração.

Ele leu tanto, tanto e tanto, no entanto não soube escrever.

sábado, fevereiro 23, 2008

Não-haicai.

Porcos comunistas,
Gaviões capitalistas,
Tomemos refúgio!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

A derradeira.

Na primeira vez em que me matei, meu nome era João. Escondi perfeitamente meu crime, como se fosse casualidade: narrava em terceira pessoa, e João era certamente mais baixo e mais feio que eu. Era um verdadeiro fodido, coisa que não sou, pelo menos não pareço ser. Fiz com que ele — ele era eu, espero que vocês entendam — levasse o tiro de um assaltante barato e burro; morreu, e nenhum dos meus leitores lhe deu muita atenção.

Aquele primeiro suicídio me foi alentador, foi indolorosamente inodoro e quase impessoal; no entanto, tive que repetir a dose com Lola — a vida dela acabou ao tropeçar na merda da bosta dum cachorro que havia sido deixada para lá por sua dona, de forma que o conto tinha quase um caráter ambientalista —, que, ao menos, era escritora como eu. As pessoas ao redor aplaudiram a queda de Lola e ficamos quietos, não podíamos contar que nossa morte fora proposital.

Pediram-me, pura coincidência, para escrever algumas notinhas sobre Maiakovski: deliciei-me escrevendo, ao fim da minúscula biografia, as palavras "Suicidou-se". Ali estava eu me matando mais uma vez, junto também com Iessienin, poucos anos antes. Eu tirava a minha vida ao mesmo tempo que criticava a fuga pelo suicídio de Iessienin, que também era eu e todos nós, soviéticos.

Uma série de outros nomes vieram vindo ao meu caderno, compunha também outras biografias, todos os escritores acabavam com o simples "Suicidou-se", Quiroga suicidou-se, Toole suicidou-se, Daniel suicidou-se, Gogol praticamente suicidou-se, porra, Hemingway suicidou-se e toda essa corja nojenta era eu e me destruí cada vez que acabei de falar de um dos meus outros eus - ninguém leu meus pequenos resumos.

Cada personagem que matei, nesse interim, foi um ato lúcido de auto-assassinato. Sendo como for, tudo só serviu como apaziguamento, inclusive as mortes em primeira pessoa. Os narradores morriam e a história acabava, ou então artificialmente tudo continuava — não acredito nessa coisa de vida após o fim da vida — e dava no mesmo: era real, mas não o suficiente. E nenhum de vocês sequer desconfiou.

Mato-me de novo, agora, logo após o fim deste conto. Parece definitivo e verdadeiro, parece muito além das quasiverdades literárias, parece melhor do que dar meu nome para algum personagem e então enterrá-lo, parece digno de uma biografia feita por alguém mais. Foda-se. O método é simples e não importa, e me dou ao luxo de escrever no presente quando, obviamente, falo do futuro.

Pois bem. Agora, suicido-me.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Escassez.

Ela gostou do meu presente. Dei-lhe uma obra nunca publicada escrita por mim, concisa, bonita, inteligente, etc. Ela gostou do meu presente.

Resolvi repeti-lo ano passado e repetiu também o gostar. Leu tudo em uma semana e me fez um relatório agridoce (obrigado pelo presente! esse eu achei um pouco mais... mas...).

Tentei mais uma vez agora, mês passado. Ela sorriu de novo para mim, tomou minha cópia encadernada em mãos e perguntou

Quando diabos você vai publicá-los?


Qual a graça de livros inéditos escritos por um autor também inédito?




Muito engraçado da parte dela. Gente espirituosa e sincera é a coisa mais importante do mundo. Mais importante do que nós, impublicáveis.

Eu pensei em mentir e dizer que só não o fazia porque gostava de ser seu escritor pessoal, seu autor único, etc. Mentiras não levam a nada.

Recurvei-me de tristeza e estendi a mão, pedindo o original de volta. Ela teve pena, parece, ofereceu-me seu corpo junto com os papéis. Tudo bem.
Ela já não era inédita.


Eu não peço exclusividade, se ela já foi aceita e requisitada por outros, deve ser boa.